domingo, novembro 29, 2009

Guerreiros

Brahma - Lista de Desejos
Direção: Claudio Borrelli

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domingo, novembro 22, 2009

E lá se foi a verdade...


Essa semana eu descobri uma coisa incrível: a palavra testemunho, em inglês testimonial, vem da Roma antiga, quando, ao jurar dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, era tradição que os homens colocassem a mão direita sobre os testículos.
Certo. Faz todo sentido!
Você arriscaria perder os próprios testículos por uma mentira? Claro que não. Ao menos eu não, se fosse homem.
Então, o que valia na Roma antiga? Qual o "objeto sagrado" sob a qual ninguém ousaria jurar em falso? A HOMBRIDADE. Um homem tem de ter culhões para honrar sua palavra...e assim deveria ser até hoje.
Mas aí chegou o imperador Constantino e sua fome de poder e manipulação (ai ai ai como eu tenho uma birra com essa criatura) e criou a Igreja Católica Apostólica Romana. Aí ele mudou uma datazinha aqui, outra ali...depois queimou alguns livrinhos, inventou umas historinhas, adicionou a ressurreição em alguns evangelhos...there you go: Habemos Bíblia.

Eu não faço a menor idéia de quando começamos a jurar com a mão na Bíblia e nem por que razão estranha isso garantiria que alguém fosse verdadeiro sobre os fatos, mas não é preciso ser brilhante para afirmar que foi uma invenção do mundo ocidental, pós 1.600; depois de a Espanha decidir, em acordo com o clero e alguns reis da Europa, que todos nós teríamos que acreditar num único Deus e em seu filho Jesus Cristo, mesmo que fôssemos índios, esquimós ou aborígenes, do contrários seríamos "purificados" e essa purificação, com toda certeza, seria um tanto forte e acabaríamos mortos. Bacana. Eram tão legais esses espanhóis, que D. Fernando, Rei de Espanha, inventor da Santa Inquisição - e da obrigatoriedade de ser cristão - virou santo. Não é incrível? O cara manda matar meio mundo, caça judeus e muçulmanos, acusa todo "infiel" de ser feiticeiro e ter parte com o demônio, queima todo mundo em praça pública...e é santo. Adoro a história da Igreja Católica...acho incrível que alguém ainda....bom...esquece.

Voltemos ao que interessa. O fato é que alguém em algum momento decidiu que - perdoe a expressão - suas bolas não são algo tão sagrado, então é melhor jurar sobre a bíblia. Pensando bem, é mais fácil. Deus está tão longe...capaz de nem dar tempo dele perceber que você mente.
E eu acho, do fundo da minha já conhecida revolta, que deveríamos fazer os homens voltarem a colocar a mão direita sobre seus preciosos saquinhos para jurar alguma coisa. "Eu, como homem que sou, juro que..." E nós mulheres? Nós juraríamos sobre o ventre - que protege nossos filhos, acolhe nossos homens, cria nossa força. E não vem discordar não, porque o seu cérebro não funciona direito quando seu homem a abandona, seu filho adoece, ou você está morrendo de cólica. Você não pode jurar com a mão na cabeça, porque quando você está de TPM, sua cabeça é a oficina do diabo. E quando você estiver na menopausa vai dar umas piradas sem precedentes. Então fim! Põe a mão direita na barriga e jura que não vai postar comentário de feminista rancorosa!

É isso, senhoras e senhores. Quero voltar aos tempos em que a Hombridade era mais importante do que qualquer instituição. Quero ver nossos políticos todos enfileirados no dia da posse, como uma grande barreira na frente do gol, jurando agir decentemente e cuidar dos interesses do povo que os elegeu.

Tenho dito!






terça-feira, novembro 17, 2009

Romeo & Juliet

Epitáfio - Conto nº2
Publicado no MgWritersClub em 22.06.2007


Entregamos nossos corpos, por não precisar deles para eternizar o que sentimos.
Entregamos nossas vidas para que sejamos livres.
Entregamos nossas almas para amar para sempre.

Entregamos um ao outro o que somos e o que fomos.

"Eyes, look your last!
Arms, take your last embrace!"



Carla e Jonas

˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚

Carta lacrada, encontrada na bolsa de Carla

Para
Glorinha Lacerda
Em mãos


Glorinha amada,

Eu preciso contar pra você o que aconteceu de verdade.

Sei que posso, porque você vai entender e não vai contar pra ninguém, porque sempre foi minha melhor amiga, sempre me escutou com paciência e acreditou em mim.
Tudo não passou de um acidente, Glory, juro. Mas ninguém acreditaria em mim. Eu sei disso. Tenho certeza.
Desde pequena ninguém acredita que eu faço coisas sem querer. Desde a vez que quebrei um vaso da minha avó e ela fez queixa para a minha mãe dizendo que eu era dissimulada, sonsa, que fingi que não fui eu. Glorinha, foi tão injusto! O vaso caiu e quebrou quando a Vó não estava em casa. Eu tinha ido na padaria comprar o que ela tinha pedido em um bilhete escrito antes dela sair. Quando ela chegou, eu não tinha voltado ainda e o vaso estava quebrado. Ela perguntou para a empregada quem foi, e a empregada não sabia. Ninguém sabia mesmo…Eu cheguei em casa e, antes de eu poder contar, ela já começou a brigar, dizendo que eu não podia quebrar as coisas e esconder... Você sabe bem o resto.
Foi sempre assim. Sempre. Você sempre viu. Mesmo quando alguém mais estragava alguma coisa, ela dizia: “Essa menina não pode ser tão estabanada! Pra mim ela faz de propósito!”

E essa é a lenda que reza na minha familia. Agora, como eu poderia contar o que acabou de acontecer? Eu não queria acabar com tudo dessa maneira, Glorinha, mas acho que é a saída mais bonita.
Presta atenção:
Eu e o Jonas fomos a uma festa ontem à noite. A festa foi divertida e nós bebemos um pouco. (Você sabe que ele exagera, né?) Dançamos um monte, rimos muito e ele me convidou para encompridar a noite. Viemos para esse hotel. Você precisava ver que lugar legal! Pedimos a maior suite. Glorinha!, dava pra fazer uma festa pra 200 pessoas aqui dentro. É a Disneylandia inteira só pra nós dois. Tem até máquina de fliperama!
A gente chegou, brincou de tudo o que tinha pra brincar, caímos na piscina, fizemos melhor de três no flipper, fizemos sauna, comemos tudo o que tinha no frigobar, bebemos champagne, nos divertimos demais. Depois tomamos um banho e dormimos um pouco.

Quando a gente acordou, o Jonas resolveu brincar um pouco mais pesado. Ele tinha umas balas (você sabe de que bala eu to falando). Ele tomou uma e deu uma pra mim. Ele também cheirou e tomou mais um negócio que eu não sei o que era, mas eu não. Dançamos um monte…depois transamos um monte…e depois mais, depois mais. Ele estava completamente doido, e eu chapada demais. Quando começou a baixar, vimos um filme. Depois, estávamos conversando na cama e ele parou de responder. Glorinha! Assim, do nada! Do nada, ele parou de responder. Eu chamei ele e nada! Eu sacudi ele, e nada! Eu gritei! Eu bati nele! Eu joguei água fria na cabeça dele! Glorinha!!!!!!! Eu quis chamar uma ambulância, mas não adianta. Eu fiz tudo o que eu sabia: boca a boca, massagem cardíaca. Eu girtei, gritei, gritei! Glorinha, o Jonas não se mexe! Ele não responde! Ele morreu, Glorinha! Morreu! Ele está ali na cama, sem vida, gelado!!! Eu acho que ele nem está mais ali naquele corpo. Ele foi embora, Glorinha!
Eu pensei em chamar a polícia, a gerência do hotel…mas não vou.
Eu não vou ficar aqui para ser acusada de fazer tudo errado. Eu não vou sentar e esperar que me apontem o dedo:
" Olha a namorada do drogado do motel! Louca! Promíscula! Drogada!"
Eu não vou esperar que alguém diga que foi tudo culpa minha! Vão querer me internar numa clínica. Eu não sou viciada! Mas quem vai acreditar, Glorinha? Só você. Eu não vou esperar que a minha avó comente com as amigas da minha mãe que eu sempre fui um problema. “Ah…Ela era uma sonsa!”
Então amiga, só você sabe a verdade. Foi um acidente.
Tão horrível... A única coisa boa é que o Jonas estava muito feliz. A noite foi linda. Tudo delicioso...

Depois de pensar por horas, vendo o Jonas, lindo, deitado ali, tão tranquilo, eu decidi que vou junto com ele. Eu sei que ele vai me esperar. Pedi papel e envelope na recepção e resolvi escrever, eu cheirei tudo o que ele tinha na mochila, amiga, e tomei as outras balas. Cinco. Vou ficar por aqui até começar a me sentir estranha e vou deitar ao lado de dele, esperar que ele me pegue pela mão.

Desculpa por isso, minha amiga. Eu te amo demais.
Não conta pra ninguém esse segredo, ta? Deixa eles pensarem o que eu vou fazer eles pensarem.
Não fica triste comigo. Nem fica triste por mim. Eu vou ficar bem.

Um beijo enorme.
Se cuida bem cuidadinho…
Da sua eterna amiga,


Carla

P.S. Fala baixinho pra minha avó que "desta vez, sim, foi de propósito."


˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚

Esta carta foi usada como evidência na defesa de Jonas Ferreira de Andrade -
acusado de tráfico de drogas, aliciação de menores, cárcere privado e homicídio doloso da menor Carla Schimidt. O acusado foi inocentado das acusações mais graves, mas cumpre pena de 3 anos por tráfico de drogas.


segunda-feira, novembro 09, 2009

_bye bye twitterland

Ontem à noite eu deletei a minha conta do Twitter.
"Ah...ok...whatever."
Isso é o que a maioria das pessoas que eu conheço diria, mas deixa eu te contar que não é bem assim.
Eu cheguei lá como quem não quer nada, pra saber se eu queria mesmo dizer em poucas letrinhas que eu estava na fila do banco, ou na sala de espera do dentista. Achei ridículo, abandonei a minha conta e continuei minhas coisas. Mas quando eu voltei, eu tinha followers e vocês sabem como eu sou: eu adoro uma platéia!

Dias mais tarde, conversando com a minha filha sobre fakes na internet, minha curiosidade científica me fez procurar fakes para seguir no Twitter. Eu queria entender o que passa pela cabeça de alguém que finge ser outra pessoa. Foi aí que tudo começou...Eu passei a seguir um imenso zoológico de celebridades fake, fazendo do meu twitter um lugar tão alucinante quanto repugnante.
Mas um desses "fakes" era especial. Amável, delicado, inteligente, interessante. E tinha fiéis seguidoras...eu diria mantenedoras. Ao contrário das fans desvairadas, elas tentam manter um certo low profile, não falam dele com estranhos, evitam "follow fridays"... e como mulheres de Atenas, zelam pelo bem estar e o sorriso do homem que chega cansado do trabalho e merece ser tratado com amor.
Com o tempo, ninguém mais quis saber de verdade quem é ele. Ele é real? ele é fake? ele é um equívoco? entrou e não tem mais como sair? Tanto faz...ele é o responsável pela união de um grupo delicioso de pessoas que se adoram e não sabem mais viver separadas. É uma irmandade, uma congregação...uma delícia. Por pura curiosidade científica-desocupadística eu fiz amigas que vou guardar comigo para sempre.

Tive que arrancar o coração e deixar do lado de fora da sala para conseguir apertar o "delete". Foi sofrido, foi suado, foi chorado. Cada um que me mandou uma mensagem ontem à noite me fez chorar muito, porque eu sei o quanto vou sentir falta das minhas meninas, e de cada um dos meus meninos. Mesmo mantendo contato por outros meios, não vai ser mais um eterno acordar e ir dormir juntos...saber que não está nunca sozinha...ter sempre um sorriso do outro lado esperando você acordar.
Você não entende isso? Que pena...porque é uma benção.

E por que eu largaria essa benção? Porque eu parei de escrever. Preciso retomar meus escritos e voltar a pensar como antes. Acho que quando você expões seus sentimentos e pensamentos o dia inteiro, não sobra nada para juntar depois e colocar no papel. Foi esse o estranho resultado do Twitter...eu deixei de ter o que dizer. No fim do dia, todos os meus pensamento já haviam sido drenados e perdidos na grande timeline universal, chamada Twitterland.

E a minha curiosidade científica? Pff...pesquisa arquivada. Caso encerrado. Não quero saber.
Só tenho a agradecer ao Twitter por ter me trazido momentos geniais e pessoas maravilhosas. Eu continuo sendo a mesma pessoa sortuda, cercada de pessoas incríveis por todos os lados. E é claro que eu vou voltar. Eu sempre volto para os lugares que eu amo.

Ah...antes que eu seja injusta: Thanks B.D.B

Com o coração doendo...

Bom dia.


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