sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Rebimboca da parafuseta

Coisas imprescindíveis que ainda não foram inventadas.
(meu filho disse que eu imitei o McDonalds, mas eu to de regime há 3 meses!!)


. Hormônio da terceira dentição:
Agora que o ser humano está vivendo mais, vai precisar de dentes por mais tempo e não vai querer perder tempo com coisas pre-históricas como dentistas.

. Sleeping-Shapekeeper:
Aparelho que “malha enquanto você dorme”. Você conecta alguns eletrodos e, quando acordar pela manhã, terá corrido 10 km e feito uma hora de pilates ou atividade a escolher. Tudo sem acordar nem para fazer xixi.

. Weird Mood Translator:
Aparelho que traduz aquela cara estranha que seu marido fez quando você contou seus planos para o fim de semana, ou para a nova decoração da casa.
É acionado à menção da frase: “Não…nada…”

. Ouvidor Plus:
Aguça a audição de maridos em geral, forçando-os a escutar o que as esposas falam, mesmo enquanto eles lêm o jornal. Vem com gerador de choque elétrico para o caso de respostas do tipo: "an hãa"

. Calories Evaporator:
Apresentação: Provavelmente um comprimido.
Indicação: ataque de gula.
Posologia: 1 comprimido após a ingestão de um Big Mac, uma coca grande, uma batata grande e um Sunday de chocolate.
Ação do medicamento: Evapora o alimento consumido, permitindo assim que o paciente coma à vontade sem que calorias sejam absorvidas pelo organismo.

. Desintegrador de chatos:
Não preciso explicar isso

. Demaquilante automático:
(encomendado por Carol Garofani).
Parece uma toca de banho, só que maior. Antes de dormir, enquanto você faz o último xixi do dia, coloque a toca cobrindo o rosto e os fones no ouvido. O demaquilante vem com MP3 para você não achar tedioso. Em menos de 2 minutos, a toca demaquilante remove sua maquilagem, tonifica e hidrata sua pele.
A toca demaquilante vem em dois modelos: Before30 e After30. A versão After30 vem com creme anti-age.

. Escovador de dentes Dentist Free:
Ainda não sei como vai ser, mas alguém precisa fazer isso rápido. Não tem nada mais chato do que escovar os dentes. Ah tem! Dentista!

. Mãe Simulator:
Um boneca inflável que fica sentada em alguma parte da casa o dia todo. Preparada para ouvir e reagir em caso de queixas, fome, ataques de pelanca e crises existenciais.
Preparada para ouvir a palavra MÃE mais de 500 vezes num mesmo dia sem perder a paciência.

Doméstica HD Plus:
Extra brain cells for your maid.

Mãe Calaboqueitor:
Dispositivo invisível, inodoro e incolor que impede sua mãe de dar palpites na sua vida, seus amigos, seu figurino, na cor do seu cabelo ou na escolha do seu namorado. Toda vez que ela começa a ter um ataque de preocupação com o seu futuro ou suas atitudes, o Mãe Calaboquitor põe a véia pra dormir.

MSN Block Forever:
Você bloqueia a criatura, e mesmo que ele baixe 300 programas para tentar descobrir, você nunca vai receber um e-mail dele dizendo que acha que você o bloqueou por engano.
Este programa também impede seu computador de adicionar ao MSN, Orkut, MySpace, Facebook, AIM ou seja o que for, pessoas com nomes começados por mais de 1 símbolo, ou contendo as palavras Jesus, te, ama, fofinha, gostoso, pegador, ou diminutivos em geral.

NoContas:
Pagador de contas automático. O aparelho recebe, abre, programa e paga sem você precisar sequer olhar o vencimento. Também não é preciso se preocupar com o dinheiro, porque em caso de conta negativa, o aparelho produz o próprio dinheiro, cobre a conta e ainda deixa um extrazinho. (no mac tem esse...droga!)

Cardápio Penseitor:
Aparelho acoplado ao interruptor de luz da cozinha, que pensa o que fazer para o almoço e para o jantar. Nunca mais sua empregada vai perguntar o que fazer quando você já estiver na porta do elevador. No caso de não-empregada, não se estresse, assim que você acende a luz da cozinha, o Penseitor analisa o conteúdo da geladeira e dos armários e elabora o cardápio para você. Vem com as opções Dia-a-dia, Data-Especial e Brincando de Nigela.

DogPileFree:
Não importa a raça ou o tamanho do cachorro, o DogPileFree resolve todos os seus problemas. Chega de sair às 7 da manhã na chuva para passear com o seu cachorro. DogPileFree é uma esteira com várias opções de postes e cenários, com saquinhos plásticos acoplados. É simples e prático. Basta colocar a super cinta higiênica no seu cãozinho, acoplar o saquinho e ligar a esteira. Pronto...
E isso não é tudo: na compra do DogPileFree, você ganha o exclusivo spray desintegrador de cocô NoMoreShit! Basta um esguicho e ninguém vai saber o que o seu cachorro comeu.
E não é só isso: se você ligar agora, vai receber na sua casa a esteira DogPileFree, o spray NoMoreShit e a fucinheira musical BluesDog, que transforma os latidos do seu chiuaua chato em música para os vizinhos.


É claro que não é só isso.
Do jeito que o mundo e o Polishop andam, ainda vem muito por aí.

Até o msn minguar

Shhh....é madrugada.
Alguns dormem, outros não estão em casa. Só eu pareço existir nesse mar de silêncio onde o som mais forte vem das minhas unhas batendo nas letras do teclado.
Por incrível que pareça, o P é mais agudo que o U, mas o M é o campeão; não há nenhum pedaço de carne tocando o M, o C, a vígula e o V. Só minhas unhas vermelhas. Talvez por isso essas sejam sempre as primeiras letras a desaparecer. Daqui há dez mil anos, arqueólogos vão reconhecer os meus teclados por marcas de unha nas letras debaixo, e pela falta de quase todas as letras, fora os números, o Y e o W, que só estão gastas, mais ainda podem ser vistas.
Conforme a manhã se aproxima, eu vejo a lista do msn minguar, até que me vejo sozinha. Sim, eu me tenho no msn. (Você não? Louco!) No fim da madrugada estou acompanhada de no máximo duas pessoas da AOL, e mais nada.
De agora (meia noite e trinta e seis) até o msn minguar, os sons que não existem começam a se intesificar. Começa com o caminhão que varre a rua depois do lago - parece longe, mas quando ele passa, eu acho que vai lavar o meu quintal. Tem o vôo das três em ponto. Alguns pernilongos debaixo da mesa mordendo a minha perna e eu não sinto, só escuto. O motor da geladeira que me assusta às vezes. As capivaras no parque com aquele latido estranho. É, parece um latido, mas é gutural e forte. Às vezes um latido antecede o mergulho de uma delas no lago, e o tibum me faz rir. Tem os gambás (saruês) que fazem um escândalo quando descobrem casais cruzando; tem sempre platéia e uma gritaria. A impressão que dá é que pássaros gigantes, pterodátilos talvez, estão dando razante ali no muro dos fundos. Às vezes tem mesmo um pássaro retardatário, os cães da vizinhança, um gato se engraçando pra outro... Sim, os gatos...eu escuto as coleiras dos meus gatos quando eles andam no jardim, como se fosse a Sininho chegando.

O silêncio chega às vezes ao ponto que eu chamo de Discovery Channel. Uma madrugada dessas, só eu e o som das unhas no teclado, e vejo um vulto subindo a parede. Era uma lagartixa. Olhando melhor, eram duas - uma adulta e uma pequena. As duas tinham o mesmo objetivo: um mosquito distraído. Eu parei para ver qual delas ganharia o jantar... a grande estava bem perto do mosquito quando a pequena se aventurou numa corridinha meio gay. Violentamente, a adulta virou para ela, abriu a boca e, pra minha total surpresa, gritou! Santo lagarto, Batman! Lagartixa grita!! Claro que não é um super grito, mas é como se um jacaré tivesse encolhido e ficado meio sem voz. Eu morri de rir com a fuga a jato da lagartixa pequena, e com a minha cara de idiota ao constatar que animais silenciosos também sabem armar um barraco. É ou não é Discovery Channel?

Fora esses sons "Reino Animal", tem o rádio do segurança que passa com seu carrinho branco, jurando que não é ouvido. Ele passa muitas vezes até o msn minguar, e nunca desliga aquela coisa. Se alguém namora no carro antes de se despedir, duas ruas pra lá, eu escuto o baixo da música que toca no rádio. E tem o mané que faz cavalo de pau no fim da ladeira, -- lá depois do rio -- noite sim, noite não, ele brinca de me fazer desejar que o carro capote de uma vez pra ele parar com essa chatice.

As noites são parecidas. Fora a festa dos gambás, nada muda muito.
Chega sempre a hora que eu escuto o freio a disco do carro do entregador de jornal, o barulho do pacote batendo no chão da garagem, e sei que é o sinal para ir dormir. Apago cada uma das luzes que ficaram acesas, fecho a porta de vidro que faz um ganido dos infernos, entro no meu quarto com o maior cuidado para não acordar o meu marido... e quando coloco meu celular no dock pra carregar, ele faz um apito escandaloso astronômico que poderia acordar todo mundo num raio de vinte kilômetros. Mas não...sou só eu que me incomodo com ele. Todos dormem jurando que o mundo está em silêncio.


Buenas.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A janela que me reflete

Esta não foi a primeira vez que eu recebi mensagens no msn, e-mail, telefone, sms, perguntando se um texto meu é auto-biográfico. "Quem é o cara do monólogo?", "De quem são aqueles olhos no post?", "Quando foi aquele Coisas da Vida?"
Mesmo quem me conhece há muito tempo tem dúvidas... Mas eu preciso lembrar a todos que faz 16 anos que o único lugar existente para grandes aventuras é dentro de alguma curvinha das muitas que o cérebro faz. Talvez só alguns milhares de neurônios sejam responsáveis pelos amores mais incríveis e a histórias mais deliciosas.

Anyway, fato: até seria divertido ser a heroína de todos os que passam a vida atrás da mesa ou no sofá permitindo-se pequenos prazeres ao ler ou ver uma história de amor. Mas a verdade é que eu sou uma delas. Eu fico de pijama e cara amassada, atrás da minha mesa branca, me permitindo pequenos prazeres ao criar histórias baseadas em coisa nenhuma.
Auto-biográfico? Eu já defini isso uma vez. É lógico que tudo o que se escreve é um pouco auto-biográfico. É a auto-biografia da alma. Se eu escrevo "Um Tango para George". aquele George sou eu, e cada linha de diálogo que ele diz veio de dentro de mim. Em algum lugar aqui dentro existe um George - homem dos sonhos de 8 entre 10 mulheres acima de 30 anos no mundo ocidental. Em algum lugar dentro de mim existe uma Lívia, uma Mélia, uma mulher como aquela que foi arrebatada pelos olhos azuis ali em baixo, que deu mil e vinte seis beijos e um chocolate para alguém mais lá embaixo, que esteve com Daren e Mr. (quem? Não lembro mais) em aventuras incríveis. Até mesmo os personagens masculinos mais estranhos, como Pedro, o cara inseguro que perdeu o celular na noite do ataque do PCC e não sabe mais voltar pra casa; e a mulher dele que é chata e não sai com ele porque está com dor de cabeça.
Eu já disse de outra vez: "eu sou única e sou muitas. E sempre haverá mais de mim."

Ainda seguindo a linha "auto-biografia da alma", muitos dos meus homens são homens que eu conheci. Alguns de seus gestos, bons ou ruins, algumas de suas frases ou seu jeito de vestir. Todos eles, um por um, sou eu e mais alguém. Alguns homens incrivelmente admiráveis outros desprezíveis, mas todos são parte de minha vida um dia ou em outro, e marcam por alguma coisa que, mais cedo ou mais tarde, vai estar num texto meu. Por serem parte de mim, estão na minha alma. Por estarem na minha alma, vão tornar-se palavras.

Isso é só pra dizer que é uma pena...uma pena que eu não seja a super-heroína que vive por aí tendo paixões e amores incríveis em quartos de hotel e lugares distantes. Apenas, como a criança que eu fui, invento histórias na frente do espelho. E esta tela branca grande que eu uso para escrever me reflete tão bem, quando o dia está claro, que eu simplesmente não posso resistir.

Um beijo amigo no seu umbigo.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Monólogo

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Passei com o meu carro por lá e estava uma confusão. Olhei curiosa e você me viu. Eu continuei devagar, você saiu do meio da multidão com o braço para cima gritando meu nome. Não parecia verdade, mas você gritou meu nome outra vez, me pediu para parar. Eu parei em fila dupla, outros carros me xingando e buzinando, mas não tinha o que fazer. Se eu desse a volta na quadra talvez perdesse você… Não! Nem pensei em andar mais dez metros. Quando vi seu braço esticado, seu pescoço tentando crescer para me ver, sua voz gritando meu nome…eu parei. Só parei.
Não olhei para trás. -- nem para os carros, nem para você. Tive medo de me mexer. Olhei pelo retrovisor externo e vi você afastando a multidão com os braços, se esgueirando para passar entre as pessoas. Meu coração bateu forte. Um frio na barriga. Medo. Muito medo. Por que você estava aqui? E você veio chegando, as pessoas tentando entender onde você ia, aqueles homens querendo evitar que elas seguissem você, queriam levar você de volta para dentro…e você chegando. Quando você parou na porta do carro, eu não olhei para fora. Fiquei como estava, olhar fixo no espelho que já não mostrava nada, meu coração pulando, meu estômago virando, fechei os olhos como se esperasse a pedra que vinha bater na testa. Você bateu no vidro. Eu apertei o botão e virei o rosto na sua direção com medo que meu coração pulasse e sujasse a sua roupa. A sua roupa. Uma manga longa por baixo da outra curta. E por dentro você vestia um sorriso que ofuscava toda a rua. O ritmo dos meus batimentos cardíacos mudou quando encontrei seus olhos. Parou. Três segundos de morte e eu precisei sorrir. Você perguntou onde eu estava indo. Eu disse que não sabia. “Não sei mais, não lembro, e você? Onde você estava indo que veio parar aqui?” Você abriu a porta do carro, levantou a mão e fez sinal para alguém que eu não vi, mas que entrou no meu carro assim que eu saí. Você mandou guardar o carro e disse no meu ouvido que eu não ia a lugar nenhum e nem você. Eu estava atordoada com toda aquela gente, e não conseguia entender a sua presença, tão perto, sem eu saber, sem me avisar. Era como um sonho ou uma alucinação, mas sonho não segura o braço da gente, e você me puxava pelo braço me levando sei lá pra onde. Passamos no meio de toda aquela gente e elas perguntavam umas às outras quem eu era sem ninguém responder, nem eu, porque eu não sabia mais. Só sabia que você estava ali, jeans, camiseta e a outra, e um sorriso que ofuscava todo o bairro, e aqueles olhos felizes me olhando. Você me puxou correndo e me levou para o elevador, apertou o botão que fecha a porta três vezes, quatro, cinco e a porta fechou quando a multidão chegava. Você suspirou aliviado fechando os olhos e, sem abrí-los, me abraçou sem dizer nada de um jeito de quem queria muito um abrigo, mas fui eu quem se abrigou no seu peito, as costas escondidas entre os seus braços, e sua boca beijando o meu cabelo. Eu não disse nada. Não podia. Minha voz não sairia e nem saberia o que dizer. Você ficou assim até o elevador parar no décimo andar e só me largou quando a porta abriu. Você me puxou de novo, segurando meu braço e minhas costas, me guiando pelo corredor que eu não sabia onde ia dar. Eu olhei para você, tão alto, que me sorriu outra vez e parou me olhando. Era o meio do corredor do décimo andar e eu não sabia porque estava ali, ou você, sem eu saber, sem me avisar…Você disse que eu sou melhor ao vivo e eu disse que você também não é mal, você sorriu dentro de mim de um jeito que eu não sei explicar e ofuscou toda a cidade. Você me abraçou de novo mas antes que eu pudesse me encaixar no seu peito, me levantou no colo e continuou andando pelo corredor do décimo andar me beijando enquanto andava, enquanto meu coração parava. Eu não disse nada, porque não sabia como tudo isso estava acontecendo se eu estava acordada e não estava sozinha, porque não tive tempo desde que parei o carro para sonhar por um minuto. Você abriu a porta e eu vi as malas fechadas. Deduzi que você acabara de chegar e comecei a entender porque eu não sabia. Eu também não avisaria; chegaria e pegaria o telefone pra dizer “hey! O que você vai fazer daqui há meia hora?” Aí contaria que estou aqui, que vim te ver, que não podia deixar você sonhar comigo acordado para sempre assim, no vácuo dos pensamentos. E quando você me devolveu ao chão, eu vi tudo rodar e você me segurou, perguntou se eu estava bem e me beijou de novo. Me sentou na poltrona, parou na minha frente, sorriu com os olhos bem dentro dos meus, e disse tudo o que eu tinha pensado. Que você ia me ligar, que só veio para me ver, que não podia mais ficar assim, no vácuo dos pensamentos. Disse que não quis me avisar com medo que eu fugisse. “Fugir? De você?” Você estava mesmo no vácuo de alguma coisa,  ou saberia que é impossível fugir. Você segurou as minhas mãos e eu lembrei que queria as suas. Segurei as duas para mim e olhei os seus três anéis. Agora fui eu quem sorriu dentro de você e ofuscou todo o planeta. Eu beijei as suas mãos por existirem... e você entendeu o que eu quis dizer.
Deixa eu mentir para mim? Deixa eu achar que estou acordada e que não estou sozinha e que o seu sorriso está aqui ofuscando todo o universo.


quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Continuando o meu raciocínio...

Katt Williams, comediante de stand up e negão

Pra quem não entendeu, ele diz basicamente isso:

"As mulheres confundem a gente. Elas que confundem. A gente é simples.
A gente está cansado de estar na balada, chegar a mulher e...(dança do microfone. Hahah)

Depois da boate, vocês se tranformam em outra coisa!

- Oh!! Que tipo de garota você pensou que eu fosse?
- Eu pensei que você fosse piranha! Você era uma piranha lá, eu deduzi que você fosse uma piranha aqui. O que aconteceu quando a gente cruzou a linha do hall?"

Grosseria né? Mas ele tá cobeeeerto de razão. O pior é que é uma opinião masculina provavelmente compartilhada por milhares de milhões de outros homens de todas as cores, formatos e tamanhos.
Agora pensa...será que é mesmo super cool dançar até o chão se esfregando com o cara aquele da cueca aparecendo?
Ou eu to louca?
Me deu um ruim e eu fiquei moralista?
Hm...faz-me pensar...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

As voltas que o mundo dá

Beyonce se veste de bitch,
tem um namorado pimp,
mas pelo menos canta!!


Houve um tempo em que mulher que era mulher tinha que ser recatada. Moça direita e casadoira tinha que ter dotes: bordar, pintar, tocar piano, ler poesias. Escrever não! Nunca! Isso era coisa de homem. Moça de família sabia fazer quitutes, tinha as mãos suaves, treinava olhares singelos para o dia do baile. Dançava com distância de decoro (oficialmente 60 cm de distância do par). Rosto colado nem pensar.
Essa moça ia ao baile com o pai, permanecia sentada na mesa a espera de um gentleman que a tirasse para dançar, e carregava com ela o "carnet": - um caderninho onde cada interessado na próxima dança assinava seu nome. Diz a minha mãe que isto servia para que a menina pudesse calcular a que horas o pretendente poderia dançar com ela, e não esquecer nenhum deles. Balela! Isso devia servir como vigilância dos pais!

Os tempos mudaram, veio a segunda guerra, com ela algumas bases americanas espalhadas pelo mundo, com elas os soldados lindos de olhos azuis e com eles os filmes de guerra.
Ah meu deus! Segurem suas filhas! A mudança de comportamento foi instantânea. Nos filmes, enfermeiras lindas cuidavam dos feridos lindos com curativos sem sangue, nos campos de batalha limpinhos. Moçoilas se casavam com o amor de suas vidas, um dia antes deles entrarem num trem para algum lugar que os levaria à guerra e a, talvez, não mais voltar. Uma noite de amor e um beijo de despedida na estação poderiam ser tudo o que restaria daquela paixão enorme.
Ah!! Segurem suas filhas! Toda e qualquer menina, dos 14 aos 22, passou a sonhar com um soldado lindo loiro de olhos azuis só seu. Todas sonharam esperar pela volta de seu "Sweetheart", mesmo que não fossem capazes de pronunciar esta palavra. Todas sonharam casar com um Marine, ou ser voluntária socorrista nos campos de batalha. Algumas fugiram com gringos, perderam a virgindade e o sonho de revê-los um dia, pois em cada base, o lindo loiro de olhos azuis repetiria seu golpe, até voltar para casa e se casar mesmo com a velha e boa namorada da High School. Alguns pais conservadores que passaram a vida a guardar a honra das filhas, entregavam de bom grado a menina a um oficial que falasse enrolado. Aquelas meninas recatadas que antes iam aos bailes sob a vigilância dos pais, passaram a usar meia de nylon riscada atás, tailler quase militar e frequentar o que passou a se chamar Dancing, e andar na rua no final da tarde, que passou a se chamar footing. Desacompanhadas, elas tomavam Dry Martini, fumavam e se jogavam nos braços dos marines. A meta era casar com um homem loiro lindo de olhos azuis que falasse inglês.
E mais uma coisa mudou: com as baixas nos campos de batalha, a única maneira de sobreviver e manter vivos os países atingidos, foi mandar as mulheres para as fábricas. Muitos homens inválidos, muitas mulheres nas ruas.

Ainda dá tempo de segurar suas filhas?
Elas passaram a votar. Elas ganharam seu dinheiro. Elas decidiram coisas jamais imaginadas. Elas mudaram a alimentação do ocidente e fizeram o mundo ser obeso. Ok. Esquece essa parte...mas é verdade!
O que seria uma moça de família depois disso tudo? Que valores ela cultivaria desde o berço?
Rebeldes! Rebeldes!
Essas moças passaram a dançar rock! Aquela música barulhenta que ousou plugar as guitarras na tomada! As saias subiram, os namoros passaram a ser mais liberados. E a essa altura, moça direita ia ao cinema, mastigava chiclete, fazia algum esforço para ir para a faculdade, até trabalhava, sonhava casar e ter filhos, mas só depois de conhecer o Paul, o George, o Ringo e o John. Mais ainda bordava, fazia tricot, tocava um instrumento e atravessava a adolescência colecionando peças para o enxoval.
A sexualidade voltou então a ser inocente, em consequência da música que falava mais, mas fazia dançar mais longe. Um namorado já não precisava pedir autorização dos pais da moça, mas beijo na boca ainda era uma coisa escondida, e a virgindade ainda tentava se arrastar até o altar. Coitada...Já se arrastava então.

Pós rebeldia inofensiva, veio a GRANDE REBELDIA! Agora, mulher que é mulher faz passeata, é contra a ditadura, lê Marx, entende de política e aprendeu uma coisa nova: amor livre.
Nem vá pensando que isso foi geral. Não...muitas ainda bordavam enquanto outras queimavam sutiã em praça pública. Muitas casavam virgens enquanto outras amavam o Maharish e procuravam no sexo tântrico o verdadeiro nirvana. Woodstock, Janis Joplin, e vamos nós buraco abaixo procurar nas drogas a resposta para tudo. Faça amor, não faça a guerra, mas case comigo senão meu pai me mata! Nesta época, bonito era ter cultura, saber de política, não ser submissa, ser capaz de se sustentar e "meus discos, meus filhos e nada mais". Mulher que é mulher é independente e luta pelos seus direitos.
E elas usaram jeans e t-shirts. As camisetas sempre com uma mensagem política importante. Casaram por amor ou por compatibilidade filosófica, se formaram, fizeram filhos um pouquinho lesados e com nomes ridículos como Céu, Estrela, Luz do Sol, River Phoenix, Bob Dylan da Silva, mas que tinham os ideais dos pais. Prometeram lutar por um mundo justo e melhor, sem guerras, "imagine all the people living life in peace....oh oh oh...and the world will be as ONE!" As moçoilas aprenderam que revolução começa em casa, e foi em casa que elas começaram a mudar o mundo, ainda acreditando que seria possível.

E as mulheres dos anos 80 já não se preocupavam com a virgindade. Elas podiam transar com seus namorados, embora seus pais ainda fingissem que isso não aconteceria. Dançaram livres, vetiram roupas horríveis e casaram por amor. Foram buscar seu dinheiro, sua carreira e seu homem. Não faz mal se tivessem que sustentá-lo. Seria inimaginável para uma moça direita achar que dinheiro era mais importante do que o sonho, e buscando o sonho ela encontrou dinheiro. Anos 80 e 90, e o dinheiro passou a correr solto para quem não tinha medo de trabalhar. Liberdade já não era um problema. Igualdade já não era um problema. Virgindade já não era um problema. E elas ainda casaram, ainda tiveram filhos, mas largaram seus filhos com a empregada e na escola integral, já que seria inadimissível uma mulher que não honra suas calças. É preciso trabalhar para ter dignidade.

Essas crianças cresceram. Milhares de meninas de família criadas pelas empregadas e professoras despreparadas, foram para as ruas, para as faculdades, para o mercado de trabalho, para a balada! Ah....segurem suas filhas! Dá tempo ainda?
As "filhas da empregada" vivem no terceiro milênio e não conhecem os valores dos pais, nem dos avós, nem dos pais da amiga. Ninguém teve tempo para ensinar! Vieram as raves, e a black music, o boom da inernet e dos relacionamentos virtuais, e um novo conceito de vida. A vida sem futuro. A vida urgente e agora. Nas festas, é preciso beijar muito e transar muito, como se o velho "carnet" dos bailes de outrora tivessem voltado: anota aí...hoje beijei 10!

Para uma cantora fazer sucesso, ela precisa vestir pouca roupa, usar muito brilho, falar de dinheiro e namorar um cara que se veste como cafetão. Claro, estou generalizando, indo fundo na generalização e deixando de fora a MPB...mas a MPB também não interessa muito a essa geração. Valem os pimps e as bitches. Mesmo que baianos. É preciso rebolar, falar palavrão, ou cantar uma balada de amor deixando espaço para o pimp entrar e recitar seus versos cheios de "ass, money, fuck, bitch". Lindo demais! Sabe o que é pior? Eu AMO black music! Ha! Mas não queria namorar o cara vestido de pimp, nem ser uma das namoradas do Hugh Hefner. Mas parece que é isso que a geração que está por vir quer. Moça de familia que se preze tem váaaarias coisas da Playboy! É chique demais andar por aí com um boné da Playboy, ou um colar onde um coelho atingido por mil cristais svarowski, balança pra lá e pra cá.
- O que você quer ser quando crescer?
- A Kendra.
Wow....grandes ambições! Ali, uns dois parágrafos para cima, a gente sabia que quem fotografava nua para a Playboy era meio vagaba. Ou total. Agora não. Agora ela é FAMOSA! FAMOSA é o que todas querem ser!
A geração reality show quer fama a qualquer preço. Mesmo. Qualquer preço.
Dançar agora não exige distância de decoro. Ao contrário, dança melhor quem conseguir chegar a menos centímetros....do chão! Com a calça mais justa ou o short mais curto, moça de família que é moça de família sabe rebolar até o chão. E quando não é o chão que está próximo, é o corpo de alguém com a calça caindo e a cueca aparecendo. Gente!! Demais!
Entre um baile funk e uma festa regada a drogas sintéticas modernésimas, a contabilidade dos ficantes e um MBA pra garantir que, se a fama não vier, a grana vem.

Os tempos mudaram...


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Eraser


I can see you from where I am.
I can see the green light.
Strange…

I don’t feel like walking in your direction.
I don’t feel like talking, for you look like fiction.
I don’t feel I’m part of your dysfunction.

I guess your words have erased you.
I guess my sadness has killed you.

I can see you from where I am
So I look for what I once felt
But you’re not there…
You’re not even real.

I think my spirit has erased you.
Yes, sure...my heart has already killed you.


segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Ficando exigente?


Então eu sento e escrevo um milhão de histórias.
Então escolho uma ou duas e começo a desenvolver.
Então fico enchendo o saquinho das minhas colaboradoras pra pedir mais e mais histórias.
Então nunca acho nada do que faço bom o bastante.
Mostro para o Cláudio, que tem sempre os "por que não's" guardados na manga, como se ele fosse o mantenedor do senso de realidade de todas as histórias do mundo.
A gente se frustra e acha que nunca, nunca, nunca vai ter uma grande história para filmar.
Que chato!
Aí eu vou ao cinema. Não assim: Oba...vou ao cinema me divertir um pouco. Não! Sento lá por duas horas para ver o que faz um filme chegar aos pés daquela grande e inatingível estátua dourada. Então coloco os óculos (to ceguinha ceguinha!), deixo minha garrafa d'água à mão, me acomodo na poltrona com lugar marcado - sim...filme de Oscar merece certos luxos! - e penso: Pelo amor de deus, surpreenda-me!
Ai gente...que tédio!

1. No Country for Old Men (onde os fracos não têm vez): Tradução mais imbecil que eu vi nos últimos tempos. hahah! Esse cara que cria nome de filme em português merecia encontrar um caminhão na contramão!
Mas vamos a ele. História boa. Boa...fora o fato de uma criatura que encontra uma quadrilha inteira de traficantes mortos no deserto, deixa o único que estava vivo pra morrer lá pedindo água, e rouba uma mala com um milhão e meio de dolares; resolver ter um ataque de culpa de madrugada e levar água pro cara que tava morrendo. Hello??? Ele já mostrou que é uma pedra de frio. Ele nem ficou ofegante quando achou a chacina. Ele nem pensou em chamar a polícia! Culpa de madrugada??? Give me a brake! Pior que se tirar isso não tem filme!
Okay então...vamos engolir essa. O que mais eu tenho a dizer? Que nem a cara feia do Javier Barden me emocionou. Que no meu tempo quem fazia filme lento era sueco, russo ou alemão. Que a gente já viu "A morte pede carona" e depois dele mais 800 road movies com um maníaco perseguindo alguém com ou sem motivo. E que fora o filme acabar praticamente do nada - e com um belo texto - nada mais me surpreendeu. Tédio...

Ok...next!
Juno.
Ano passado eu já fiquei meio assim, achando que eu devo ser muito chata ou estar meio "fora da real" quando vi Little Miss Sunshine. Uma delícia de filme que eu veria na sessão da tarde e daria muita risada, mas que não sei muito bem o que está fazendo ali perto daquela estátua dourada. Pois é. Lá vem eles de novo premiar um filme assim.
Juno é delicioso. A Ellen Page justifica a indicação por um único motivo: se o filme fosse protagonizado pela Lindsay Lohan ou pela Hillary Duff, ou qualquer outra atriz de filminho adolescente, a gente não ia nem acreditar que a Juno tava grávida, nem achar que ela transaria com aquele garoto feio sem pelos nas pernas.
Pois bem. E o resto? O resto é bonitinho. As pessoas trabalham bem. A história é bem conduzida. Você quase acredita que vai dar uma caca muito grande que não rola. Filme bom. Bem bom. Mas podia passar domingo à tarde no Disney Channel. Oscar? Hm...tem alguma coisa errada com a Academia.

O Caçador de Pipas: chorei as entranhas! Mas era previsto. Todo mundo sabia que num determinado momento a gente odiaria o Amir, depois ele iria se redimir da maneira mais complicada possível. Ok ok...Quem não leu o livro, leu a orelha do livro. Quem não fez isso leu algum resumo numa revista semanal, ou escutou de uma senhora da família que passou o almoço contando o livro, num dia qualquer.
Mas o que você imagina quando eu digo "TORNEIO DE PIPAS NO AFGANISTÃO"? O que você vê quando pensa num céu com milhares de pipas voando, duas vezes o número de pipas em crianças nas lages de milhares de casas? Pois eu vejo uma cena linda! Cinematográfica ao extremo, quase mágica e surpreendente. E se eu digo que o filme abre em San Francisco, num parque em frente à San Francisco Bay com a Golden Gate no fundo? Eu vejo uma cena linda...
É... isso eu. Parece que o diretor de fotografia do filme não viu bem assim. Essa criatura perdeu no mínimo 20 oportunidades de fazer um cinema bonito, trocando tudo pela fotografia mais crua e feia que eu vi desde algum documentário sobre favela. Fora o elenco feidimás...mas isso não tem muita saída, já que o Afganistão não é muito dotado de pessoas com a beleza que para nós é bela. Pelo menos só está indicado a melhor música...se estivesse indicado para melhor fotografia, eu ia cortar os pulsos.
Fora isso, tem um Taliban que aparece no fim do filme que eu jurava que era o Jim Morrison. A única pessoa no elenco que não podia, de jeito nenhum, parecer nascido na Califórina, parece até que surfa! Pois bem, era o Jim Morrison disfarçado de Taliban. Péssimo.

Ainda falta Michael Clayton e Sangue Negro. Fora os que chegaram perto do Oscar: A Mighty Heart, Elizabeth - the golden age, American Gangster, La Vie en Rose, Into the Wild, Sweeney Todd.
Tendo visto mais de 50% dos indicados a melhor filme - Desejo e Reparação, Onde os Fracos não têm Vez e Juno - eu posso dizer que TIENGO PAURA!!!
Foram os caras que perderam a mão, ou eu que fiquei muito chata? Até agora só Desejo e Reparação tem cara de filme para Oscar. Estou rezando pra Michael Clayton e Sangue Negro me surpreenderem (ponho mais fé em Sangue Negro, na verdade). O resto não sei...acho que me perdi.
Alguém acha uma máquina do tempo porque eu quero voltar pros anos 90! Eu preciso de Fargo, O Piano, Forrest Gump, Braveheart, American Beauty, Schindler's List, O Silêncio dos Inocentes....Socorro!!


Buenos dias.