sexta-feira, setembro 14, 2007

Delírio - O Mago das Palavras

25 Setembro 2003


Terminei de escrever o que seria a introdução de um livro que nunca escrevi. Li e reli, imprimi, li de novo e fui fumar um cigarro na varanda antes de dormir.
Lá fora, sentada na cadeira de balanço, me imaginei sentada no sofá de um talk show falando sobre o meu livro – O Mago das Palavras - recém-lançado, sucesso absoluto de vendas.

Entrevistador: - Me conta uma coisa, aqui só pra nós dois: Quem é o mago das palavras?
Eu respondo: - Bem... Minha terapeuta.

Ent. - Como assim? A Maga das Palavras? É uma mulher? Tua terapeuta é um travesti, ou eu não estou entendendo nada?

Eu: - Não, calma. Quando eu era normal e fazia terapia, minha terapeuta dizia que eu vivia com o Mago das Palavras. Porque eu falava, justificava, teorizava...Mas não executava nada. Embora soubesse convencer a qualquer um, e até a mim mesma de uma verdade nem sempre verdadeira. Por exemplo: eu sempre disse que ia escrever um livro. Ela sempre me cobrou isso, dizendo que me servia muito bem ficar só dizendo que faria...Pois olha só! Ta aqui o livro. Pronto, nas lojas. Já que eu finalmente consegui, nada mais justo que dedicar o livro a ela.

Ent.: - Ta certo...Mas porque será que eu acho que tem mais alguma coisa ai?

Eu: Não sei. Talvez porque você esteja entrando na minha história como eu entrei na história da rainha da Branca de Neve, e como ela própria entrou na história da Branca de Neve! Você pode! Você senta aí e muda a minha historia. Pode ser divertido.

Ent.: (Olhando pra mim desconfiado): - Mercedes...

Eu: Okay. Vou contar. O Mestre das Palavras é um mendigo que eu conheci em Zuma Beach quando eu morava em Los Angeles. Eu ia andar na beira da praia todas as manhãs, depois de levar as crianças para o colégio, em Chatsworth. Meu marido ficava dormindo e eu ia pra praia caminhar. Longe...Dirigia um tempão pelos lugares que eu mais amo em Los Angeles. Malibu Canyon, PCH... Um dia, vi este homem, um homeless, e ele me deu bom dia “Good Morning, beautiful lady.” Eu respondi com um sorriso, porque o tom dele foi lindo. Segui andando. Isso aconteceu vários e vários dias seguidos. Um dia, eu estava alongando no muro da praia – aquele muro que parece feito de areia, cheio de golfinhos em relevo, e o homeless se aproximou. Começou a falar da neblina que cobre Zuma até o final da manhã e disse que isso lembra a idéia que ele tem de paraíso. Que os bombeiros que vêm treinar na praia de manhã deviam ser os anjos, os cães que ficam esperando seus donos nas carrocerias das camionetes dos surfistas (que são sempre brancos ou dourados) são os guardiões das portas do céu.
Assim acontecia toda manhã: “Good morning, beautiful lady”... E conversávamos um pouco. Eu ia embora pra casa e ele se despedia dizendo que estaria ali, mantendo meu paraíso seguro pra outra manhã. E assim foi. Ele contava historias lindas. Mantinha meu paraíso só meu, e quando eu ia embora, me despedia dele dizendo: Até amanhã, Mago das Palavras.
É isso. Este era o meu Mago das Palavras.

Ent.: - Nossa...Que bonito isso. É verdade?
Eu: - Não.
(A Platéia vem abaixo!)
Ent.: Como você pode ser assim?
Eu: - Ai, como é que eu vou te explicar?
Ent.: - Que tal tentar com a verdade?

Eu: - Ok. Três fatos, três pessoas me influenciaram e me deram coragem pra escrever e pra assumir pra mim mesma esta mania de inventar historias que eu tenho.
Uma foi a minha terapeuta, que realmente dizia que o mago das palavras regia o meu mundo. E que disse (a irresponsável) que não interessa a explicação que você tem pra dar...a justificativa, porque isso sai da boca pra fora. E da boca pra fora não interessa. Interessa o que você sabe da situação que você está passando. Isso tem que ser verdade. O que você vai dizer para as pessoas tanto faz.
Outra foi uma conversa do Egberto Gismonti num programa de TV. Ele disse que adora inventar historias sobre ele mesmo. Ele viaja muito e as pessoas em viagens longas têm mania de perguntar de onde você é, o que você faz, e ele nunca conta a verdade. Toda viagem ele inventa um novo personagem e reinventa a própria vida pra contar pra quem pergunta. Eu achei isso o máximo! Me diverti muito ouvindo a historia dele. É loucura? Será? Kind of. Mas uma loucura saudável que não machuca ninguém.

Ent.: - Você falou que eram três. Falta um.

Eu: - Ah claro...O principal. O homem que cochichou no meu ouvido: “Hey! Você pode escrever...Não precisa ter medo!”

Ent.: Quem?
Eu: - Kurt Vonnegut
Ent.: Nossa! Ele é maravilhoso!

Eu: - É. Eu sou apaixonada por ele! Amo a forma como ele escreve. Quando há muitos anos eu li o Matadouro Cinco, fiquei encantada. Ele é completamente louco, escreve sem ordem cronológica, divagando, perdendo o raciocínio, interrompendo e voltando pra historia...Uma delicia. E o pior é que ele te CONTA a historia. Ele é livre!

Ent.: - Esse sim é um mago das palavras.
Eu: - Com certeza!
Ent.: Ta...Mas e aí? Ele cochichou mesmo no teu ouvido?
Eu: Quem?
Ent.: O Kurt Vonnegut

Eu: Ah...Uma longa história! Eu estava em Nova York, logo depois da segunda guerra. Descendo a Madison, acho que indo numa livraria, não me lembro bem. Estava bem tranqüila quando ouvi um barulhão! Um táxi tinha atropelado um homem...

Ent.: Mercedes! Você nem era nascida logo depois da segunda guerra!

Eu: Não? Nossa...É mesmo...

Ent.: Eu não vou encerrar antes de saber uma coisa!
Eu: xii...Lá vem...
Ent.: Mercedes! E o mago das palavras? Quem é essa criatura?
Eu: - Um pai de santo que eu conheci em Berlim.
Ent.: Não!
Eu: Um escultor leproso?
Ent.: Não!
Eu: O amor secreto da minha vida...
Ent.: é?

Eu: Não. O Mago das Palavras é esse dom que você tem, que eu tenho, esse poder de usar as palavras pra encantar, pra fazer rir, pra sonhar, pra dar vida ao mendigo de Zuma, pra apaixonar, pra chorar na frente do espelho...

O entrevistador fica me olhando calado e a platéia aplaude.

Ent.: A Gente volta já!

(Aplausos... muitos aplausos!...).

Ha!

Fragmentos


Blues ao fundo

Ele Pink Floyd, ela Billy Holliday.
Ele Elvis Costelo, ela Nina Simone.
Ele Talking Heads, ela Chet Baker.

Ele frases de efeito,
ela dito e feito.

ºººººººººº
. Tenho uma amiga que recortava estrelas para colar na parede. Ela mesma era uma delas.

. Detesto pobreza de espírito e a definição disso é minha particular. Pode ser que eu ache você um milionário. Pode ser que não. Só eu vou saber.

. Não guardo mágoas. Ao invés disso, prefiro enterrar pessoas. E quando enterro não volto nem para trocar as flores do túmulo.

. Passo a vida distribuindo pérolas a quem precisa. Lá vou eu entregando minhas pérolas a cada um que passa. Começo então a colecionar fotos de pessoas de costas.

. Não gosto de quem não aperta a mão com força. Não gosto de quem dá abraço mole. Não gosto de quem não é capaz de um carinho. Tenho medo de quem não se entrega.

. Mudo de idéia. Dou-me esse direito como libriana que sou. E agora, depois dos 40, vejo que quem tem raiz é árvore. Se eu tenho pés e me movimento, porque não meus pensamentos?

. Amar profundamente é a melhor das verdades passageiras.

. Restos mortais
Por natureza são chamados restos. Ninguém quer ficar com restos. Nem a terra merece. Então, minhas cinzas não devem ser guardadas. Quero que sejam jogadas no Malibu Canyon, sentido sul, na primeira curva onde o Pacífico aparece -- o lugar onde minha cabeça aprendeu a voar mais longe, meus olhos aprenderam a ver o invisível.

. Fadas madrinhas existem e agem de forma maquiavélica. Sim, elas não são boazinhas. Ficam se divertindo em sua invisibilidade enquanto nós, pobres mortais, ficamos nos debatendo a procura de uma vida menos ordinária.

. Os únicos homens capazes de me prender a um livro foram Wooddy Allen, Manoel Puig e Kurt Vonnegut. O primeiro pela inteligência deliciosa, por me fazer rir e parecer meu amigo. O segundo por encarnar um escritor diferente a cada livro. O terceiro por tudo!

. Tive uma amiga que me roubou um livro. O livro tinha entrevistas com sete grandes diretores de cinema. Ela me pediu emprestado e desfilava pelas agências de propaganda com o livrão debaixo do braço pra impressionar os meninos da criação. Mas nunca leu uma linha sequer e nunca me devolveu. De alguma forma, o livro foi útil pra ela. Quando a gente não tem talento, usa roupa de artista. Certo?

. Os hereges de hoje são queimados na fogueira das revistas científicas. Na fogueira dos teóricos e dos cegos. A ciência – na figura dos cientistas teóricos com viseiras – tornou-se a igreja de antigamente. Eles estão aí para dizer para qualquer louco que ele devia trabalhar no circo e não se meter onde todo mundo sabe tudo. Deuses...Deuses que pregam o monoteísmo... a monociência, a monovisão. Que riem e torturam com falta de verbas os hereges que ousam discordar do grande deus.

. Mercedes não pode ser frágil. Ninguém com um nome desses poderia. Seria mais ou menos como usar biquíni na neve. Não é apropriado. Não combina. Não seria aceito.
Ou ser franzina...Ridículo! É vedado às Mercedes o direito de ser pequena, magrinha, mignon, frágil, fresca, whatever. Nem pensar em roupas rendadinhas, tons pastel, saltos baixos, visual light. Mercedes nascem fadadas a cooperar com o equilíbrio e a coerência na face da Terra: Combine seu nome com seus atos! Não desalinhe a natureza! Como as Anas são tristes, Reginas são barulhentas, Marias são bonitas, Giovanas são magras, Veras são gordinhas, Mercedes são fortes!


Carta aberta a Edson Perin

Encontrei este texto hoje, vasculhando velhos arquivos. Ele foi publicado no TPM em 2003, e serve ainda hoje como uma luva. Um presente de amiga velha para amigo nem tanto.
Enjoy:



Mano,

Como se escreve uma carta aberta? Se é aberta, precisa de muita explicação, porque a historia de duas pessoas, só duas pessoas sabem.
Li seu comentário e reli meu texto. Depois voltei a ler seu comentário. E me emocionei.
Você contou no seu e-mail que faz 40 anos em Fevereiro – essa amiga relapsa - nunca sei se é fevereiro ou novembro, mas tudo bem porque você também liga sempre em algum dia de setembro pra saber se eu já fiz ou vou fazer aniversário. A amizade e o amor que nos unem não seriam tão frágeis pra deixar isso atrapalhar.
Anyway, a gente se conheceu quando você tinha 23 e eu 26. Isso? Oh my god! O Diogo tinha três anos. (Um dia ele entrou no Sir e encontrou a Meri. Ela perguntou: “quem é a sua mãe?” Ele respondeu: “A Micerrdis.” Hahaha!)
Lembra que a nossa sala na Exclam tinha parede bem brega de cortiça? Lembra dos papos intermináveis com o Ernani? Lembra do Barco dos Chatos? E La Nave Va...Com você sabe quem no comando? Hahaha!
Nossa... Que saudade! Mesmo nos matando de trabalhar a gente tinha muito tempo. Pelo menos você tinha muito tempo pra escutar as minhas historias apaixonadas e bem bobinhas.
Lembro que eu terminava de contar uma super-hiper aventura emocionante de alguma paixonite aguda e você suspirava dizendo: como a minha vida é aborrecida! (bobo)
Lembra da Festa de Babette? A gente já tava até mais velho. Dos cinco pobretões você era o milionário: tinha um apartamento 3x4 e um carro 1x1. Pão duro... Dizia que não queria ir ao cinema.
Lembra quando eu contei que não sabia por que porta entrava no ônibus e a Silvinha me fez ir pro cinema de ônibus a força pra aprender? Foi nesse dia que a gente viu “A Festa de Babette” e batizou nosso jantar pobrinho com o nome do filme.
Minha geladeira era um deserto. Tinha as coisinhas do Diogo, esmalte de unha na porta e meia de nylon do congelador. Diziam que meia de nylon durava mais se guardasse no congelador. Que coisa mais Ana Maria Braga! Hahaha! Aquela meia do Paraguai que às vezes desfiava na horizontal e simplesmente caía. Eu e a Pat Castilho tínhamos truque maravilhosos de reaproveitamento de meia calça desfiada. (Era muita pobreza. MESMO!).
A gente sentava pra jantar o empadão congelado da Dona Marilia, ou a lasagna de tudo do Franc, tomava coca-cola e ria a noite inteira como se tivesse fumado e bebido todas. Lembra da lasagna de tudo? Um queria a bolognesa, outro de presunto e queijo, outro de molho branco. O Franc resolveu fazer todas em uma! (baita banquete praqueles tempos bicudos) Depois ninguém conseguia servir a lasagna porque tinha acesso de riso quando pegava a colher! E os cabelos no prato? Hahaha! Eu tinha aquele aparelho de jantar que tinha uns fiozinhos bem finos desenhados...Um por um foi tentando tirar os fiozinhos do prato discretamente, achando que era cabelo!
E a Mery Penas, deitada na almofada no chão vendo “Meu Tio da América”, se partindo de rir e reclamando entre as gargalhadas: “- Que filme chaaaaato! Quá Quá Quá Quá!!!”.
Como a gente se divertia barato... Pena que acabou...
E o teste de admissão para a Festa de Babette que a gente fez praquela moça que me roubou o livro! Sabe aquela do outro texto? Então.
O que e a Marselhesa?
a) Um prato?
b) Uma puta francesa?
c) O hino da França
d) N.D.A.
Não vou me lembrar das respostas. Uma tremenda bobagem, mas a gente deu risada meses do teste. “Dona Fulana foi à feira, comprou 10 tomates, cinco cenouras, três berinjelas, duas cabeças de alface, não sei o que, não sei o que mais (durava 3 horas o probleminha). Baseado nas informações acima, responda: - Quem matou Odete Roitman?
Meu Deus...Como a gente tinha tempo!
Eu sei te dizer que foi uma época feliz. Os anos de Exclam foram felizes. Nossa! Quanto filme ruim! Hahahahaha! Lembra daquele filme do Leminski que a gente fez um pacto de nunca contar que fui eu que fiz? Shhhhhh...O pacto foi tão sério que eu fiz a produtora apagar o filme da matriz. Falar mal de poeta cult que já morreu é feio né? Então não vou falar. Só vou dizer que ele devia ter sido só poeta!
Lembra do Ernani preenchendo 850 fichas de inscrição no Colunistas e inventando todos os nomes da ficha técnica? E a salinha da mídia? Vocês fizeram um cartaz com a capa do Analista de Bagé, colocaram o nome do meu namorado dizendo: vamos buchar o..... E cada um que passava fazia um bigode, um chifrinho, escrevia alguma coisa. A campanha foi tão grande que vocês venceram. Que feio...
Lembra que eu tinha complexo de perna grossa e nunca tinha usado um vestido curto até os 26 anos? E cheguei num workshop num dia de verão, de bermuda e você me mandou um bilhete dizendo: Estou muito orgulhoso de você!
Que amor...
A vida foi colando a gente. Foi grudando um no outro. Você se tornou o guardião dos meus segredos, meu padrinho de casamento, padrinho da minha filha, meu irmão que mora longe, mas que nunca nunca nunca vai deixar de ser meu irmão.
Lembrei do casamento...Ai ai ai!
Eu casei com meu namorado novo. Acho que namoramos uns três meses e resolvemos fazer uma festa de casamento. Ta. Acho que não dá pra contar a parte do “Segura na mão de Deus...” Eu queria matar a Pat Castilho! Nunca mais consegui olhar pra cara da velhinha! Ai! Desculpa, pessoas...Não dá pra contar essa parte do casamento.
Então...Vamos ao outro caso do casamento:
Eu nunca tinha visto tantas velhinhas na minha vida! Muitas velhinhas muito velhas! Todas tiazinhas curiosas pra saber quem era a moça que estava tirando o caçulinha de casa. Todas medindo cada centímetro e analisando cada movimento meu. Na fila dos cumprimentos, lá vem meu melhor amigo Edson Perin. Logo atrás dele, uma velhinha bem velhinha e bem curiosa. O Edson me abraça, assim...Oito minutos...E fala no meu ouvido: Você sabe que eu te amo, né? Eu daqui, toda noiva emocionada respondo, de olhinhos fechados: Eu também te amo.
Quando eu abro os olhos, dou de cara com os olhos esbugalhados da velhinha. Em choque! Hahaha! A velhinha ficou estarrecida! Até hoje ela deve pensar que eu convidei o meu amante pra padrinho de casamento!
E pra variar, nós passamos anos rindo dos olhos esbugalhados da velhinha!
Ah...E o casamento? Não deu certo. Nem a festa deu! Lá pelas tantas, o Diogo resolveu brincar com os interruptores do salão. A luz começou a apagar e acender, apagar e acender...As pessoas acharam que era o toque de recolher e a festa acabou em minutos. (to morrendo de rir às 3 horas da manha na frente do computador! Hahaha) Vocês tinham que ter visto isso! Que trágico!
Meu Deus! Quanta coisa boa a gente viveu junto. Quanta brincadeira de mímica...E a Drica cantando...Hahaha! E as secretárias da diretoria! Quanto filme a gente viu juntos. Quantas vezes reclamamos que o Luc Besson fez Subway com 25 anos e a gente ainda estava longe de fazer alguma coisa louvável na vida.
E os meus amores! E a minha vida dando oitocentas viradas radicais e você lá. Espectador numero 1. Fã de carteirinha. Já meu viu chorar, já me viu ir embora, já me viu feliz, já segurou meus filhos no colo. Já teve que ouvir a Natasha olhar pro presente que você deu e dizer: Há. Que REDICULO!

Acho o tempo e a vida muito ingratos por afastarem a gente assim aos pouquinhos. Mas ao mesmo tempo acho a vida maravilhosa por ter me dado um presente tão valioso. Um cúmplice tão leal. Um amigo assim, pra sempre. Tive sempre tanta dificuldade com a palavra SEMPRE. Você me fez perder o medo dela.
Queria lembrar as histórias...Queria dizer que te amo...Queria me sentir mais perto. Acho que funcionou. Até hoje você não dirigiu um filme e eu não escrevi o meu (mais ou menos. A gente sempre fez essas duas coisas indiretamente).
O garotinho de jeans e tênis, meio barrigudinho, com a barba por fazer, pão duro (hahahah!) hoje é um homem bonito, sarado, viajado, analisado, brilhante, que sabe o que quer e dirigiu a vida muito bem, obrigada.
E quanto ao seu comentário, nós tivemos o privilégio de conviver com pessoas brilhantes, fáceis de se admirar. Tivemos o privilégio de ver alguns mitos como simples seres como nós. Tivemos o privilégio de fazer parte e ter uma vida muito mais interessante do que a maioria jamais sonhou ter acesso. Mas ter passado anos da minha vida tendo você por perto foi o maior dos maiores privilégios.
Foi um prazer enorme lembrar tudo isso. Vou dormir sorrindo.

Um beijo enorme e (esbugalhem seus olhos, tiazinhas) não esquece que eu te amo.


quinta-feira, setembro 13, 2007

...


Querido diário,

Ando meio estranha. Um tédio meio chato, uma falta de vontade.
Misteriosamente meus vícios estão indo embora, e quando o vício é o seu grande companheiro, fica difícil encarar a vida sem ele. Não, eu não estou parando de fumar. Eu estou entrando menos na internet. Quem diria?
São 5:47 da tarde e eu estou sentando na minha cadeira pela primeira vez hoje. E quer saber o pior? Eu não abri o msn. Eu não corri para ver meus e-mails. Eu só sentei e olhei em volta. Sabe aqueles dois CD's que eu larguei em cima de uma lista telefônica há 3 dias? Estão ali, no mesmo lugar. O Movie Plot Generator que eu tirei da estante pra brincar com o Cláudio de criar o plot do filme que vai dar um Oscar para ele? Continua aqui ao meu lado direito, onde eu larguei naquele dia. E o zippo preto continua sem fluído, alguns envelopes não foram abertos, o aspiradorzinho vermelho está jogado aqui do lado desde o dia que eu resolvi limpar o meu teclado.
Assim...bem desse jeito, como se o tempo tivesse parado pra mim. Mais um café e olho em volta. Preguiça de escrever, preguiça de entrar online, preguiça de colocar a vida em dia.
Em compensação eu assisti, só hoje, dois DVD's da primeira temporada de Heroes. Do jeito que eu gosto: sozinha lá embaixo, sem ser interrompida por nada. Quando resolvi parar de ver, fiquei mais um tempo na sala pra não ter que levar minha empregada até a portaria. Preguiça de ser simpática com ela também.
Hoje acordei no susto. Meu celular tocou e me avisaram que o Rafael já tinha chegado. Dizem que me acordaram as 9:15. Ele também me mandou um torpedo as 9 dizendo pra eu acordar. Não vi nada. Estava apagada. Levantei no piloto automático, me vesti, subi, alonguei e disse para ele que eu queria comer amora. Amora! Amora? Já estamos em setembro e eu não senti ainda meu chão ser tirado dos meus pés? Já tem amora lá fora e me sinto como se fosse abril ou maio? Isso é ainda mais chato e estranho do que não querer entrar online ou escrever.
Fomos correr. Demos uma volta nos 3 lagos do parque e depois paramos de amoreira em amoreira, para comer. Duas crianças com os dedos sujos de roxo e os lábios manchados de batom natural num dia lindo de sol.
Ok. Voltamos pra casa, abdominal, alongamento. Quando o Rafa saiu, o normal seria eu sentar na minha cadeira e ligar o computador. Nem. Não tive vontade. Assim como não tive vontade de conversar. Passei o almoço meio calada, sem nem uma palavra querendo escapar da boca, nenhuma idéia querendo percorrer a cabeça. Depois desci e já contei... vi Heroes. O dia está acabando.
Onde eu compro vontade para fazer as coisas que eu preciso? Existe algum disk-vontade que entregue em casa?
Eu não gosto de ficar assim. Esse estado me remete ao texto ali embaixo. Medo! Medo! Medo do vazio, mesmo que momentâneo.
Ontem eu não quis ver o jornal. Eu sabia desde sempre que o Renan Calheiros seria absolvido e quis me poupar desse constrangimento. Hoje, olhei a primeira página da Folha e hã...quanta novidade, não? Acho que a esta altura seria mais honesto dar as notícias da seguinte forma:
"Renan Calheiros paga suas contas e as de sua amante com dinheiro de lobistas e empreiteiras, ele vai mentir sobre vacas e notas frias quando questionado mas no final será absolvido, por isso mudaremos de assunto." E com letras miúdas: "queremos evitar que a amante dele fotografe nua". Fim de história, vira a página.
Acho chato demais ficar sendo forçada a acompanhar o corre-corre da mídia e da polícia para depois ver que tudo acaba como a gente sabia que acabaria. Palhaçada sem fim. A Nazaré cair da escada na novela das 8 era menos óbvio do que qualquer final de novela em Brasilia.
Fora isso, tem o remédio carézimo do meu pai. Diz a lei que o governo do estado e a prefeitura têm obrigação de fornecer medicamentos a doentes com câncer. Sim. Tem sim. O plano de saúde também. Então é preciso tentar. Sim, é preciso acreditar... tá. Quem não sabia desde o primeiro dia que isso só acontece em propaganda de campanha? Tudo acabou como eu previa, de novo, outra vez, ai que saquinho.
Eu devia tentar usar este dom para salvar o mundo. Mas hoje não estou com vontade.
Mais um café.
Acabei de guardar um dos CDs que estavam aqui jogados ha dias. Era "The Other Side of Round Midnight" do Dexter Gordon - assunto para mais um "Coisas da Vida" que eu conto outro dia, quando o disk-vontade chegar.

Besitos.

terça-feira, setembro 11, 2007

Sobre envelhecer

When I'm 64

Eu não tenho medo de envelhecer.
Na verdade não se pode ter medo do que é inevitável. Nunca entendi por que as pessoas temem a morte, ou o parto, assim como a velhice. Não seria mais óbvio ter medo de atropelamento, assalto, casamento, emprego ruim, ou outras coisas que a gente nasce sem ter idéia de que podem acontecer?
Eu tenho medo de amigo falso. Tenho medo de gente que sente raiva. Tenho medo da inveja alheia. Tenho medo de sentir dor, seja ela física ou não. Tenho medo da natureza humana, da guerra, da perda, da solidão irreversível. Mas não de envelhecer.
Na velhice o que me assusta sou eu mesma. Eu olho os velhos que conheço e acho que quero ser só um pouco como eles. Tenho medo de uma velhice melancólica. Medo de ficar chata demais, de reclamar mais do que devo, de sentir a vida esvaziar sem encontrar um sentido novo para ela.

Até aqui foi fácil. Foi fácil recomeçar mil vezes com energia e uma vida boa. Até aqui as perdas foram pequenas. Eu perdi meus avós - que não eram muito próximos de mim - alguns tios que não vejo faz tempo, um primo, alguns conhecidos. Ainda não chegou o dia de perder meus pais, meus irmãos, meus amigos mais próximos. Esta é a única morte que eu temo: a dos outros. Porque, como eu já disse, tenho medo de dor. E eu não citei a maior de todas as perdas, e nem vou citar porque a simples menção do assunto já me mata de dor. Então eu nego a possibilidade. End of story!

Quando eu era pequena, não conseguia entender porque todo velho tinha que parecer sempre curvado e com olhar triste, distante. Mas hoje, quando olho para eles, entendo. Tudo bem que um pouco de alongamento faria a curvatura dos ombros menos "eloquente", mas com alongamento e tudo, acho que o que esta curva diz é que existe um peso em estar no fim de uma caminhada. Estes ombros que carregaram uma cabeça cheia de pensamentos, desejos, planos e projetos por tanto tempo, hoje sabem que o que não se realizou vai evaporar e virar anjo no céu dos sonhos pendentes. Estes braços que carregaram filhos, flores, pacotes, presentes, mulheres, troféus, hoje sabem que muito do que se amou não pode mais ser alcançado. E talvez o olhar tão triste seja na verdade rico em lembranças, mas lembranças já um pouco distantes, que vêm junto com uma saudade enorme de pessoas que já morreram e épocas que já não existem.
Envelhecer deve ser difícil. Deve ser difícil manter a alegria. Deve ser difícil não ter por quem se apaixonar, ou manter um nível de paixão que seja razoável - que a gente não interrompa ao pensar : "Bobagem...isso não é mais possível!"

Mas olhando à minha volta, não tenho como não ter medo da velhice. Não dela, assim, no aspecto estético. Eu tenho plena consciência de que vou ser uma velha gorducha com aquela cara de "nossa, ela deve ter sido bonita", mas com todas as características de uma pessoa velha: sem colágeno, sem hormônios, sem brilho na pele. Tudo bem. O que eu não quero é a melancolia e a tristeza nos olhos. Não quero achar que sou sozinha. Não quero cobrar a presença das pessoas, fingir que estou doente para ter atenção, lamentar para mim mesma a miséria que é estar no fim. Não achar que tudo acabou quando o número de pratos na minha mesa diminuiu. Quero saber olhar a vida na tela grande e não achar que o fim é horrível, mas ter certeza de que é o final de uma estrada florida.
É assim que eu quero viver os meus últimos anos: sorrindo, contando minhas histórias, sentindo o vento no rosto, lembrando as coisas que fiz e as que quis, enxergando o caminho percorrido como uma bolha cheia de vida e, mais do que tudo, sabendo dividir a minha bolha com o resto do mundo.
E que haja dentro dela algo para deixar para a geração que virá.
Tomara!


Bom dia.

*Foto photoshopada por mim

quinta-feira, setembro 06, 2007

Blank

Eu quero muito escrever mas está difícil. Assim, como mágica, toda a inspiração parece que se esvaiu. Sumiu. Se foi.
Uma página vazia é uma tortura enorme. Ela fica parada por horas e horas na minha frente, me olhando com aquele ar impaciente de quem diz: "e aí? vai rolar?" Ai! Vai. Uma hora vai! Mas parece que todas as letrinha fugiram.
Eu não tenho dormido muito. Enquanto tento convencer meu cérebro a simplesmente desligar, ele grita num moto-contínuo tentando buscar uma idéia, uma coisa pra dizer, uma história, alguma coisa. Eu viro para o lado e aperto os olhos, mas não adianta, meu cérebro é a página em branco que me persegue mesmo quando saio da frente do computador.
Então eu vejo um filme. Durante o filme eu não presto a atenção que devia. Fico caçando frases e pensando por que não fui eu quem escreveu aquilo e o que eu poderia escrever que tivesse o mesmo efeito. Mas nada vem. Nada. Blank! Total!
Então quem sabe se eu entrar no Caixa Preta, sing in, olhar para o espaço do post - mais uma página em branco - e começar a dizer qualquer coisa...quem sabe?
Nada!
Uma história de amor? Coisas da Vida #4? Uma poesia melosa? Um texto antigo?
Nada!

Então amiguinhos...nada a declarar. Fora uma dor nas costas que eu estou rezando para que não seja o meu velho rim esquerdo gritando outra vez depois de exatos 20 anos, tudo está assim...Tudo quieto no reino de Mercedes.

Quem acredita em alguma coisa, reze, acenda uma vela, faça uma simpatia, qualquer coisa para essa página em branco me deixar.

Um beijo amigo no seu umbigo.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Depoimentos Orkutianos

“É que narciso acha feio o que não é espelho”
Então, acordei hoje toda gonza, parecendo uma velha torta e renga, mas com o ego um tanto grande. Então pensei: “Quero falar bem de mim…como faço?” E descobri! Ha! Resolvi fazer uma retrospectiva de depoimentos (testimonials) escritos por mim mesma e pela minha pessoa (sim, somos várias) pra puxar a sardinha para a minha brasinha e fazer todo mundo pensar: Nossa! Como ela é bacana! Hahah! Ai ai…dor nas costas dá um bom humor incrível!

Bom dia. E lá vai:

TOP 17 depoimentos que eu adoro para pessoas ídem!

1. Guto Lima
Boa viagem primo! Boa mundança! Mundança sim...porque tudo isso acontece quando o mundo é o quintal da casa da gente.
É meio de família essa coisa cigana de querer ganhar mais chão, inventar motivos, jogar fora os motivos e ganhar mundo de novo.
Você é uma surpresa deliciosa. Uma daquelas crianças que engrossavam a barulheira do almoço de domingo e virou um homem maravilhoso. Supreendente, brilhante, surpreendente, agradável, surpreendente...eu já disse surpreendente? :)
Vou te contar um segredo: Pessoas como você podem estar em Rimini, Camboriú, Edimburgo, Paris...vão sempre estar felizes e em casa.
Força.
2. Cris Thainy
Quem é esta mulher?
A mais bela visão. O mais surpreendente sorriso. Feita pelas mãos de algum artista caprichoso com suas nuances de branco nesse black&white intrigante.
Além de tanta beleza, é beleza também o que vem de dentro. Amiga fiel, ombro a postos, companhia das melhores. Eu tenho muita saudade dos tempos que ela estava around!

3. Ricardo Gameiro
Este é o meu irmão lindo. Não tem outro que é feio não, só este. Mas é lindo!
Meu grande companheiro de infância, o melhor amigo sempre. Meu cúmplice, parceiro no crime, ombro nas encrencas, chorão como eu, gargalhadas de quase tudo! (Ainda ama rir da minha cara.) Ele diz que eu sou responsável por quem ele é hoje.
Não tenho certeza. Acho que a gente se completou sempre tanto, que um é parte do outro. Eu não sei quem eu seria sem ele, assim como ele não sabe quem seria sem mim. E é esse amor assim.
As vezes muito de longe, e sempre profundamente perto, a vida da gente vai passando, as rugas começando a gritar...e essas duas crianças continuam rindo da vida, fazendo arte e sendo o barulho da casa.
Te amo muito!
4. Natasha Borrelli
Ela tem os olhos mais lindos. A boca mais perfeita. O sorriso mais aberto. O humor mais alegre. A gargalhada mais gostosa.
O som da minha casa, a bailarina do meu quarto, a música na minha vida. Eternamente falando e cantando e contando histórias e fazendo barulho por todos os cantos.
Como seria possível imaginar a minha vida sem uma Natashinha? Essa coisa doce e gritalhona! Minha filha linda, menina dos meus olhos!
Te amo muito, muito, muito, mas muito mais do que você poderia sonhar.

5. Mariana Zanicotti
Minha sobrinha mais amada! Doidinha, é verdade...mas um baita mulherão. Tenho certeza que logo logo vai dar motivos pra muita gente se orgulhar.
A melhor companheira, amo quando está na minha casa. Desde pequena, quando era cheia de cachinhos já era linda e dona de um sorriso enorme.
É a irmã dos meus filhos, a menina dos meus olhos, que às vezes quero matar e geralmente quero por no colo e dizer que amo.
Então...essa é a amada da Titia Querida. A fan de carteirinha, a espectadora da primeira fila!
E eu nem preciso dizer o quanto adoro tudo isso.
Te amo muito.
Titia Querida.

6. Felipe Belão
Belo, belíssimo Felipe Belão... Que nome poderia ser mais perfeito?
Só se fosse "Felipe Belo Poeta".
Belas palavras, belos pensamentos, belas perspectivas, belo sorriso que vem da alma. Tem a ânsia dos poetas boêmios e a fúria dos poetas malditos. Tudo num olhar de menino que já cresceu.
Muito ouvi falar do poeta esse. Agora que o conheço acho que meu mundo mudou. Abriu espaço para mais essa pessoa que não sei o que estava fazendo fora dele.
Um beijo, poeta ciumento...

7.Rodrigo Gameiro
Essa criatura acha que pode fazer isso com a gente! Ele chega na minha casa e vai ficando...vai ficando...daí a gente se acostuma e esbarrar com ele de manhã na cozinha...a escutar a voz dele pela casa, a dar risada com ele e ir no japones com ele. Depois, a gente começa a achar que ele sempre esteve lá e não consegue imaginar a vida sem ele.
Quando tudo está bem desse jeito bom, ele vai embora!
Me deixou morrendo de saudade.
VOOOOOLTAAAAAAAAAA!

8. Rosângela Moura
Forte. Corajosa. Impetuosa. Destemida. Guerreira. Se a Ro tivesse vivido na idade média, seria com certeza a melhor conselheira de um rei, uma guerreira brava e vencedora, a justiça transformada em gente. A história há de reservar um lugar para ela.
Esta mulher é a melhor amiga que alguém pode ter. Leal, fiel e companheira na alegria e na tristeza. Incansável, amável, maravilhosa.
Tive o imenso prazer de conviver com ela por mais de 10 anos. Na maior parte deles ela foi o meu braço direito, meus ombros e às vezes até a minha voz.
Eu teria que escrever por mais ou menos dois dias para dizer tudo o que devo a ela, o quanto sou grata a ela pela amizade e lealdade de sempre, o quanto ela foi e será sempre importante na minha vida.
Ro...a mulher mais corajosa que eu conheço. Merecedora de toda a alegria, felicidade e amor do universo.
Mãe zelosa, esposa persistente, filha exemplar, amiga indescritível.
Essa é a minha Ro.

9. Ricardo Gameiro
Vou contar pra todo mundo que você ficou bonitão porque comia pedrinhas brancas de jardim quando era pequeno! E que você era lindo andando de velocípede (impressão minha ou isso é triciclo de velho?)
E que você sempre foi engraçado, desde pequeno...e que escrevia meu nome na parede pra eu levar bronca. E que era mais novo que eu, mas era um herói porque conseguia fazer um monte de coisas que eu não conseguia: andava no muro, pulava mais longe, era um áz nas manobras com a sua bicicleta tigrão! Herói da vizinhança que caçava ladrão e empregada desaparecida...Grande saltador de valetas e adestrador de cães. Empalhador de passarinhos. Melhor sócio do mundo em criação de girino na bacia...Hahahha!
Ai que infância bem boa que a gente teve!
TE AMO!!

10. PL
O PL é uma fonte inesgotável de cultura!
. Sabe tudo de carrapatos e capivaras!
. Sabe até o nome científico de parasita inútil.
. É uma das pouquíssimas pessoas que não usam cocar a conhecer Fordlandia.
. O único que fica doidão quando come esfirra do Habibs.
. The best "achator" de músicas bacanas na internet.
E ele não conta pra ninguém mas me ama! HA!(Mas isso é porque ele jura que eu sou a Athina Onassis e todo esse amor é puro interesse!)
Mas a mais grave revelação é que o PL é um Pleidiano. Um ET. Ele não é terráqueo!
Ele veio da mesma estrela que eu, por isso não segue as leis da terra.
A gente segue as leis das Pleiades (o que torna a vida muito mais fácil).
É por isso que a gente pode passar o dia falando bobagem no msn que os layouts dele ficam prontos sem ele ter que usar as mãos.
PL rocks! PL rules!
PL é da minha laia!

11. Marilia Lopes
Ela chegou por meios estranhos. Era distante...a amiga do amigo do amigo...blog, orkut, msn e pronto. Quando eu vi estava já tão aconchegada na alegria dela que nem me dei conta de que já tinha uma grande amiga. Saiu do virtual e veio pra vida real como aquelas amigas que só as mães têm. Aquela que te acompanha no hospital e te consola quando você está com TPM irreversível. Também é ela quem ri de tudo e me diverte nas madrugadas, nas frias e nas quentes.
Entrou para a família quando a gente menos esperava, e veio, com a sua alegria maior que o mundo, iluminar tudo por aqui. Sua gargalhada é mais estrondosa que o bigbang, e contagiosa na mesma intensidade. Ela não existe. E eu amo!
Obrigada por existir.

12. Paola Zadra
Uma menininha de grandes olhos, cílios imensos e cabelinho despenteado.
Foi assim que essa figura entrou na minha vida aos cinco aninhos, fazendo manha, fazendo bagunça, trazendo alegria.
O tempo levou a gente pra longe uma da outra, mas ela sempre esteve nas minhas lembranças. Eu sempre me perguntei onde e como ela estaria.
E que surpresa deliciosa foi reencontrar um mulher linda, forte, cheia de vontades (nenhuma novidade nisso), decidida a ter uma bela vida! Eu me orgulho dessa menina como se ela fosse minha.
Fiz um pacto com o tempo para que ele não nos leve mais...Que ele leve a minha menina pra onde ela quiser ir, mas nunca mais a leve de mim.

13. Mariana Heller
She mixes the good and the bad.
She's the calm inside craziness, the lasy river inside a thunderstorm.
Halfway to hell and halfway to heaven.
Or should I say Hell "is" heaven?
Ms. H and in Heart.
Yes, sir...I do love her!

14. Mariana Zanicotti 2
Que difícil achar alguém mais especial que essa porcariazinha!
Ela não é mais aquela gordinha cheia de cachos. Ela agora é um mulherão gigante, com um sorriso que começa nos olhos e nunca mais acaba.
E a presença dela é essa coisa quietinha - eu sei que só para a família - que por dentro tem um turbilhão infinito, no sentido exato da palavra: "que-não-tem-fim".
E desse turbilhão nasce uma bondade enorme, um coração que sofre com o sofrimento alheio, olhos que gostaríam de enteder de mudar a injustiça da natureza; e a boa vontade incrível de quem quer estar ali só para você saber que ela está, mesmo que não possa fazer nada, mesmo que não saiba o que fazer.
Mal sabe ela que o fato de ela "estar ali" já é a maior ajuda que pode existir.
Eu nem preciso dizer o quanto amo essa mulher!

Titia Querida.

15. Patricia Zanicotti
Minha irmã querida!
A mais certinha, a mais alta, a mais magra, a que ri mais!
Esse sorriso aí da foto é quase constante. Sempre simpática, fala mais que o homem da cobra (acho que é de família) mas é muito brava quando a gente pisa no pé dela! Melhor não provocar.
Há algum tempo me mostrou que é um baita mulherão. Forte, decidida, capaz de tocar a vida com garra e coragem, foi buscar na unha o que era dela e deixou todo mundo de boca aberta!
A Pat é a Pat. Sempre a mesma. Sempre assim...Te amo!

15. Diogo Gameiro
Este é o meu filho. Ele diz que é hobbit, mas seria uma aberração um Hobbit desse tamanho. Eu respeito as esquizofrenias alheias e aceito que ele seja o rei dos Hobbits - Fastolf Brambel.
Só para agradá-lo eu sou Elenor Brambel, a rainha mãe.
Faz 23 anos que ele entrou na minha vida. Era gordinho e cheio de dobras, e já me olhava com esses olhos que sempre disseram: "eu sei quem você é. Vem comigo!" E eu fui. Quem não iria?
Sempre minha inspiração e minha força para andar para frente. Minha alegria, minha felicidade, meu orgulho, e tudo o que alguém pode sentir de intenso e maravilhoso. Se sempre foi isso tudo, imagina agora que é um homem...
Não, eu não estou falando de um homem qualquer. Eu estou falando do Diogo! Pessoa maravilhosa, amigo incrível, companheiro de todas as horas, irmão mais velho e neném mimado, o braço forte e o ombro confortável, equilíbrio e força, sorriso e amparo. Sem falar de uma cabeça incrivelmente brilhante.
Eu que fiz. E amo!

16. Natasha Borrelli
Hey! Você é aquele pacotinho todo amassadinho de cabelo bem preto que me entregaram na sala de parto?
Você é aquela menina que cantava "auá! auá! auá!" pela casa inteira, no andador?
Era para você que eu cantava "Twinkle Twinkle Little Star"?
Você que acordava toda noite precisamente a uma da manhã fazendo uma gritaria? E que cabia entre o pescoço e o umbigo da gente?
E que nos assustou com tombos, e nos alegrou com sorrisos, e que "não conhece essa palavrinha", que era amiga da Mimi e da Cocó?

Mas assim, desse tamanhão, toda loira e poderosa, saltitante, animada, mal humorada, deslumbrante?
É...acho que é você mesmo. Porque mesmo com um metro de perna, eu ainda reconheço o seu olhar quando pede socorro.
E eu sei que é você quando te vejo dormindo com os braços pra cima. E eu sei que é você quando meu coração
me diz: olha o seu nenem...já é uma mulher.
Faz 14 anos que a minha vida mudou de rumo e o seu caminho se tornou parte do meu.
Eu tenho um grande orgulho de ser sua mãe.

Te amo!


domingo, agosto 26, 2007

Coisas sem nenhuma importância

. Coloquei bikini e fui para o sol. Vou comprar um escafandro para o verão.

. Vi quatro seriados, um episódio de cada, todos pela metade, em uma única tarde e ainda peguei dois filmes no final. Chorei em três.

. Baixei uma entrevista do Stephen King, uma do Alan Ball e não tive paciência para escutar nenhuma das duas.

. Perdi a vontade de reler um dos meus melhores textos.

. Comi uma tigela inteira de salada no almoço enquanto conversava com a minha filha.

. Eu não sei tabuada.

. Falei com a minha mãe no telefone por 33 minutos e 25 segundos.

. Comecei de novo aquele texto sobre a alma que eu nunca consegui terminar. Faz-me pensar que a alma nunca foi mesmo explicada direito.

. Meus gatos amam blablabla wiskas sachê.

. Fiz depilação sozinha e, além de não me queimar, economizei uns pilas.

. Estou louca para ler “Deus, uma ilusão” e descobrir que alguém brilhante pensa como eu.

. Eu tenho medo de altura.

. Peguei o jornal no café da manhã e li um artigo só. Não tive paciência para saber o que aconteceu nas últimas 24 horas.

. Eu detesto quando alguém cita frases minhas para me impressionar. É como chegar em outro país e ser recebida com comida brasileira.

. Minha amiga beijou o Jack Bauer. Inveja é uma merda.

. Eu não sei costurar.

. Adoro viver no tempo em que vivemos. Meu filho está longe há meses e eu falo com ele de graça vendo seu rosto a centímetros de mim. Se fosse em outros tempos eu sofreria de saudade.

. Ainda sobre o nosso tempo, não sei como a gente sobrevivia sem celular e internet.

. Eu nunca li Proust, Nitzche, Marx, Hegel ou qualquer filósofo de qualquer tempo.

. Eu faço piada com coisas impensáveis.

. Já li a bíblia milhões de vezes. Cada vez que leio sinto-me mais desamparada.

. A maioria das coisas que escuto, eu já sabia antes de começarem a falar.

. As pessoas supervalorizam o que eu escrevo. Eu queria escrever coisas menos perigosas.

. Desbloquearam o i.phone. Eu quero um.

. Já me arrependi de vários textos. Muitos textos. Mas não deleto nenhum porque odeio dar o braço a torcer para mim mesma.

. Eu tenho preguiça de sair de casa.

. Eu insisto em ter notícias de pessoas que fazem parte de um passado que eu nem gosto, e sempre que a notícia chega eu fico triste por saber que nada mudou.

. O tédio tem tomado conta de grande parte dos meus dias.

. Eu reli um roteiro que escrevi em 1997 e, incrível, gostei.

. Eu tenho saudade da California.

. Fico aflita quando acontece o que eu sabia que ia acontecer.

. Eu conheço pessoas que um dia falam comigo e eu não consigo entender por que cargas d’água eu comecei a falar com elas.

. Eu não tenho a menor paciência pra histórias compridas.

. Os meus amigos que saíram do armário, e demoraram muito para me contar, não imaginam que eu sempre soube que eles eram gays.

. De todas as pessoas que eu gosto, só umas cinco ou seis são pessoas realmente normais ou medianas.

. Eu queria que mais coisas me surpreendessem.

quinta-feira, agosto 23, 2007

USER’S MANUAL - a surviving guide for foreigners.

How to deal with a Brazilian woman:


1. Calm down! She’s intense but she won’t bite.

Even though she’ll miss you more than you are used to, and say that she loves you, and try to treat you like you could never expect, and really care for you, she won’t force you to marry her and/or she'll never ever keep one eye at your bank account.

2. Relax!

She needs to be treated with no rules or fences. Even though she’ll maybe leave you some day, she wants to feel that you care for her. So don’t be afraid to show affection. She feels really nice when you walk holding hands, when you call her in the day after, when you answer e-mails, when you call her dear, sweetheart, baby, love...etc. She knows it all means that you've been thinking of her, not that she’s allowed to move in to your house.

She can – and will – show up with no warning. Brazilian girls like to simply go there and take a look at you. Just because. Just to say hi. But she is not STALKING you. She is really really just saying hi. No restraining order needed.

3. Intimacy

A Brazilian girl can invite you to her house, and this is no big deal for her. She can even introduce you to her family, or meet yours, and she won’t be thinking that this is a commitment of some kind. She’ll be happy to meet your family, and even feel she’s part of it for a couple of hours. But commitment is a whole other thing.

Hold her, kiss her, walk holding hands. Don’t be scared if she calls you just to say where she is or what she’s doing. This is the way we are. We love to be kind and gentle and show how we think of you, but we are never thinking you should buy us a diamond ring. Oh...and if you do, don't get on your knees to propose - we find this weird.

A Brazilian girl would cook for you, do your laundry, and clean your house, because she’s taking care of her man’s house. She knows she does not need to do that and you would never ask, but it’s stronger than reason.
Even if you don’t think you are HER MAN, even if you told her so, she’ll still look at you as you were, simply because YOU ARE, FOR NOW. Maybe not tomorrow.
She will do it all with a lovely smile on her face, and when it’s all ready; she will wake you up with breakfest in bed. Don’t run! She’s not getting married or moving in. She’s just enjoying the day with you. Again…she won’t stalk you.

If or when everything goes wrong and this relationship ends, she will have you as a best friend, forever. Not all of her moves will be to have you back. Probably just to show you how special you've been.

4. Gifts and letters

Oh my god, can you please calm down?
You don’t need to delete her from your life only because she bought you a gift. She is not “buying” you nor proposing anything. She’s just giving you a gift. The same if she sends your mother a gift. Same with love letters, missing you letters, thinking of you letters, telling you the truth letters. Just read it and answer with a lovely line, will you?

5. Sex

Well, buddy, now you are really adrift on troubled waters with no compass, to say litte.
. This girl did not think about sex during high school. Gosh, she lives in a catholic country!
. This girl had sex for the first time with a serious boyfriend, not just a date or a cute boy.
. This girl calls a couple living together “husband and wife”.
. This girl learned at home that she should stand for her man, love him and respect him like nobody else. And she sees ANY boyfriend as her man.

So you might be thinking that she is a huge problem, but you are wrong.
The fact is: she does not know the meaning of casual sex. She will get involved!
She won’t have sex with you if she does not fall for you. And if she does, you will have an entire woman in your bed.
In her Brazilian mind, sex is a very special moment she will never forget – even if you do it just once and never see each other again. When you have sex with a Brazilian woman, you can be sure that she has serious feelings for you. Even if she does not intend to marry you tomorrow morning.
And again: she does not know the meaning of STALKING. If she tries to reach you, it’s just a normal act!

6. Serious guidelines

Don’t be distant.
Don’t look weird at her when she’s being intense.
Don’t keep trying to tell her that she does not fit in your life.
Don’t show her that she scares you to death.
Don’t make her think that she is in the bottom three things of your 20 priorities’ list, even if she is!
Don’t be a cold bastard. She’s Latin and you should know what that means.


* To Laice and some other girl friends in troubles.

terça-feira, agosto 21, 2007

Mercedices

* ou como diz o solda: "todo dia é dia de poeta"


queria voltar à janela do velho sobrado.
mudar quase nada,
que talvez tudo.


ººººººº

mar?
diz que sonhos navegam
quando as águas são turvas.

diz que quando seus lábios desejam,
são minhas as curvas.


ººººººº



queria te mostrar
me desmontar
te soletrar
e desfrutar
letra por letra

queria não fugir
testar tuas amarras
usar os teus grilhões
me fazer de louca

beber o teu suor
banhar o meu desejo
e como palavra
morrer na tua boca


ººººººº


segunda-feira, agosto 20, 2007

Coisas da Vida #3

A Noite das Conversas Infinitas

Nossa...há quanto tempo ela não ia àquelas festas?
Eram eventos profissionais tão chatos, mas ela conseguia fezer deles sempre um prazer. Ela sempre navegou entre a vida pessoal e a profissional com tranquilidade, misturando as duas, por isso, qualquer festa chata era uma desculpa para reencontrar amigos e dar risada.

Naquela noite, ela estava um pouco triste. A pessoa que ela queria encontrar já havia avisado que estaria acompanhado, o que a irritou profundamente. Por isso, quase deixou de ir à festa, quase cobriu a cabeça com um cobertor e deixou que Morfeu a guiasse até algum lugar melhor. Que nada! Não era assim tão fácil derrubar essa mulher. Ao contrário, tomou um banho de pétalas de rosas, se perfumou e foi encontrar os amigos e ostentar maldosamente sua beleza em frente ao “bofe acompanhado”. Muito bem.

Atrasada como sempre, fez com que muitos olhos do salão se voltassem em sua direção quando o primeiro amigo a viu. Lógico, era sempre um escândalo! Ela é sempre festejada. Assim, atravessou os 30 metros de salão – da porta ao fundo – sendo abraçada e parando a cada passo para falar com alguém. Até o fundo. Até ele.

Ele. Vamos falar dele: Ele era só uma presença constante em salas de reunião. Nunca houve uma conversa mais pessoal, um assunto mais íntimo, nada. Logicamente ela estava muito longe de estar morta ou cega, então já havia notado o quanto ele era interessante. Mas de qualquer forma, era distante a hipótese, e até mesmo a vontade de chegar mais perto.
Estranho…As vezes parece que alguém sempre esteve lá, mas você meio se negava a ver. Um dia, como se o universo decidisse que basta desta sua cegueira estúpida, sinais divinos de neon escandalosos piscantes apontam para a pessoa dizendo: “olha pra cá, sua monga!”
Que saída? Ela teve que olhar.

Parou e deu um "oi" de quem não vê alguém há muito tempo (claro…nunca olhou direito mesmo) e ali ficou. Foram muitas horas. Incontáveis horas de conversas infindáveis, temperadas por alguns olhares vindos do grande público, que os dois não repararam.
Como o som da festa estava alto, os dois falavam perto do ouvido um do outro. Muito perto. Cada frase parecia mais com um beijo no pesoço do que com uma conversa comum. Mas não era uma conversa com alguma intenção assim... Era uma coisa mais sem querer, que aproximava. Que misturava os perfumes, que permitia que o hálito de um se misturasse à bebida do outro.
Poderia ser algo a mais. Poderia, se ele não fosse tão sério e ela tão preocupada, ou se ela não fosse tão séria e ele tão desligado. Poderia ter continuidade se fosse mais cedo, se fosse em outro lugar, se fossem duas outras pessoas. Para eles não foi nada. Nada além da descoberta de uma pessoa boa para conversar. Mas para os outros, foi muito.
Durante muito tempo ela ouviu falar daquela festa. O “bofe acompanhado” nunca conseguiu engolir o fato dela passar tanto tempo ao lado dele, respirando seu hálito, encostada em seu rosto e - segundo o próprio bofe – fazendo a platéia esperar pelo beijo. As mocinhas de plantão passaram a odiá-la escancaradamente. E foram muitos os telefonemas de amigos perguntando o que tinha acontecido ali e se “deu frutos”.
Deu...deu frutos. Já faz anos que eles são amigos. Este tipo de frutos. Há anos ela deixa escapar nas conversas algumas confidências, e ainda sente que ele invade seu “campo de força” às vezes, derrubando barreiras inimagináveis. Há anos ela finge que não sabe que ele vai invadir de novo o "campo de força" e que não percebe que só ela faz confidências e ele mantem a armadura. E, querendo ou não, toda vez que alguém pergunta quem ela acha interessante, o nome dele é um dos primeiros a querer escapar de sua boca.
Sem o perfume, a bebida e o hálito, os dois se provocam às vezes. De longe... à distância segura. Nunca mais chegaram tão perto. Nunca mais ouviram a voz um do outro próxima a boca ou ouvido. Mas ainda assim, de tempos em tempos, ele invade seu território com perguntas ainda menos discretas do que aquela conversa de rosto colado.
E assim foi... sem mais. Sem nada. Nada demais. Muitos anos passaram. Muito mais anos do que a gente costuma contar. E em todos eles ele esteve presente de uma forma ou de outra.

Não foi uma paixão, não foi uma história emocionante. Não foi algo memorável. Só uma "regular story" que ela conta tranquila.

Mas, mesmo sendo assim tão nada, ela nega, mas lembra perfeitamente do perfume misturado à sua bebida.

* o nariz dele não era tão grande.

terça-feira, agosto 14, 2007

O que os olhos vêem

love corner

o preço da vida

duas belas

domingo, agosto 12, 2007

Coisas da Vida # 2

Tristeza - dia de certos pais.


Era o dia mais feliz e complicado de toda sua existência.
Aquilo que ela se recusara a sonhar por tanto tempo, estava acontecendo e, surpreendentemente, ela estava feliz.

Foram muitas as vezes em que ele disse que seu sonho era ter um filho. Ela escutava o sonho dele em silêncio. Não queria contrariá-lo mas, secretamente, ela sabia que seria impossível fazer isso por ele. Seu amor era errado, seu romance proibido, e tudo o que ela mais queria era poder gritar para mundo que havia encontrado o homem da sua vida.

Há muito tempo não se sentia tão plena, tão feliz.
Como todo homem, ele dizia que seu casamento estava no fim. Falta-lhe apenas um pouco de coragem para se separar. Como toda mulher, ela via verdade nos olhos dele - ou era seu coração que queria ver assim. Ela estava sempre de malas prontas para partir para onde ele quisesse. Desde que fosse com ele, qualquer lugar do mundo seria perfeito.

O dia estava bonito, e ela mal podia esperar pela hora de contar a ele que seu sonho seria real, que ela era parte dele, que agora, era só levantar do chão as malas e partir para uma vida nova, perfeita, cheia de amor. Quanto amor! Quanto amor! Ela era cega de amor.

Na varanda, ela sorria sem conseguir esconder entre os lábios as palavras que queriam sair. Ela o fez sentar, pegou suas mãos, olhou ternamente em seus olhos esperando o abraço emocionado assim que terminasse de pronunciar a palavra G-R-Á-V-I-D-A.
Ao ouvir a última letra, tudo o que ele pode fazer foi fechar os olhos. Ela entendia que ele precisava de um tempo para digerir a informação, que teria que processar as palavras antes de reagir. E esperou. Mas quando ele abriu os grandes olhos negros, ela viu lágrimas. E veio o abraço. Um abraço doído, sofrido, pesado. E entre soluços ela pode ouvir o que não queria:

- Não é possível! Não agora...

Decepção.
Sua garganta travou engasgada com todo o amor que tinha para dar. A felicidade teve um gosto ácido, amargo, que ardia enquanto percorria o caminho até o estômago. O coração ficou apertado, pequeno como se fosse quebrar, como se virasse pó.
Ela que queria tanto. Ela o queria tanto. Ela sentia tanto que dentro de si tivesse uma parte dele que estava sendo esquartejada pela lágrima que caia dos olhos negros e escorria pela face, acabando nos lábios dela... e ela engolia para que não mais existisse.
Como se a vida e deus e todos fossem impiedosos e não permitissem que sua dor fosse legítima, ela entendeu a dor dele e esqueceu a sua. Ela o consolou, dizendo que tudo ficaria bem...que ela o entendia. Que ela o entendia. Ela o entendia.

Os dias passaram e a notícia se confirmou: a outra mulher estava esperando um filho.
As duas. Um homem, um sonho, duas mulheres.
Das duas, apenas uma poderia dar a ele um filho. A outra tinha todo o amor e a paciência do universo para dar. Uma exigia atenção constante e tinha direito aos planos e projetos conjuntos. A outra, tinha todo o tempo do mundo para fazer dele um grande homem, toda a garra do mundo para se dar a ele sem restrições e transformá-lo no mais feliz dos mortais. Uma negava seu nome, mas carregava na mão esquerda uma aliança. A outra não tinha nada, mas encheria o peito de orgulho se pudesse carregar seu nome, seu filho e sua vida nas costas.
Mas não podia.

Com o peito rasgado de tristeza, ela ficou sozinha. Não completamente, posto que ele se dizia a seu lado, em silêncio. Ele não conhecia palavras. Ele não conhecia atos. Ele não conhecia nada!

Ela podia ter seu filho quieta. Ninguém precisava saber sobre ele se ela se afastasse um tempo. Mas era impossível não pensar no que seria a vida depois: aniversários, natais, dias dos pais...seria impossível, num futuro próximo, não odiar o homem que só teve tempo e olhos para um de seus filhos e deixou o outro esperando ansioso, sendo magoado a cada febre ou a cada vitória na escola... Não, ela não decidiria por algo que matasse seu amor por ele. Chegou a pensar mesmo, que por mais que se machucasse, seu amor seria maior do que qualquer dor. Ela superaria tudo por amor a ele. Pensou...só ela pensou. Ele não. Ele nunca pensou que um dia ela o deixaria. Ao contrário, pensou que poderia matá-la mil vezes, machucá-la, traí-la, decepcioná-la quantas vezes quisesse, porque o amor dela seria sempre maior do que toda mágoa. Ela seria forte por amor a ele.

Uma história feia, de dor. Uma história de amor e abandono.

Enquanto ela deitava sozinha na maca de um clínica clandestina, vendo a luz se apagar e ouvindo a voz do médico se afastando até que a droga a levasse para longe, ele escutava pela primeira vez, no ventre da mulher, o coração de seu filho.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Coisas da Vida #1



Gelo

Era um dia quente de Julho talvez...não, Julho não tem dias quentes. Talvez fosse então um dia qualquer de um calor intenso trazido pela presença incômoda daquela figura.

Os dois viajaram a trabalho. Quer dizer...ela viajou a trabalho. Sempre fez isso sozinha, sem precisar de ninguém, até o dia que o mercado começou a mudar e criadores passaram a fazer mais do que criar. Para o conceito da época, pura gastação de dinheiro. Para os conceitos de hoje, normal.

E lá se foi para outras bandas, fazer o que mais gostava.
Só que aquele dia seria diferente.
A presença dele era incômoda. Talvez pelo excesso de azul que vinha de seus olhos (ou seria verde?). Talvez pelo sorriso farto sempre meio irônico, sempre deixando um vão entre a verdade e o sarcasmo.
Ali, sentada em frente a ele na mesa grande, cercada de muitos olhos, ela não era ela mesma: não sabia usar as palavras, não sabia a que horas falar. Tudo porque em meio aos olhos muitos havia aquele, azul. Ou verde.
Era estranha a sensação de tê-lo medindo seus gestos. Talvez nem fosse assim, mas era como ela sentia. Tinha uma admiração enorme por ele, por ser tão jovem num cargo tão importante, por ser tão bonito e ainda tão brilhante, por ser tão ele quando uma geração inteira parecia perdida. Mas tinha medo. Não tinha certeza de que sua inteligência se equiparasse à dele. Sentia-se pequena em sua presença. Um pouco sem cultura, um pouco sem história, um pouco vazia demais para tanto “ele”.
Talvez nem fosse assim, mas ele não era o primeiro dos homens que a fez pensar: “Perfeito pra mim”. E não foi também o primeiro de quem se afastou: “Muito pra mim.” Não se sabe de onde vinha essa pseudo-inferioridade que só surgia quando alguém realmente era perfeito. Meio como um feitiço, uma praga de madrinha, uma bela adormecida que fura de propósito o dedo na roca...e depois adormece cem anos só por achar: “Demais pra mim”.

O dia chegou ao fim e alguém teve aquela idéia esquisita sair para jantar.
“Não! Não! Jantar pra que? Não dessa vez!”
Lá foram eles para o restaurante japonês, misturar olhos verde/azuis a pratos exóticos e bebidas fortes. Como num filme confuso, o saquê fazia a presença dele ainda maior e mais incômoda. Os cheiros, a fumaça e o barulho alegre dos tamancos das garçonetes confundiam-se à voz dele, formando a poção inebriante que a tirava do chão.
Já no elevador do hotel, os olhos dela evitavam os dele. As respostas eram curtas e todas levavam a um “não” antecipado para qualquer pergunta que pudesse aproximá-los. Era muito azul, ou muito verde, numa proximidade muito grande. O medo era maior do que o vermelho que corava seu rosto. Medo de ser menor. Medo de não bastar. Medo de mostrar que não passava de uma menina, de uma adolescente atrás daqueles olhos que se faziam de fortes.

- Boa noite.
- Boa noite.

Cada um para sua porta. Cada um para o seu mundo. Longe dos olhos, longe do perigo. Separados por uma parede.

Aqui de fora, fica fácil ver o que se passou depois.
Duas portas, uma parede no meio, de um lado, ela andava para lá e para cá, morrendo de pensar no que se passava do lado de lá. Do lado de lá, quem sabe?

Ela respirou fundo e abriu a janela para se deparar com a vista desinteressante da selva de pedra que congela as pessoas. Olhou-se no espelho grande do quarto e teve vergonha de suas bochechas pintadas de saquê e constrangimento.
Quando tudo parecia tranqüilo, o telefone tocou.

Susto. O que pode ser? Quem pode ser? Atende ou não atende? Entra correndo embaixo das cobertas e finge que dorme? Como assim? É só o telefone.

- Alô.
- Oi...tá dormindo?
- Não…quer dizer...to indo.
- Eu to sem sono.
- Ah.
- É...
- hmm...
- Tem gelo?
- Gelo?
- É, gelo. Meu frigobar não tem. Eu to sem sono, vou tomar um whisky. Quer whisky?
- Não...eu já bebi demais. Vou acordar cedo.
- E o gelo?
- Que gelo? Ah. Gelo. Pera.
Ela largou o telefone e cobriu o rosto com as mãos. Sussurrando, praticamente cuspiu os pensamentos.
- Ai meu deeeeeus! Gelo? Ele quer gelo? Que papo mais magro…gelo!
Foi até o frigobar, abriu o congelador. Gelo!
- Ai! Tem. Tem. Tem gelo. E agora?
Ela andava de um lado para o outro com a forma de gelo na mão. "E agora, e agora?"
Nós aqui fora torcendo para ela voltar para o telefone e dizer com a voz mais lânguida para ele vir buscar.. Mas a doida simplesmente correu para a pia do banheiro, abriu a torneira quente e deixou que o gelo derretesse ralo abaixo.
- Oi...não tem.
- Não tem???
- Não. A forma de gelo está lá, mas vazia.
- Mas que merda de hotel é esse?
- Ah...não é culpa minha.
- Ok...vai dormir mesmo?
- Vou sim.
- Tá. Bons sonhos.
- Pra você também.
- Tchau.

Ela desligou o telefone e cobriu o rosto outra vez com raiva de si mesma.
Talvez ele só quisesse gelo, quem sabe?
Talvez...

Uma olhada nos cubos de gelo que aos poucos derretiam na pia do banheiro, foi a última coisa que ela fez antes de enfiar a cara no travesseiro pedindo a deus que um terremoto de nove pontos na escala Richter despencasse o hotel inteiro em sua cabeça.
Sim...ela merecia uma morte lenta. Ou como disse Maria Amélia para Lívia uma certa vez, "sonhar com anjos gordinhos, porque ela não merecia mesmo sonhar coisa melhor!"

quarta-feira, agosto 08, 2007

COZORMÔNIO!

Argh! Posso gritar?
Eu estou insuportável. Nem eu me aguento.
Se me olhar no espelho bato em mim mesma.
Às sete horas da noite desisti de mim, desliguei tudo e coloquei pijama.
Tipo greve. Fechei a baiúca!
Não recomendo conversa de nenhum gênero comigo hoje.
Como diz a Rafa Pedro: "To cos hormônio!"
Fiz supermercado. Odeio acima de quase todas as coisas menos pendurar e passar roupa e enxugar talher.
Detesto ir no mercado comprar sabão em pó, água sanitária, veja, caldo de carne.
Supermercado é bom pra comprar bobagem, ou ingredientes pra um prato especial.
Absorvente? Cebola? Farinha de rosca? Blegh! Odeio! Escolher o shampoo da empregada? Odeio! E pagar por isso ainda? Devia ser proibido. A gente só devia pagar pelo que dura mais do que um dia. Vai comer? Então é grátis. Vai usar e jogar fora? Então é grátis.
Encher o carrinho de coisas que vão ter virado cocô num prazo máximo de sete dias e pagar um monte por isso, pra mim, é como jogar o dinheiro direto na privada.
Credo...como eu posso pensar assim? Mas penso. Sorry.

Quando cheguei, fui guardar as coisas na dispensa, só porque eu sou legal, e toda a minha legalzice acabou. Sim, porque achei absurdos. E pouca coisa me deixa mais irritada do que pagar alguém pra limpar uma coisa que continua suja! Mas ok...sem papo de perua.

Papo de perua. Sim, bom lembrar. Recebi um e-mail de uma amiga que nem é perua, mas o texto era: um convite pra um jantar beneficiente num super restaurante, para ajudar uma ONG que cuida de animais de rua.
Aff! Fiquei cos nervo! Como assim? Que tipo de animal de rua? Daquele que cheira cola no centro da cidade pra matar a fome? Se for esse eu to dentro. Ah...é cachorrinho? Desculpa...tem muita gente com fome e com frio na rua pra eu pensar no cachorrinho.

Será que acabou? Não, não acabou. Recebi um convite para entrar na comunidade "ODEIO MUÇULMANO". Meu senhor! Só pode ser sacanagem comigo hoje. Como assim alguém abriu essa comunidade e um outro imbecil ainda manda convite pra toda a lista de amigos? Fiquei doida de uma vez e mandei um e-mail bomba pro cara.
Mais tarde, tive que fritar bife depois do banho. Toda cheirosa... Ahhhhhhh que delícia! Agora sim meu dia está completo...hormônios enlouquecidos!

Então é isso. Nada pra contar. Nada pra falar. Só um mal humor do cão consumindo meu cérebrozinho prejudicado. Se eu fosse abatida para comer hoje, minha carne faria mal a alguém de tão intoxicada que deve estar. Juro que vou dormir. Juro que vou sonhar coisa boa. Juro que amanhã vou estar bem mais simpática!

Juro!

terça-feira, agosto 07, 2007

Sede de poder - A natureza


O mundo parece virado de pernas para o ar - é o que escutamos a toda hora.
Antigamente não era assim, as pessoas foram perdendo a dignidade, o censo de humanidade, a crueldade e a violência assolaram o nosso tempo. Onde foram parar os valores e os princípios? E assim por diante...
Mas eu fiquei pensando, e não é preciso muito para que isso aconteça, já que eu passo grande parte do tempo sozinha e olhando para o universo para tentar entender quem, afinal de contas, é esse tal HOMEM. Depois dessa viagem pelos lugares onde a história do poder está escancarada na arte, na arquitetura e na história da civilização em si, fiquei mais desiludida do que nunca.
Então vamos começar pelas minhas angústias mais antigas: A Igreja.
Deus, ó Deus...aquele senhor de barba e vestes brancas, com o dedo encostado no dedo de Adão, criando o que se chamaria mundo - pintado tão lindamente por Michelangelo, e por tantos outros por todos os lados da Europa...O que aconteceu com Deus? Que história mais mal contada essa da Igreja Católica...Me explica, por favor, alguém me explica!
Roma inteira mostra os vestígios de Constantino. O imperador que, vendo que não tinha como eliminar os cristão, resolveu oficializar a religião para seu próprio bem. Constantino juntou as suas crenças no Deus Sol à semi-doutrina cristã existente, mudando datas e fatos, juntando tradições e rituais das duas religiões, e ganhando mais uma grande fatia de "gente" que é igual a território, leal a ele; e criou a Igreja Católica Apostólica Romana.
Se você olhar bem, durante os primeiros séculos da Igreja Romana, o sol está tão presente quanto Deus e Cristo na arte sacra. Então...será que Constantino se converteu? Ou será que o poder lhe brilhou os olhinhos? hum....

Em Paris descobri santos que foram canonizados por razões políticas, tipo um irmão de Napoleão Bonaparte. Hey, Jesus, você tá sabendo disso?
E São Luiz IX? O rei que virou santo por fazer juramento de cruzado e prometer combater os "infiéis e heréticos", impregnado pela concepção cristã de guerra definida por Santo Agostinho? E Santo Agostinho? Aff, sobre esse melhor não falar. Sua filosofia sobre o bem e o mal rendeu séculos e séculos de absurdos.
Que tal Fernando III de Leão e Castela? Esse é o meu preferido. Se um dia você quiser ficar realmente indignado com a "Santa Igreja" leia a biografia dessa besta! São Fernando - é como ele é conhecido hoje em dia. SÃO FERNANDO, as in HOMEM SANTO.
Vou dar só uma palhinha:
Fernando III de Leão e Castela foi canonizado em 1671 pela sua devoção a Cristo. Ele criou o Santo Tribunal do Ofício, com apoio de outro santo homem, o Papa Sixto IV. Se você não entendeu o que isso tem a ver, o Santo Tribunal do Ofício nada mais foi do que a Inquisição.
Se mesmo assim a sua ficha ainda não caiu, aqui vai:

David Landes, relata-nos: "A perseguição levou a uma interminável caça às bruxas, completa com denunciantes pagos, vizinhos bisbilhoteiros e uma racista "limpieza de sangre". Judeus conversos eram apanhados por intrigas e vestígios de prática mosaica: recusa de porco, toalhas lavadas à sexta-feira, uma prece escutada à soslaia, frequência irregular à igreja, uma palavra mal ponderada. A higiene em si era uma causa de suspeita e tomar banho era visto como uma prova de apostasia para marranos e muçulmanos. A frase "o acusado era conhecido por tomar banho" é uma frase comum nos registos da Inquisição. Sujidade herdada: as pessoas limpas não têm de se lavar."

Pera! Vou repetir: "Sujidade herdada: as pessoas limpas não têm de se lavar."

O objetivo formal da Inquisição era a erradicação da heresia, o que, para Torquemada - Grande Inquisidor nomeado pelo Papa e pelo Rei Fernando III - era sinônimo de eliminação dos marranos. Para estimular as delações, a Inquisição chegou a publicar um conjunto de orientações que ensinava aos católicos como vigiar seus vizinhos e reconhecer possíveis traços de judaísmo. Eis alguns dos sintomas reveladores:
- Se você observar que seus vizinhos estão vestindo roupas limpas e coloridas no sábado, eles são judeus.
- Se eles limpam suas casas na sexta-feira e acendem velas bem mais cedo do que o normal naquela noite, eles são judeus.
- Se eles comem pão ázimo e iniciam sua refeição com aipo e alface durante a Semana Santa, eles são judeus.
- Se eles recitam suas preces diante de um muro, inclinando-se para frente e para trás, eles são judeus.

A pena mais leve imposta aos marranos era o confisco de seus bens, técnica que se mostrou muito eficiente como forma de arrecadar recursos para a guerra contra os mouros. Os reis católicos, Isabel e Fernando, precisavam de receitas, e a perseguição movida aos hereges por Torquemada era uma fonte de renda que interessava sobremaneira ao Estado. Isabel e Fernando auto-intitulavam-se "protetores da Igreja" e defensores da fé, antecipando práticas que seriam depois amplamente utilizadas pelos regimes totalitários do século XX.
Os judeus que sofriam apenas o confisco podiam dar-se por satisfeitos. O mais comum era serem obrigados a desfilar pelas ruas vestidos apenas com um sambenito - traje humilhante, que definia sua condição de hereges - e flagelados na porta da igreja. A etapa seguinte era a morte na fogueira, durante os chamados autos-de-fé, após inomináveis torturas.

Espera! Vou ter que repetir mis uma vez: a morte de judeus na fogueira era chamada de AUTOS DE FÉ!!!

Pois é...santos!

Vale lembrar que até hoje temos medo de bruxas e feiticeiros, confundimos antigos rituais com ritos satânicos, julgamos que tudo o que não é cristão é do mal. Ou quase tudo! O fato é que a Inquisição acabou, mas ainda olhamos feio para quem tem crenças diferentes das nossas. Há 50 e poucos anos, Hitler não fez muito diferente. Hoje mesmo, enquanto você lê este texto, muitos muçulmanos estão presos em Guantanamo ou outros lugares que nem sabemos, acusados de terrorismo...ou há algo de herége neles? Ah...sim...eles não gostam do imperador!

Fora isso, Roma em si é assustadora. Linda e assustadora. Por lá você encontra um arco do triunfo em cada esquina, mostrando a megalomania dos imperadores. E, é claro, o Coliseo...lugar que escancara a natureza humana de todas as formas. Usado para divertir o povo e o imperador com lutas entre gladiadores e feras selvagens, ou feras e cristãos, ou gladiadores e cristãos, ou qualquer um que incomode, contra alguém ou algo mais forte. Lógico, com a grande e nobre desculpa de dar "pão e circo" para o povo, a gente aproveita para fazer uma faxina. Alguma semelhança com CPI's sem fim?

Fora isso, a grande maioria dos imperadores romanos foi assassinada, seja por seus próprios soldados, sua própria família ou por um outro homem que requisitava ou usurpava o trono; pouquíssimos deles morreram de causa natural. Ou seja: havia sempre alguém querendo o poder, e indo buscar da maneira que bem entendesse.

Well...sábado eu assisti a um documentário sobre a Rainha Faraó - Hatchepsut. Filha de Tutmés I, ela foi criada para assumir o trono. Casou-se com seu meio irmão - Tutmés II após a morte do pai, e reinou ao lado dele. Quando Tutmés II morreu, seu enteado Tutmés III era ainda uma criança. Assim, na qualidade de grande esposa real , Hatchepsut assumiu o trono como regente, ao lado de Tutmés III. Mas, ela tinha uma filha que pela ordem de suscessão deveria assumir o trono após a sua morte, se Tutmés III não tivesse um filho. É...deveria...
Hatchespsut foi uma rainha competente e amada. Chegou a vestir-se como homem para poder reinar poderosa, assumindo a dignidade de Faraó. Um belo dia, ela teve uma dor de dente. Seu sofrimento foi terrível, um médico extraiu o molar que tanto a incomodava, mas deixou um pedaço da raiz. Pois bem...quem diria? Hatchepsut morreu de infecção generalizada causada por uma higiene bucal meia boca. Coitada, que dor!
Tutmés III torna-se faraó então. Criado por Hatchepsut, ele apagou as inscrições conhecidas onde o nome dela existia e retirou seu sarcófago do vale dos reis. E para que? Para que, na sua morte, seu próprio filho - Amenhotep II (Amenófis II) pudesse herdar o trono do Egito tranquilamente, sem que o povo lembrasse a existência de uma filha de Hatchepsut.

Mais?
Jesus Cristo morreu porque entrou em Jerusalém para requisitar o trono de Israel, que era seu por direito, linhagem de sangue e sucessão natural. Como assim? Havia um imperador que já reinava em Israel antes dele nascer que jamais toleraria tal heresia!

E por aí vamos, amiguinhos. Desde que o primeiro humano fez fogo e alguém viu, a inveja e a sede por poder reina na Terra. Muito me surpreende que alguém ache anormal a corrupção e a mentirama que rege nosso país hoje. Muito me surpreende que alguém fique de queixo caído ao ver o empurra empurra de culpas, CPI's e caça às bruxas que estamos vivendo.

Já fomos fiscais do Sarney...já tivemos medo do comunismo...já lutamos contra a ditadura que pregava o fim do comunismo que na verdade era bancada por outros imperadores de reinos distantes...já fomos caras-pintadas...já protestamos contra e a favor de quase tudo o que vivemos nos últimos 30 anos. Sem critério, sem noção! Os mesmo que achavam que o Collor salvaria o país pediram seu empeachment, os mesmos que gritaram LULA-LÁ, colocam nariz de palhaço. E eu, que jurava que o nariz era natural, nem vou dizer tudo o que penso, porque hoje sou uma das pessoas mais sem esperança na raça humana que jamais nasceu.

Só quero que TODOS tenham cuidado. Muito cuidado. Cuidado com a empolgação. Analizem os fatos. Eu disse FATOS. Nós sempre fomos fantochinhos nas mãos de alguém. Olha a inquisição! Olha a história da civilização! Há sempre muito circo para distrair o povo!

Estou assustada. Não acho que algo tenha mudado no comportamento humano. Não acho que o descaso sobre Congonhas seja diferente do descaso perante os famintos da África ou do sertão Nordestino. Acho que uns continuam agindo segundo seus próprios interesses enquanto outros continuam acreditando nas inscrições apagadas por Tutmés III.
Acho que ainda queimamos nossos heréges em praça pública. Ainda sem critério!
E a cada dia que passa, tenho menos fé que algum líder vá governar com sabedoria.


segunda-feira, agosto 06, 2007

Explosivos Patricísticos.


Um assunto: Química

Hora de dormir. Pois lá vai Mercedes para o banheiro.
Escova os dentes uns 15 minutos, como a tia dentista mandou: dentinho por dentinho, fazendo voltinhas...roda roda roda, varre varre varre. Roda roda roda, varre varre varre. Roda roda roda, varre varre varre.
Eeeee! Muito bem! Agora escovinhas interdentais. Isso...esfrega esfrega esfrega...de frente pra trás...agora de trás pra frente. Muito bom! Não...não acabou: agora o fio dental. Chéc-chéc-chéc. Não pára, não pára, não pára não! Issooooo! Agora pega a escova de dentes e começa de novo: roda roda roda, varre varre varre.... Plax sem álcool? Alright! ufa! Acabou.
Acabou nada...agora lava o rosto. Muita água, sabonete neutro, enxuga bonitinha...passa creme de limpeza -- você não vai querer dormir com restos de maquiagem e da poluição alphavillense nesse rostinho lindo que deus te deu!
Depois de bem limpinho, um tônico, depois que o tônico secar, hora de hidratar! Sim sim...hidratar e repuxar! Manda ver um hidratante poderoso que tenha princípios anti-rugas, anti-age, anti-freeze, anti-plissê! Tá esticado? Boa noite...pode dormir. Ah! Não esquece o pescoço! Não pode esquecer, senão vira tartaruga sem casco.
Ok...durma bem.

Oh que noite bem dormida... mas nem todo o creme esticante do mundo faz a gente acordar com a cara esticada. O primeiro encontro com o espelho é um susto! Quem é essa criatura amassada do outro lado?
- Bom dia, Repolhinho.
Hora de recomeçar a função:
Lava o rosto de novo.
- Mas pera aí! Não foi super bem lavado há umas 6 horas?
- Ah...mas sei lá o que você faz enquanto dorme...Então começa de novo. Lava e cala a boca.
Vai sabonete neutro...

Não! Espera! Melhor tomar banho! Se eu passar todos os super-cremes vou ter que tomar banho de toca-no-rosto!
Ok...após o banho, vai leite de limpeza...vai tônico. Agora saca do armário o "anti-drapeado-dia" (sim, aquele outro era o esticante-noite!). Um para o rosto e outro para contorno dos olhos - que ao que parece, não fica no rosto. Não esquece o creme do pescoço! E já que tomou banho, passa hidratante no corpo inteiro, senão vai ficar craquelê! Pode não ser hoje, nem amanhã, mas seu dia de solo da caatinga há de chegar!
Dá uma olhada se não tá sobrando um fio na sobrancelha... enrola até o super-puxante-anti-pregas secar. Secou? Filtro solar. Fator quarenta! Não me venha com menos! Enrola mais um pouco...agora pode ir tomar café.
Espera! Passou filtro nas mãos? Você tem noção da luz que vem do monitor do seu computador? Ah! Ok...pode ir tomar café.
Ufa!
Mas depois, senhoras e senhores, vem o treino. Depois do treino mais um banho. Não tem como não passar creme de novo depois de mais um banho...Depois de toda a função outra vez, tem a base com filtro solar, o corretivo nas olheiras de Glória Peres, rimmel...

Isso tudo me parece a composição de uma bomba nuclear.
A minha pergunta mais básica é: como a gente não explode?

.....................................


Outro assunto: EXPLODIR!

Hoje pela enézima vez desde que cheguei de viagem, tentei acessar os blogs que leio todos os dias: Flávia, Solda, Alice, Carol, Gravata, Mg Writers Club, e alguns outros blogs "de minha própria propriedade". Mais uma vez, não consegui entrar em nenhum deles. Mexi em tudo nesse computador de meu deus, e não tem santo que me faça entrar em algum site blogspot.com.
Lá pelas tantas, minha partner in crime Cartolina Garofunk me mandou o link para um forum onde todo mundo está reclamando que desde que a Telefônica começou a fazer manutenção nos servidores e trocar os cabos de Speedy para óticos, o Blogspot está bloqueado.
Como assim??
Sinto-me morando no Iraque!! Minha amiga que mora em Dubai não pode ter orkut, porque a internet lá bloqueia as páginas de orkut. Ok...então agora eu também moro em Dubai. Vivo num país livre, sou livre para acessar qualquer site menos os blogspot.com! Aff que ódio!

Aí ligo para a telefônica para saber a verdade sobre os fatos. A primeira pessoa simpática que "pode estar me atendendo" acaba por me dizer assim: "Eu não posso estar passando a senhora para um técnico ou um supervisor, porque a senhora não está tendo um problema real de conexão!"
Whaaaat?? Ela desligou na minha face!
Mas eu sou chata dimáaaas! Liguei de novo e resolvi que o meu dia de hoje seria atazanar a Central de Relacionamento Speedy. Resumo da ópera: tive que ligar quatro vezes! Duas desligaram na minha cara. Uma a criatura realmente não conseguiu alcançar o meu raciocínio e, depois de me ouvir tagarelar por 10 minutos respondeu: "A senhora já tentou reiniciar o computador?"
Ahem! Isso caiu nos meus ouvidos como: Sorry M'am, I don't speak your language!
Assim.... c-a-l-m-a, eu respondi: Obrigada, fofa... não preciso mais de você. E desliguei. Liguei de novo, e finalmente me entregaram um ser pensante que ficou de cara com o ocorrido, pegou o link do fórum pra mostrar para o departamento competente (oops...será que tem um?) e relatou tudinho tim-tim por tim-tim pra tentar nos tirar a todos - assinantes do Speedy Banda Larga - do Iraque!
Aff. Unbelievable!


quinta-feira, agosto 02, 2007

Talking with Angels...


Não é novidade para ninguém que quando eu era pequena, queria ser miss Brasil. Muitas e muitas vezes eu já repeti aqui minhas ambições infantis: miss, chacrete, cantora, atriz, bonita, estrangeira.
Mais tarde, eu quis ser menos bonita. Quis ser inteligente. Depois, tão inteligente que fosse a melhor profissional que tivesse passado por cada lugar por onde eu escolhesse passar.

Lá pelos 18 anos, veio o convite para ser miss. U-huu! Mas nessa época o importante era ser menos gostosona e bem mais brilhante. Era preciso ler muito, aprender muito, trabalhar muito, parecer brilhante, convencer a mim mesma que existia um cérebro bem maior do que o corpo acima dele todo.
Mas eu sorri feliz, afinal, mesmo não aceitando o convite, ele veio -- o que não deixa de ser uma forma de realizar um sonho de infância. Foi também nesta época que veio o primeiro emprego em publicidade…e eu comecei a realizar o outro sonho.

E assim a vida passou me mimando...
Eu fui conquistando cada um dos meus pequenos sonhos que nem sempre eram embalados por uma razão lógica. A maioria deles era mesmo por teimosia ou pura necessidade.
Depois, mais tarde, eu só quis mesmo ser feliz.

E é sobre isso que eu quero falar. Sobre como eu fui sempre tão mimada. Tenho até medo de contar.
Eu nasci numa família bem de vida, constituída por um casal trabalhador que veio de baixo, com exemplos de pais lutadores.
Quando eu nasci meu pai era um bem sucedido homem de seguros. Não sei direito na verdade, porque ordem cronológica é uma coisa misteriosa demais pra mim. Praticamente não existe. Eu embaralho fatos e datas e nunca sei direito o que veio antes. O fato é que lembro de morar numa casa enorme no Jardim Botânico, o que fazia do meu pai um milionário aos meus olhos infantis. Nem sei se a casa era realmente grande, mas assim o parecia. Um dia, nosso mundo caiu. Tudo caiu. A casa se foi e nós começamos a nos mudar muito, muitas vezes, de um lugar grande para um menor, depois um menor, depois para a casa de alguém. Demorou para que voltassemos a estar todos juntos sob o mesmo teto -- ou foi o meu coração de criança que nunca entendeu a distância. O fato é que pareceu ser para sempre até que voltamos para Curitiba e, da casa de alguém, nos mudamos para um teto onde acordávamos todos os dias com a voz forte da minha mãe. Ufa!
Voltar a sentir o nosso cheiro e ver de volta as nossas coisas, foi como realizar um primeiro sonho de infância. Assim, mesmo meus pais se sacrificando e sofrendo um tanto, eu senti pela primeira vez a mão da vida a me mimar.

Quando me senti estável, meus sonhos mudaram um pouco. Mas nunca foram grandes. De qualquer maneira eu sonhei sempre com uma vida que mudasse muito mas não mudasse nada. Eu queria que o mundo fosse a minha casa mas, ao mesmo tempo, que um dia eu olhasse à minha volta e me sentisse como na casa da minha mãe: que meus filhos fossem como os dela, que meu marido fosse como o dela, que eu acordasse todos os dias segura de que todos os dedos da mão estavam no mesmo lugar. Não os anéis, porque com esses eu nunca sonhei.

Mas, apesar de não sonhar com anéis, eu tive sempre pose de quem os tinha aos montes. Esta pose me salvou a vida milhares de vezes, outras atrapalhou um pouquinho. Mas graças a ela, que nasceu comigo, eu tive sempre portas abertas onde quer que fosse. Porque, I’m so sorry, vivemos sim num mudo de aparências em que elas regem os olhos dos poderosos num primeiro momento. Graças a minha pose e minha maneira de falar, eu tive todos os empregos que quis.
Mas eu não me importava realmente com isso. E nem nunca quis grandes coisas - nem roupas, nem jóias, nem dinheiro, posição, nada. Eu quis dignidade. Eu quis reconhecimento pelo meu trabalho. E mais do que tudo, eu quis ser feliz.

A minha pose gerou uma frase que me magoou amargamente vinda de um colega de trabalho – na época diretor de comerciais – que me disse um dia:
“ Mercedes, o seu problema é que você anda na Avenida Batel como se estivesse na Quinta Avenina.”
Wow! No momento em que eu escutei aquilo, fiquei muito triste. Logicamente ele se referia ao fato de eu não ter um tostão, mas andar com o queixo no lugar e os ombros eretos. Eu nunca tive medo de trabalho, sabe? Nem de recomeçar. Aliás…recomeçar é sempre mais gostoso do que simplesmente estar. Ter que trabalhar muito para sustentar meu filho, andar a pé, não poder gastar, nada disso jamais me assustou. Ao contrário. Eu andava a pé pela avenida Batel para o trabalho feliz e sonhando. Acho até que parecia que eu estava na Quinta Avenida...hahah!
Confesso que meus momentos de necessidade extrema passaram batido e eu mal me lembro deles. E porque? Porque veio a vida me mimar. Sempre! Sempre que uma porta se fechava muitas se abriam em seguida. Sempre que tudo parecia ruir, o sol brilhava la fora com uma nova oportunidade. Por isso nunca…nunca mesmo, eu valorizei demais um momento ruim. E a vida me deu amigos. Hoje, a gente lembra desses momentos rindo dos nossos jantares falidos, e dos fins de semana de programação alternativa.
Eu nunca fui ambiciosa, mas querer conhecer o mundo não é ambição, é necessidade. Nasceu comigo. Os livros de história, as enciclopédias, os livros de fotos…todos eles me mostravam lugares que eu tinha que ver.
Andar pela Quinta Avenida era um dos meus sonhos bobos sim. E pela beira do Sena. E pelo bairro Gótico em Barcelona. E pela boardwalk em Venice Beach. E pelos corredores do Louvre. Eram sonhos distantes aos 18, mas muito reais aos 26. Minha vontade de ir embora para algum lugar ver as coisas que passei a vida estudando era quase maior do que eu. Eu tinha um filho pequeno e não podia , mas as propostas chegavam. Quase fui para Portugal, mas não era isso ainda…e eu fui ficando por aqui por causa de um trabalho melhor e outro mais desafiador e outro mais compensador…E a vida voltou a me mimar todas as vezes que eu achei que meu mundo cairia.

Depois a vida mudou. Para melhor. Eu custei a entender para onde ela estava me levando, até tentei fugir dela, quase me afundei completamente, mas lá veio a vida outra vez passar a mão na minha cabeça. Cinco minutos antes de eu entrar para sempre num buraco negro, ela me resgatou. E me mimou de novo.

Semana retrasada, caminhando na beira do Rio Sena, meu marido disse que eu devia ver o meu sorriso! Nessa hora eu percebi que não sou só eu quem vê a mão da vida pincelando a minha existência. Meu sorriso era de uma alegria que eu não sei contar. Só minha…interna…lá dentro…que se externou em forma de um sorriso que eu não pude tirar do rosto por muitos dias. Eu estava lá…depois de andar pela Quinta Avenida me sentindo tão em casa quanto na Avenida Batel, correr na boardwalk em Venice como se estivesse no Parque Barigui, sentar num café em Barcelona e ver as pessoas passando, eu estava andando na beira do Sena, tomando um sorvete, e me sentindo feliz, como nos tempos de criança. Porque como eu sempre sonhei, todo lugar do mundo é a minha casa.
A vida me tocou quando pisei nas ruínas de Roma…e sorriu pra mim pra me dizer: tá vendo?…você que só sonhava, está aí, ganhando mais um presente.
Pra muita gente, a viagem que eu fiz é nada. Tanta gente vai para a Europa todos os anos…tanta gente vai a Paris tantas vezes…Mas a primeira vez que eu sonhei com Paris eu ainda nem usava sutiã. A primeira vez que fiquei maravilhada estudando história da arte, eu não tinha um metro e meio. Poder ver ao vivo as coisas que eu vi, pode ser chato para muita gente, ou simplesmente desimportante. Mas não para mim. E eu agradeço a isso de tantas formas…

Então hoje, mexendo nas fotos, eu parei para pensar no que são os sonhos e cheguei à conclusão que todas as vezes que sonhei acordada, todas as vezes que falei sozinha, todas as vezes que travei longos diálogos imaginários andando na rua…todas as vezes, eu estava falando com anjos. E sempre, invariavelmente, eu fui ouvida.


Bom dia, flores do dia!

quarta-feira, agosto 01, 2007