segunda-feira, outubro 30, 2006

Protect me from what I want...

Quem nunca teve desejos estranhos?
Perversos talvez? Não necessariamente pervertidos. Pensamentos malígnos, esquisitos que depois de segundos você pensa…"Credo! Como eu fui pensar uma coisa dessas?"

Eu tive uma aula de criação de personagens em Los Angeles com um doido...A confusão já começou porque nos deram uma sala para 20 pessoas e mais de 50 procuraram o seminário dele. Saímos do primeiro andar do Marriott para uma suíte no 18º. Todos esperando demais da aula do Tom Schlesinger, e todos já um pouco irritados.
Ele é escritor, consultor de roteiros da Miramax, da Zoetrop e vive hoje na Alemanha e trabalha de lá mesmo para Hollywood. E é maluco. (Eu já disse isso?)

Foi muito interessante ver a reação das pessoas ao se sentirem profundamente incomodadas pelo que ele dizia e nos mandava fazer. Muita gente começou a fechar os cadernos, guardar as coisas e sair da sala. Meu amigo Paul também tentou sair, mas como eu sou péssima companheira, não permiti. Coloquei a minha perna no caminho dele e falei como se fala com um cachorrinho: STAY! Ele ficou. Sei lá porque...alguns homens simplesmente precisam ser mandados. hahaha!
Mas o que era essa coisa tão incômoda que praticamente auto-baniu as pessoas do seminário? Era a loucura de cada um.

Tom pediu que prestássemos atenção às vozes dentro de nossas cabeças. Ele afirmou: "eu sei que você ensaia o seu discurso do Oscar. Eu sei que você dá entrevistas para a CNN. Eu sei que você fala com a sua ex-namorada no banheiro".
Todos nós temos vozes falando por nós e conosco no trânsito, em casa, no banco, na caminhada, na ginástica. Todos...sem excessão (nem vem me dizer que você não fala com eles). Pois Tom sugeriu que déssemos nomes a essa vozes. E depois do nome, um par de sapatos. Que tipo de sapato essa moça que se despede triste em seu leito de morte usaria? O que ela gostava de vestir antes de ficar doente? Ela tem um relógio? Quem deu o relógio para ela? O que ela gosta de fazer quando está em casa? Ela tem um amor? Quem é ele?

As pessoas começaram a sair e o Tom perguntou: Não é incômodo? hahah! Nossa, é muito incômodo! Pois na hora que essa sensação terrível começar -- ele disse -- tente resistir. Não se censure. Fale mais com as suas vozes e tente descobrir até onde elas podem ir. Não tenha medo de olhar nos olhos dessa pessoa, mesmo que ela seja um psicopata. Ouça o que ela tem para dizer. Agora ela tem um nome, fica mais fácil descobrir quem ela é.

Assim, o Tom nos ensinou a ter um arquivo precioso de personagens que na verdade vivem dentro de nós. Mas muitas das pessoas se recusaram a aceitar que ouvem essas vozes. Por que? Medo! Medo de se descobrir politicamente incorretas. Medo de saber que quer coisas que não são certas. Medo de querer realmente. Medo de se mostrar. Medo de se encarar.

Eu vou confessar que fiquei aliviada. Sempre achei que eu fosse a única esquizofrênica que eu conhecia. (ok...única fora o meu marido, os meus dois filhos, o Felipe Iubel e mais alguns). Ha! Entreguei o Felipe! Mas ele é um escritor. Não existem escritores normais. Só os que fingem ser normais. Então...fiquei aliviada demais por saber que eu não sou tão louca quanto imaginava e, melhor ainda, posso tirar proveito da minha insanidade. É lógico que todos os meus personagens sou eu. Claro. Por piores que eles sejam, ou eles estão dizendo algo que eu pensei, ou algo que eu queria ouvir (ou vocês achavam que o George era um amor assim, do nada? Que a Mélia era genial porque eu tive dois minutos de inspiração?) Até uma semana atrás isso acontecia instintivamente, mas sempre que alguém perguntava o que as minhas histórias tinham de auto-biográficas eu ficava sem jeito.

Oras...é óbvio que eu não encontrei o George Clooney na Patagônia. Mas se foi a minha cabecinha doente que fez com que a Lívia o encontrasse, hello?? É ou não é auto-biográfico?
- Não porque eu não gosto do George Clooney.
- Tá. Mas então conta pra eles que você tinha pensado e fazer a Lívia encontrar o Brad Pitt.
- Pensei, mas não teria graça...ninguém rejeitaria o Brad Pitt. O George eu dispensava. Ficava mais facil ficar fazendo pouco dele.
- Então...você queria encontrar o Brad Pitt numa viagem sozinha pra algum lugar.
- Tá louco? Encontrar o Brad Pitt e fazer o que? Vestir um escafandro? Você acha que eu teria coragem de tirar a roupa na frente do Brad Pitt? Eu sou uma senhora, pelo amor de Deus! Ele é casado com a Angelina Jolie!!!
(Desculpa. São os meus inner diálogos se passando.)

Então...creio que a palavra certa seria: "auto-biografia-do-inconsciênte".

Mas se formos pensar assim, quem foi Mary Shelley? Uma louca que queria criar um homem feito de partes de defuntos para servi-la? Necrófila, doida! Um perigo para a sociedade. E o Stephen King? Que pavor! E tantos outros loucos capazes de criar personagens terríveis como Hanibal Lekter? Todos loucos psicopatas esquizofrênicos?
Não...todos humanos. Somos todos meio malucos sem a consciência da maluquisse.
Todos nós já pensamos alguma vez na vida em algo realmente horrível, mas corremos para nos esconder em alguma canção de ninar para nos proteger de nós mesmos. E não é que se queira realmente aquela coisa horrível, ela só é humana e nos ronda. Todos nós somos capazes de criar um psicopata, porque ele mora perto de nós. Todos nós somos capazes de criar um personagem grandioso, bom, maravilhoso, porque ele também é vizinho. Isso não faz de nós pessoas horríveis. Passamos a vida aprendendo a ser éticos, que é uma forma de nunca liberar esses pensamentos maus.
Mas seria muita limitação achar que nosso cérebro é só o que conhecemos dele. Pensa dois segundos: de onde vem a nossa capacidade de adaptação senão do conhecimento inconsciente de TODAS as situações possíveis?
Existem milhares de coisas que a gente pensa e não sabia que pensava. Assim são os personagens. Assim são as minhas especulações. E eu estou feliz por saber que posso fazer disso uma técnica. Olha que lindo! Agora eu sou normal!

Well...andei, andei e não fui muito longe. Cheguei só onde eu já passei algumas vezes: mais de uma vez eu disse no TPM que a insanidade é o caminho mais cômodo. Você pode dar uma passinho para o lado e seguir por ela, por que ela também mora bem mais perto do que imaginamos. Ou pode usá-la para melhorar como pessoa. (Ou como escritor).
Por enquanto vou ficar com a segunda hipótese.


Bom dia, meus amores.
(cuidado com as vozes)


P.S. No final do seminário, meu amigo Paul me agradeceu por tê-lo feito ficar.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Santa Monica Pier

Neste lugar eu vejo
de um lado - Venice
do outro lado - Malibu.
(você está vendo Venice Beach)

Gaivota
(fotos tiradas com o celular)

Dois lugares que eu amo, com Santa Monica no meio.
Eu queria ser uma Monica pra viver entre Venice e Malibu.

As gaivotas são felizes!

No Santa Monica Pier tem um restaurante hilário: Bubba Gump Schrimp.
Hahahha! Lembra de Forest Gump? O amigo do Forest no exército que queria ter um barco pesqueiro para pescar camarão, e abrir um restaurante só de camarão?
E ele passava os dias falando pro Forest todos os pratos que se pode fazer com camarão. Bubba morre e o Forest compra o barco e vira o Rei do Camarão, e abre uma rede de restaurantes: Bubba Gump Schrimp.

BubbaGump

Então...almocei com as minhas amigas no Bubba Gump Schrimp. O sistema é o seguinte: Se você não precisa do garçon, deixe a placa "Run Forest Run" para cima. Se você precisar do garçon, vire a placa "Stop Forest, Stop". Hahahha! Adoro!

Ah...e a comida é ótima! Servida em baldes (literalmente).

Caixa preta também é informação junk-gastronômica!


quarta-feira, outubro 25, 2006

So back home

flag

Good morning, sunshine!

Mais ou menos morning, porque eu só consegui sair da cama às onze e meia. Não consegui ainda voltar pro fuso. Mas isso não é um problema. Problema é aprender onde estão os acentos no meu teclado novo. hahahah! Se não fosse o PL eu estava perdida!

Well, algumas coisas mudaram drasticamente em mim nos ultimos 20 dias, tanto interna quanto externamente. Coisas das quais eu não tinha conhecimento e que me fazem bem neste momento. Talvez em mais 20 dias elas não façam a menor diferença, mas agora elas latejam dentro de mim. Talvez seja o jetleg. Talvez só cansaço. Mas anyway, são mudanças, e embora mudanças sejam assustadoras, são também extremamente bem vindas nesse meu coraçãozinho que odeia ficar quieto.

1. Descobri que sou paciente. Que tenho calma. Que ando devagar porque já tive pressa...(e toda aquela coisa) Passei 20 dias hospedada na casa da minha amiga em Los Angeles e juro que eu achava que no quinto dia perderia a paciencia e iria pra um hotel. Mas não...descobri que posso me sentar e tentar conhecer mais profundamente as pessoas. E me sentir em casa, e me sentir bem vinda, e fazer parte de alguma coisa que não era minha. Isso me fez muito bem. Eu me diverti, eu aprendi a amar coisas e pessoas que não existiam antes. De uma certa forma e me tornei um pouco mais completa.

2. Se existia uma coisa que me fazia mal e ia contra o que eu sempre acreditei, era o fato de o povo americano ter o Bush como presidente e achar que isso é normal. Eu fiquei extremamente feliz por saber que isso não é verdade: os americanos tem vergonha do Bush. Eles tem vergonha da guerra no Iraque. Eles tem vergonha dos discursos, da política internacional da administração Bush, dele como pessoa, dele como presidente, dele como ser humano. DELE! Os americanos contam os dias para a saída daquele que eles também consideram um risco para o planeta. Voce encontra em lojas, livrarias, lojas de roupas, todos os lugares, coisas que repudiam o presidente. Relógios digitais com contagem regressiva de hoje ao dia em que o país vai estar livre deste idiota. Canecas, calendários, milhares de peças comemorativas do fim da Bush Administration. Isso me fez feliz. Eu sempre considerei a América um lugar para viver. Sempre gostei do respeito às pessoas e à vida humana naquele lugar. Sempre achei que o povo americano é meio bobo porque vive bem, e quem vive bem não precisa pensar muito. Estava decepcionada. Queria ver aquele povo todo gritando alguma coisa outra vez, porque neste momento, eles estão como estavam nos anos 70, durante a guerra no Vietnam. E eu não via nenhum sinal de protesto. Na melhor das hipóteses, estava achando que meus amigos - que eu sempre julguei pessoas inteligentes -, tinham se tornado um bando de carneirinhos cegos apoiando um governo estúpido. Mas do carteiro ao general, todos estão revoltados. Isso me deu alívio. Talvez o mundo não esteja ainda fora de controle.

3. Sob o céu que nos protege. Sob a lua que nos ilumina.
Vivi momentos mágicos de contemplação e constatação. A solidão é uma amiga leal. Andar sozinha sob um céu azul de brigadeiro tendo tempo de observar, sentir cheiros, gostos, o vento Santa Ana batendo no rosto, despenteando o cabelo, traz pensamentos novos. Eu tive tempo para olhar a minha própria vida de fora e...céus...como eu recomendo que todo mundo faça isso uma vez ou outra. A minha própria companhia foi fortíssima nestes 20 dias, e eu pude entender um pouco mais quem sou eu, o que eu quero, pra onde eu vou e pra onde não quero ir. Nunca estive tão sozinha nos últimos vinte e cinco anos. Nunca pude me olhar tão profundamente nos olhos também. E gostei do que encontrei...porque eu sou metida mesmo. hahahha. Consegui sentir com todos os órgãos do meu corpo, alma included, tudo o que é relevante e importante para mim. E como resultado dessa semi-análise-forçada, descobri um sorriso novo. Que alívio! Seria ruim demais saber que fiz tudo errado. Mas não...meus erros são positivos. Minha vida está aqui, firme, forte e sorridente...Talvez eu não esteja totalmente fora de controle. ;)

4. Voltei a aprender. Que delícia é estar sentada numa carteira de faculdade outra vez, aprendendo só o que eu quero, bebendo informação. Algumas horas desses workshops e seminários foram mais prazeirosas do que um sunday de chocolate do Mac Donalds escondido dentro do carro as tres horas da tarde! Foi assim, às colheiradas, com direito a pingos de calda no queixo e dedos lambidos que eu ouvi palestras de homens como Oliver Stone (Platoon, U-turn, Natural Born Killers, Heaven & Earth, JFK, Born in the 4th of July, WTC), David Ayer (Dia de Treinamento, Harsh Times, Fast and Furious), William Goldmand (Todos os Homens do Presidente, Butch Cassidy and Sundance Kid), Micheal Arndt (Miss Little Sunshine, Finding Nemo, The Increadibles) , Karl Iglesias, Tom Schlesinger (script consultant do Copolla, Robert Watts --Indiana Jones, Star Wars -- da Miramax, da Columbia), Paul Haggis (Crash e Million Dollar Baby) e muitos muitos outros...pessoas que eu meio que amo, meio que invejo...queria um pedaço do cérebro de cada um deles, queria um cromossomo, um minuto ou uma página ou uma linha de diálogo, ou só sua companhia por algumas horas...e eu tive! Am I blessed or what?

Agora preciso usar tudo isso e não sei por onde começar. Acho que talvez seja bom começar matando a saudade, depois voltando pro fuso, depois comendo alguma coisa que eu realmente goste (porque tava punk) e depois sentar para escrever. Será? Será que essa coisa que eu gosto de fazer brincando vai finalmente virar uma carreira? I wish. Do I?


Bom dia crianças. I'm off to life!

quarta-feira, outubro 11, 2006

I feel welcome

Ola, meus amores...

Estou isolada do mundo. O computador a que eu tenho acesso nao quer entrar no Orkut.
Tambem nao quer que eu entre no MSN...nao quer nada!
A unica coisa que eu consigo fazer e' mandar e-mail. E sem acento! hahaha

As coisas por aqui estao otimas! Otimas assim mesmo, sem acento...o sol nao para de brilhar la fora, a noite e' sempre estrelada, esta calor, mas nao o bastante pra ser grudento e chato. A noite o ventinho e' delicioso.
E eu...ah...eu respiro esse ar com o maior prazer do mundo! Eu ando na rua rindo. Eu dirijo feliz pelas ruas que eu adoro!
HOME! I feel like I am at home! A cidade e' "friendly"...e as pessoas dizem que e' uma cidade cruel. Talvez seja para elas que nao estao em casa como eu. Para mim a cidade sorri. Ate' os policiais que me pararam no primeiro dia sorriem. Eles brincam comigo, me chamam pelo nome, eu faco piada e todos estao felizes. E assim sao todos os lugares onde eu vou. Parece que a cidade abre os bracos e diz: Welcome home, baby!
Oh yes...I am welcomed.

Andar na rua e' como uma festa para esses meus olhos que vivem no mundo da lua. Os sprinklers espirram agua por tudo, como se dancassem pra mim. O transito e' ok. O engarrafamento e' divertido. Todas essas pessoas em seus telefones celulares, ouvindo musica e falando sem parar com seus vidros escancarados e seus cachorros no banco de tras. E eu...espectadora maravilhada! hahah Pareco uma grande boba.

E a praia...meu lugar! O cheiro...(como esta' dificil contar as coisas sem contar o nome dos lugares) O cheiro dessa praia e' incrivel. Ele tambem me diz WELCOME! WELCOME! STAY! E eu sento num banco, acendo um cigarro...e obedeco, porque nao ha como fugir disso.

E todo o resto...tudo e' meu. Tudo me tranquiliza. Tudo me ajuda a sorrir. Minha pele esta' otima, eu como e nao engordo, eu durmo pouco e nao acordo inchada, meu cabelo nao encrespa. Vai dizer que isso nao e' feliz?? hahahha!

Ai ai ai...pena que tem prazo de validade.
Mas prestem atencao todos voces: Um dia...quando eu for mais velha...quando minha vida estiver toda resolvida...quando ninguem mais depender de mim para viver...quando as paginas do meu grande livro ja estiverem no fim...e' para ca que eu venho. E' onde eu quero acabar os meus dias...e vou. Feliz, feliz, feliz!


Boa noite meus amores.
Eu nem vou revisar isso, que logicamente esta cheio de erros. Mas vou tentar postar sempre para manter todo mundo (meio) informado de como as coisas andam.

Um beijo amigo, no seu umbigo.

Mg

segunda-feira, outubro 02, 2006

Salve a resistência!

Estou orgulhosa.

Fiquei acompanhando com o coração na boca a apuração dos votos, porque eu não votei. Justifiquei o voto por não poder ir para Curitiba e meu coração ficou gritando de culpa. Se ele é reeleito no primeiro turno, a culpa pode ser minha. Eu não quero essa culpa.

Já fazia tempo que eu estava decepcionada com o povo Brasileiro. Brasileiro tem umas manias irritantes. Acha que todo mundo que ganhou dinheiro na vida roubou. Acha que quem tem carro bom está ostentando. Acha que quem tem sucesso fica burro. Acha que mulher que mora bem e tem alguma grana é uma perua fútil. E mais do que tudo: brasileiro acha que pra ser honesto tem que ser feio e pobre. Qualquer um que tome banho, não use uma barba com cara de fedida, e passe a camisa antes de sair não serve para governar o país. Bonito é falar errado. Bonito é ter alma de pobre. Bonito é isso que a gente está vendo aí fora.
“Síndrome de coitadinho”. É esse o nome da doença do brasileiro. E é crônica!

Mandei um e-mail em massa falando mal do Lula e recebi respostas incríveis. Uma delas me chamava de “elite branca e racista!” Hahahahahhaha. Só me matando de rir. Era só me conhecer um pouco para saber que
Elite eu me tornei ha muito pouco tempo, e foi com trabalho e suor.
branca eu sou mesmo, mas não escolhi. É genético.
racista???? EU??? Hahahha! Talvez essa seja a parte mais engraçada da piada.
Mas é assim que o BRASUCA reage a tudo. Se você fala que alguém está super bem, ganhou dinheiro, teve sucesso, lá vem: “Imagina o que não roubou!” Típico também é falar bem de alguém dizendo:” é um homem simples...humilde...trabalha feito um louco, coitado.” Espera! O Antônio Ermírio não trabalha feito um louco? Sim, mas é diferente. Diferente porque o trabalho do Antonio Ermírio dá frutos, e o do pobrezinho não dá. Então o pobrezinho, aos olhos brasucas, tem mais valor. Assim, as pessoas que mudam o país não têm nenhum valor, pois acabam num carro importado, e é feio demais usar o seu próprio dinheiro pra obter conforto. Você tem que ficar milionário (se não tiver saída, porque é feio também), mas continuar de Chevette. E não ouse comprar uma casa num condomínio fechado, porque daí você cai em desgraça de uma vez. Volta pro bairro pobrinho! Coloca seus filhos na escola pública. E não esquece de entrar na fila do bolsa família, senão você pode ser tachado de elite branca e racista!

Pois bem...hoje vi que talvez a síndrome de pobrinho dos brasileiros tenha acabado, com a experiência de ter um presidente populista por quatro anos. Talvez os brasileiros tenham visto que fazer oposição é muito mais fácil do que governar e para governar é preciso preparo. Talvez tenham visto que é mais bonito ter um presidente que faça bonito aqui dentro e lá fora. E que VEJA o que seus aliados estão fazendo.
Nossa história de democracia é nova demais. Das primeiras eleições presidenciais para cá, passou muito pouco tempo e nós ainda não aprendemos a votar. Talvez agora estejamos começando a aprender.
Eu não sei se o Alkimin é o presidente certo, mas tenho certeza que o Lula não é. Só vamos rezar, para que no segundo turno a gente faça a coisa certa.
De qualquer maneira, estou orgulhosa de viver num país que não repete seus erros sem alguma resistência.

Salve a resistência!