quarta-feira, outubro 31, 2007

Insônia

Click here for english

Fui me deitar as 3 da manhã por pura obrigação mas sem sono. Milagrosamente dormi até as 5:30 quando o despertador do Claudio tocou avisando que ele tinha que ir para a locação. Acabei levantando, fazendo uma vitamina pra ele, ajudando em coisas que ele não pediu e ele se foi. Eu não gosto quando ele não vai sorrindo. Queria que ele pudesse sorrir 24 - 7, mas ele diz que nem tudo na vida é o meu mundo cor-de-rosa. Que droga! Por que não? Se não para o resto do mundo, porque não para as pessoas que eu amo? Simplesmente não consigo fingir que não vejo, então faço vitamina de papaia, que é quase cor-de-rosa, abraço forte, me penduro, e beijo cor-de-rosamente sua boca de papaia, como se isso mudasse a cor do seu sorriso.
Voltei para a cama achando que dormiria até as 9 sem interrupções. A manhã ainda era noite, por isso fresca. Entrava um vento gostoso pela janela do meu quarto, o ventilador de teto e um edredon gelado...meus 350 travesseiros fazendo o contorno perfeito para que qualquer posição seja um convite aos sonhos....e eu acordada.

O relógio gritava histérico a cada dois minutos tentando me convencer a fechar os olhos, mas meu cérebro não pode parar. Uma retrospectiva dos últimos meses, uma visita aos próximos anos, tentativas de entender minhas ações e meus sentimentos. Escuto a voz da minha mãe dizendo sua palavra preferida: "Analisemos...analisemos..."

Fui tão longe enquanto o relógio tentava segurar o ponteiro dos segundos como Hiro Nakamura; fiz contas, quantos anos, quantos meses, quantos dias, quantas contas, quanto é justo, quanto, quanto, quanto... Lembrei de pessoas, lembrei de coisas e meu cérebro estriquinado como se eu cheirasse, parecia um letreiro de aeroporto mudando os vôos e os nomes das cidades....no meu caso, mudando o nome das pessoas, os assuntos pendentes, as vontades e frustrações.

Entre um tic e um tac, meu amado Chris Isaak veio cantar pra mim.
- Hey...o que você está fazend na minha cabeça?
- Você me chamou.
- Foi só um pensamento. Essa música não sai da minha cabeça.
- Só a música?
- Uma música nunca está sozinha...
- Behave. - Ele responde como sempre e vai embora mas esquece de levar a música que continua gritando: "I never dreamed that I'd meet somebody like you..."

Ao som da voz nova do Chris outras pessoas vêm me visitar. Nem todas foram convidadas, nem todas eu queria ver. Algumas aparecem e dizem só uma palavra, outras sorriem para me lembrar que eu deixei alguma coisa para trás. Eu deixei muita coisa para trás...só queria saber onde foi que eu ME deixei. Eu procrastino...I procrastinate...je empurré la vie com la barrigue e em noites de insônia a vida vem me pegar! E as frases - minhas e de outros - que martelam minha cabeça numa total e nonsense desordem:

"I don't want my experiences in blogs. They are not yours!"
"There's no substitute for enthusiasm, no substitute, no substitute, dammit."
"I wish I had Mark Zupan's strength"
"Imagination! imagination! Is it really more important than knowledge? I'd like to be wiser, Mr. Einstein...my imagination kills me somehow"
"Evolution is an imperfect and often violent process"
"I'm tangled in my blanket of clouds, dreaming aloud"
"Read my soul, not my words!"

"My name is Dito Montiel and I'm gonna leave everyone in this film"
"Passing hearts, passing hearts...so sad"
"I don't know how to play this game of yours"
"Remember, remember, the 5th of november..."
"in the heart, not in this land or that. Lasting victories are won IN THE HEART"
"I don't miss those days, I miss you!"
"Send god, don't send Jesus...this ain't no place for children"

Esquizofrênica assim....meu cérebro pensa o tempo todo em duas línguas. Alguns pensamentos não se processam em português, alguns sentimentos...não. Nenhum. Eu sempre fui maluca, sempre tive amores imaginários, aprendi inglês sonhando - tanto dormindo quanto acordada - desde pequena sabia que se havia uma única coisa que eu realmente precisava fazer na vida, era ser fluente em inglês. Mas minha preguiça de estudar sempre foi maior do que eu, então algo quase sobrenatural me fez aprender, do nada. Desde então meu cérebro não distingue uma língua da outra, mas sim um sentimento do outro, usando o português para o que é lógico e o inglês para o que não é. Já me pediram para cortar o "anglicismo" - blegh! palavra pseudo-antipática - Isso seria auto-mutilação.
"I need to sleep. I need to sleep. I need to sleep"
Outubro foi um mês estranho, e talvez neste último dia eu precisasse catar feijões, separar o bom do ruim, ver se ainda sobrou algo bom para guardar. Outubro provocou mudanças para as quais eu nunca me preparei. Um ponto final. Não reticências. Um grande e redondo ponto final numa sensação antiga de futuro suave. Futuro companheiro de todas as horas, futuro que preenchia o coração em dias vazios. Um ponto final que alivia e pesa como o peso do vácuo.
"It's empty out there" é a outra voz que escuto enquanto enfio a cabeça no travesseiro. Eu quero dormir!

- Nighty night, Miss Mercedes.
- Sing to me, Christopher.


sábado, outubro 27, 2007

Pain


Quando eu fiz essa foto, achei que parecia carne.
Algum órgão humano despedaçado por uma dor profunda.

Hoje, olhando para ela de novo,
descobri qual parte do corpo
pode ser estraçalhada,
esfacelada em mil partes vermelhas,
atravessada pelo metal frio,
ardendo como pimenta.

Yeah!
My version of a broken heart.


Foto: Mercedes Gameiro, euzinha, MgMyself - 2005

quinta-feira, outubro 25, 2007

TPM Suporte


Digite por favor o número do seu pedido de serviço. Pee, pee, pee pee, pee, pee. Para pessoa jurídica, digite 2. Para pessoa física, digite 3. Para mandar a HP introduzir a sua impressora, digite 4!
Você já tentou encontrar uma forma de consertar uma impressora HP? Tenta. É interessante. Se sua vida anda aborrecida, calma demais, sem grandes acontecimentos, é a grande pedida.
Faz assim. Vá até um lugar que venda super-mega-hyper-impressoras e gaste uns bons pilas em uma que seja scanner, fax, impressora de foto, copiadora e faça massagem nas costas.
Use-a normalmente durante dois anos no máximo. Não precisa usar muito...só quando você tiver que imprimir roteiros de 120 páginas umas 12 vezes. Mas isso nem é muito. Assim que você precisar MESMO, ela vai pifar. Não assim...pifar sem dar nenhuma esperança. Só vai fazer um barulho estranho e se recusar a imprimir. Pronto! Pode começar a aventura!

www.hp.com.br. Bingo! Agora tente descobrir como acessar o suporte. Leva mais ou menos umas quatro horas, contando todas as vezes que você vai desistir. Ah achou! Lá diz: recomenda-se suporte via chat. Oba! Isso é rápido. É...bem rápido se irritar no chat da HP.
Você vai falar com pessoas estranhas. Na terceira pessoa, vai ter a incômoda sensação de que tudo não passa de uma pegadinha, porque o primeiro atendente se chama Yuri, o segundo Hudson, o terceiro Robson. O que é isso? Parecem todos virtuais demais, mesmo pra um suporte via chat! Mas tudo bem. Depois que você não conseguir acessar o chat antes de digitar o número de série, modelo, sistema operacional, seu e-mail, etc etc... O Yuri vai dar bom dia, perguntar no que pode ajudar e você vai contar a ele toda a sua longa história. Quando você achar que ele vai começar a responder, lá vem: "Para darmos prosseguimento ao atendimento, precisamos que algumas perguntas sejam respondidas". E adivinha quais são? Todas aquelas que você respondeu PARA ENTRAR no chat. Quando você falar com o Hudson, apesar do seu nome aparecer antes de cada frase, ele vai achar que você não é quem diz ser:
Mercedes: não consigo ligar nem desligar a impressora.
Hudson: o senhor tentou tirar da tomada?
Mercedes: óbvio!
Hudson: O senhor pode aguardar mais um instante?

Well...o senhor já está irritado que chegue...
Bom, pra encurtar a história, Yuri me perguntou se eu já tinha tentado tirar a impressora da tomada e ligar de novo. Esta foi só a primeira vez que eu exclamei: "Você só pode estar brincando comigo!"
Yuri tentou um full reset que eu avisei que não adiantaria, mas espiões russos não confiam em mulheres! Depois de confirmar que não dava mesmo certo, me mandou levar a pobre impressora para a assistência autorizada. Levei. Chegando lá, escuto: ah...esse equipamento já está obsoleto e não tem conserto.
COMO ASSIM???? "Você pode dar esta como entrada numa nova mas não vale a pena, porque nós vamos comprar no mercado e vai ficar caro!"
Uh???
Voltei para casa cuspindo fogo, corri para o chat da HP. Hudson! We have a problem! (trocadilho péeeeessimo). Contei a história para Hudson que me disse que a informação não procedia. Eu deveria então voltar no mesmo lugar, com a impressora de muitos quilos no colo e tentar convencer a mocréia de que a criança está doente mas não é terminal!
"Diz pra mim que você está brincando!"
Ele não estava, e para provar que falava sério, copiou e colou uma lista de 12 assistências técnicas HP em São Paulo, sendo que a mais pertinho era em Diadema. Ai meus sais!! Fiz um comício particular para Hudson sobre "O CONSUMIDOR E SUA FALTA DE PACIÊNCIA", seguido de um pedido: "Quero um documento da HP que diga que o equipamento tem conserto, ou eu não levo a lugar nenhum e vou comprar uma Lexmark de 100zão sabendo que não vai durar, mas pelo menos não vou ser enrolada."
Hudson, o grande rio dos chats de suporte, prometeu que mandaria por e-mail a conversa que tivemos para servir de documento. Você mandou? Nem ele!
Volto ao suporte e finalmente consigo um número de telefone para ligar. Isso apenas para confirmar que a HP é super bacana e não vai fazer a velha impressora cansada funcionar. Ela vai fazer melhor: vai facilitar a compra de uma nova muito melhor, mais moderninha, que além de massagem, faz cafuné. Puxa que bom! Pela metade do preço! Puxa que ótimo! E vão entregar em casa! Nossa...que demais! E à vista. Ah...
Como assim, à vista? Eu nem queria comprar nada e agora tenho que pagar à vista? Eu só queria ver a velhinha cuspindo folhas de papel escritinhas...quanto era mesmo a metade do preço? UM MONTE!
Pois...o que não tem remédio, remediado está. Comprei a desgraça da impressora. Fiz tudo como me mandaram. Fiz uma transferência bancária antes das 19 horas do dia 23. Mandei o comprovante para o e-mail que a Monalisa me deu.
(Ah, sim! Esqueci de contar: os atendentes virtuais são importados. Os telefônicos são obras de arte: hoje falei com o Davi estou com medo de ligar amanhã e falar com a Vênus ou o Pensador em pessoa). Só que o e-mail que a Gioconda me deu não funcionou. Ok...não me preocupei.
Que anta! Hoje liguei só por desencargo de consciência e , falei com o Davi - mas não perguntei se ele estava pelado, nem por que razão o bim bim dele é tão pequeno. Adivinha o que eu descobri? Que "este e-mail está mesmo com problemas." Bom, confirmei o pagamento, perguntei quando receberei a minha super impressora carézima pela metade do preço e em casa.
- Sete dias úteis, senhora Mercedes".
- Você só pode estar brincando comigo! Eu fiz o pagamento dia 23 para receber a impressora em sete dias úteis. Hoje, dia 25, você me diz que tenho que esperar os mesmos sete dias úteis?
- Sim, porque os dias são contados a partir da comprovação do depósito.
- Mas o depósito não foi confirmado antes porque vocês me deram o e-mail que não funciona.
- Desculpe o procedimento errado da nossa companheira, senhora, mas esta é a regra.

Resumindo: toda e qualquer ação da HP, definitivamente, só é boa para ela!
E eu que só queria imprimir um texto, estou estrebuchando a minha TPM há 5 dias.

Depois de tudo isso, eu jurei a mim mesma que passaria uma semana sem falar com suporte de coisa nenhuma. Mas assim que entrei no site da HP para escrever uma reclamação indignada no "Fale conosco, se conseguir", a internet caiu e eu tive que ligar para a Telefônica. Você não quer saber como foi essa outra ligacão, mas eu posso adiantar que:
1. Me perguntaram outra vez tudo o que eu digitei para entrar
2. Perguntaram se eu restartei o modem e o computador
3. Mais de 3 vezes eu exclamei: "Você só pode estar brincando comigo..."



terça-feira, outubro 23, 2007

Que não seja imortal, posto que é chama

Tudo na vida tem um fim - já dizia Sérgio Amon quando ainda me conhecia - menos a linguiça que tem dois.
E eu fico sentada aqui no meu troninho de observadora passiva da vida alheia, assistindo de camarote os fins inevitáveis de coisas impensáveis. São amizades de milênios, daquelas que você jura que as pessoas já nasceram grudadas, que estarão para sempre juntas, e de repente, bluft! It's over. Sociedades perfeitas tanto na vida pessoal quanto na profissional, que se desfazem sem muita explicação, sem muito dizer porque.
É como se, do nada, o fluído que os mantinha unidos perdesse a validade.

Eu tenho sempre medo da empolgação que uma amizade ou um amor envolvem. Sabe aqueles primeiros meses incríveis de achar semelhanças, experiências idênticas, gostos e manias? É como a lua de mel entre amigos. Nesta hora só se vê perfeição, e se tem aquela sensação maravilhosa de que quanto mais iguais, mais almas gêmeas seremos, contrariando todas as leis da física.
São os meses de espelho. Está no pacote: quanto mais parecido comigo você for, mais "pra sempre" eu vou te amar. Se fôssemos adolescentes, sairíamos escrevendo por aí "BFF" (best friends forever). Mas para saber se tudo isso funciona, basta freqüentar os álbuns adolescentes do Orkut. Eleja uma pessoa, corra para o álbum desta pessoa uma vez por semana durante três meses. Vai ser fácil saber quanto exatamente é "for ever".

É claro que será preciso manter as devidas proporções: somos adultos agora, então nada será tão passageiro quanto na adolescência. Já sabemos que as verdadeiras amizades são raras e levam anos para ser construídas. E é por isso que ainda nos supreendemos quando dois grandes amigos que dividiram a vida, aprovaram ou desaprovaram as namoradas do outro, participaram de todos os momentos, dividiram apartamento, bebida, prato de comida, carro; se separam.
Mas não entendo a surpresa, se existem famílias que se separam. O que falta para que estas duas pessoas consigam realmente viver juntas para sempre? Sexo? Não sei...existem esses casos também - amigos que acabam dividindo a cama e que um dia também se separam.

O grude é o problema e a solução. Grudar faz você se cansar rápido da pessoa errada. Grudar faz você esgotar de uma vez todas as ilusões e descobrir defeitos, o que acaba ajudando a avaliar se você é capaz de suportar aquela pessoa para o resto da vida. Depois disso vem o aceitar. Depois o relevar. E por aí vai até o tal do "pra sempre".

O fato é que o fim, qualquer fim, não deveria nos surpreender, já que somos adultos e sabemos que "para sempre" não existe. Eu ouvi muita gente criticando a frase final deste poema do Vinícius, quando ele diz "que seja infinito enquanto dure".
- Então o amor é descartável?
- Então você entra num relacionamento esperando que ele acabe?

Não! Esperando não. Mas coisas acabam. A vida tem um ciclo. Se um amor ou uma amizade começam é porque um dia acabarão, senão com uma briga, com a morte. Todo grande sentimento acaba fatalmente em lágrimas, e não é por isso que vamos deixar de vivê-lo ou prezar por ele. "Para sempre" é uma visão egoísta e escapista, uma negação inconsciênte da morte. Quem é você, cara pálida, para achar que PARA SEMPRE é enquanto VOCÊ viver?
A vida na terra teve início em 24 de setembro de 1961 e se extinguirá no dia da minha morte?
Não seja assim...considere pelo menos o dia do nascimento do Thomas Edison e do Bill Gates, já que você não seria nada sem eletricidade e o seu computador!

Para sempre é para sempre - milhões de anos, vários séculos, muitos milênios...e pouca coisa dura tudo isso. Mas você pode deixar uma obra ou um grande feito que não supra apenas as necessidades momentâneas da população - como criar o Google, por exemplo. Não! Precisa ser muito infinitamente maior do que o Google para que dure mais um aquecimento global, mais uma era glacial...sim, porque ISSO é para sempre ou nem isso.
Mas se isso for grande demais para você, o negócio é viver sua vida num pra sempre diário. Tipo "a vida é hoje". Eu ganhei uma caixa de fósforos com um palito só. Nele estava escrito "agora". É isso. Agora é já, e acaba rápido. Pra sempre é já, e acaba rápido. Você acaba rápido se comparado à existência do planeta.

Então que mal há em achar que tudo é infinito enquanto durar? Até o planeta está acabando...Ele é gigantesco para nós e ínfimo se comparado ao universo. Dá para se tirar uma grande lição daí: a vida é gigantesca para nós, e ínfima se comparada ao tempo como um todo. O que fazer então? Abandonamos o planeta já que um dia ele vai acabar? Abandonamos a vida já que vamos morrer? Saímos matando e fazendo tudo de errado, já que talvez não haja céu e inferno e a vida eterna seja uma farsa? Nah!! Vivemos. Vivemos agora e hoje, e mais uns dias, só para garantir uma continuidade do que fazemos aqui. E enchemos esses dias de significados e momentos fortes, bonitos bons, considerando e reconhecendo que há um fim para tudo. O fim não é a desgraça de tudo. Ele é o motivo para que a gente risque este fósforo e aproveite os segundos de luz que vêm dele. É o que temos. Prezemos!
E mais...

...que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure.




sábado, outubro 20, 2007

quinta-feira, outubro 18, 2007

Frase do Dia


Em dias de mau humor, as mulheres costumam ficar 100 vezes mais inteligentes do que o normal. Isso, é claro, as que são inteligentes -- as que tem HUMOR.

Humor é sinal de Q.I. avantajado, assim como a ironia e o sarcasmo. Só pessoas inteligentes são capazes dessas três coisas sem ser chatésimas. E não tem nada pior do que humor burro.
Pessoas sem graça têm um tipo sarcasmo ridículo que não faz rir a ninguém além delas próprias, se é que são capazes de entender a própria piada.

Um homem sarcástico, inteligente e irônico, costuma fazer uma mulher rir. PERIGO! Se um homem faz você rir, você vai se apaixonar por ele. Claro, se você for inteligente. Do contrário, você não vai entender o tipo de humor dele e vai achar o moço um mala. Neste caso, é melhor você assistir Zorra Total ou Tom Cavalcanti para se divertir a valer somando o seu Q.I. (quem irrita) com o brilhantismo daquelas piadas incrivelmente sem graça.

Aliás, parece que já existem testes de Q.I. sendo desenvolvidos com base em programas humorísticos:

1. Com que freqüência você ri vendo Zorra Total?
a) Dou muita risada
b) Rio 3 vezes por episódio
c) no máximo uma risada por sábado
d) Quando passa isso?

2. Caso você consiga rir vendo Zorra Total, sua risada é:
a) HAHAHAHAHAHAHAHAAH! QUA QUA QUA! HAHAHAHAHA!
b) hahahahahahahah! ai ai!
c) ha!
d) Não tive esta experiência.

**não conta pra ninguém, mas se a resposta à pergunta 2 for A, você não passa nem em teste para estátua de praça

Então...concluindo o meu raciocínio, mulheres inteligentes ficam maravilhosamente brilhantes quando estão de mau humor. Se elas se irritarem com o namorado, com o ex, com a ex do namorado ou com alguém que deu uma medida na farmácia, tornam-se geniais. Já os homens...não sei...já disse que eles preferem chutar umas latas quando estão chateados.

Bom, tudo isso para avisar que os dias têm sido engraçados.
De tanto mau humor do tipo C - contagioso, eu e um batalhão de mulheres amigas estamos nos superando (Sim...somos inteligentes e modestas). Baseando-me em coisas ditas e escritas nos dias que passaram, elegi a frase do dia. Aliás...duas.
Lá vai:

"Homens são tão previsíveis que dá vontade de discutir física quântica."


"Depois que o Pateta me pediu um cigarro no posto de gasolina, ao lado do buffet infantil, estou escrevendo sobre suicídio coletivo."


Frases de
Flavia Melissa - uma mulher de refinado mau humor




***imagem: placa para a porta da sala da Mari Heller, diz: seja inteligente, ou caia fora!

terça-feira, outubro 16, 2007

Um beijo do Johnny Depp


Nunca fui muito de tomar refrigerante. Como eu sou curitibana nascida nos anos 60, tive que passar por aquela experiência terrível que é ter que tomar Laranjinha Cini, Gengibirra, Gasoza de Framboeza. Eca...Todas aquelas coisas doces demais que estragavam o gosto do brigadeiro no aniversário.

Curitibano é um animalzinho estranho. Odeia tudo o que é de lá. Faz cara feia quando vê outro Curitibano fazendo sucesso fora de Curitiba. A reação é como um espasmo invonluntário: a boca torce, a testa franze e a voz pronuncia alguma coisa tipo "ah! esse cara estudou comigo...era uma anta!". Ou então aperta o play na memória inútil e conta alguma passagem podre da vida do incauto que só fez cuidar da própria vida, e deu certo. Mas na hora de consumir, adora as coisas locais. É o que acontece com Gengibirra e a Gasoza de Framboeza. A breguice do rótulo é equivalente ao Guaraná Dolly, o gosto é gosto de infância pobre, embora crianças de todas as classes tenham bigode vermelho em Curitiba.
A boca azeda depois de um copo de Gengibirra. Se você tomar mais de dois copos de gasoza, em uma hora vai estar sentindo cabelos na língua. Nada produz maior efeito-língua-peluda do que Gasoza Cini. E o aroma é de lancheira de plástico! Um horror.

Então...eu nunca fui a fim de refrigerante. Quando casei, fiquei chocada com a quantidade de Coca-Cola consumida pelo meu marido (que é também um consumidor de Gengibirra profissional. Eca!). Isso porque na casa da minha mãe, coca-cola era coisa pra ter domingo, se tiver visita. A vida toda tivemos na mesa uma jarra d'água e um garrafão de vinho.
Mas, a gente vai abrindo a guarda para agradar marido...quando vi, tinha passado a tomar coca-cola e gostar muito!

Quando a minha filha tinha um ano e pouco, o ortopedista sugeriu uma tala que ela usasse todos os dias para forçar o tendão de Aquiles a alongar. Pois...fui com ela até a A.P.R.- Associação Paranaense de Reabilitação - único lugar em Curitiba que faz órteses.
Entramos na sala do molde. Era um terror. Lembrava algum hospital abandonado de filme tipo Expresso da Meia Noite, ou Twelve Monkeys...a sala pintada de uma cor feia, descascada, meio verde meio suja, com respingos de gesso no teto, nas paredes, na maca. Uma maca enferrujada pavorosa, e um enfermeiro de jaleco puído, com cara de mau, forçando o pé dela para uma posição que, antes da cirurgia, não era natural. Tudo um terror. A Natasha berrava como se estivesse indo para a forca (ela ainda é escandalosa-mexicana-doida), e eu tive vontade de arrancar a minha filha dali à força. Ninguém deveria ter que passar por coisas assim.

Assim que cheguei em casa, fiz uma promessa. "Só volto a tomar Coca-cola quando ela ficar boa".
Wow. Foi difícil! Água com gás e limão espremido passou a ser o manjar do deuses, só porque tinha umas bolinhas! Era sofrido assistir alguém virando um mega gole gelado de Coca. Mas eu consegui. Foram 4 anos sem chegar meus lábios perto de uma lata prateada.

A gente se mudou pra Los Angeles, a gente voltou de Los Angeles, a Natasha operou a perna, foi melhorando cada vez mais, hoje mal se percebe o problema que ela teve. A escoliose que era esperada não apareceu, o RPG arrumou a postura dela e vai continuar arrumando porque ela nunca vai deixar de fazer, ela dança, pula, se arruma, usa saia, está com 1,70m, magra, tem um andar só dela, é feliz. Que lindo!

Mas e a Coca-cola? Quando eu vi a minha filha no palco do Guairão numa apresentação de balet clássico, na fileira da frente, toda linda e retinha, com postura de princesa, tomei a primeira Coca em 4 anos. E foi como morrer, ir pro céu e ser recebida pelo Johnny Depp me chamando de my love e me beijando na boca. Que glória! Redenção! Recompensa! A vida não é nada sem uma lata de Coca light gelada. Uh hu...
Me fartei de Johnny Depp! Passei a tomar, sagradamente, uma lata por dia e os anos passaram. De 2006 pra 2007, eu estive sentada muito mais tempo do que nos outros 45 anos da minha vida. Sentada na frente desta minha tela gigante, martelando incansavelmente o teclado, escrevendo feito uma desesperada. Dois foram os meus companheiros da uma da tarde às duas da manhã, todos os dias: o cigarro e a coca-light.
Semana passada - acho que na quarta - olhei para o lixo aqui embaixo da minha mesa e vi que ele estava cheio. Foi quando descobri que, em um dia, eu tinha tomado SETE latas de Coca Light, e nenhum copo de água. CREDO! Isso é mais de dois litros!

Parei pra pestar atenção e percebi que eu vinha fazendo isso há meses. Então decidi outra vez: a partir de sexta-feira, dia 12 de outubro de 2007, eu não tomo mais coca-light. E achei que fosse mole. Mas não. É um vício mesmo. É doença. De sexta-feira pra cá em descompensei. Eu me irritei. Eu briguei. Eu tive cólica, dor de barriga, enjôo, diarréia, tontura! Tive ataques de mal humor quase assassinos. Precisei fazer café no meio do dia e colocar um monte de cafeína para dentro pra compensar, e respirar fundo milhares de vezes para me suportar - sim, porque eu estou insuportável. Consegui brigar com a pessoa mais doce do mundo...E comigo mais do que tudo. Crise de abstinência! Dói. E dói dentro do cérebro. Dói no estômago. Dói na boca. Dói no pensamento. Dói no sono. Dói na paciência.

Então, amiguinhos...Está complicado. Eu achei que um dia fosse passar por tudo isso para parar de fumar, e descobri que o cigarro estava me fazendo menos mal do que a Coca. Que ironia!
Por isso, vou acender um cigarro, bater a cabeça na quina da mesa até sangrar, depois tomar um enorme copo de água tentando fazer com que pareça um beijo na boca do Johnny Depp!
Aff! Dá vontade de domir até tudo isso passar.

Bom dia, pra quem está de bom humor.
(manda um pouco pra cá)


domingo, outubro 14, 2007

Ms. H as in Heart

Mariana Heller por Rafa Pedro


Hoje ela me disse que quando chega em casa meio deprê, lê o meu testimonial e melhora.
Eu achei lindo! Eu sempre acho lindo quando alguém me diz que eu ajudei a melhorar alguma coisa. Não que eu queira ser canonizada quando morrer - só um papa chapado faria uma barbaridade dessas! - mas é sempre gostoso justificar a existência. Eu nasci para que? Que utilidade esse corpinho com uma cabeça aloprada e esquecida em cima tem, para um mundo habitado por muito mais gente do que cabe nele?

Faz as contas aí, você que consegue, porque eu já assumi a minha incapacidade de saber quanto é qualquer coisa acima da tabuada do nove: quanto de bem eu posso fazer que atinja um número de pessoas maior do que 5? Quanto dos meus escritos poderia chegar a pessoas que realmente sofrem, e - por sorte - que elas saibam ler, e mais sorte, que tenham se alimentado o suficiente na infância para que consigam entender o que lêem, e por uma sorte caída do céu e ainda maior, que tenham tempo, disposição e um segundo de não sofrimento para dar importância a uma frasezinha que possa mudar alguma coisa?
Complicou? Imagina pra mim...

Como eu não sou a Angelina Jolie, eu não viajo o mundo adotando crianças. Até porque se eu fosse adotar criancinhas, faria isso por aqui mesmo, que está cheio de criança pedindo pelo amor de deus uma família. Como eu não sou o Bob Geldof, eu não faço concertos mundiais para arrecadar grana pra fome na África. Como eu não sou o Bono, eu não vendo pulserinha branca para salvar o mundo da Aids e da fome. Como eu não sou o Al Gore, eu não conscientizo o planeta de que ele pode acabar (por isso não vou ganhar um Nobel. Droga!)

Okay...agora quem deprimiu fui eu! Que meleca de ser humano sou eu que não faz nada disso? Que ínfima, que patética, que minúscula, que insignificante! Essas pessoas não tem nada - ou quase - de diferente de mim. Elas fazem cocô, sabia? Elas têm dor de cabeça. Elas sentem ciúmes. Gostam de sorvete. Têm coceira no nariz. Por que eu não posso salvar o mundo? Que loser!

Não, não é exagero. Agora meu texto perdeu completamente a função que tinha. De um segundo para o outro, só por causa de um parágrafo, eu me tornei um grande zero à esquerda e comecei a achar que estava escrevendo um texto penitencial, daqueles onde a gente se justifica um monte para dizer que é um bosta, mas não tem culpa! Deixa eu tentar parecer bonitinha na foto e me justificar:

Eu não posso ser como eles, porque não sou celebridade, não ganho 20 milhões por filme, não fui quase presidente, não canto bem, não nasci falando inglês (bela justificativa de araque), mas eu posso usar a velha frase que nasci ouvindo: "revolução começa em casa". Se eu atingir 3 pessoas dentro da minha casa, essas 3 podem atingir mais 3 cada uma , que vão atingir mais 3 cada uma...e eu não sei taboada, mas lembro de progressão geométrica.
É muito mais fácil plantar erva daninha do que ervas que curam...elas pegam mais rápido e se alastram por tudo. Mas as ervas que curam também podem se alastrar numa progressão rapidinha.

Funcionaria mais ou menos assim: eu adoro a Mari Heller e escrevo uma coisinha para ela que causa um sorriso de tranqüilidade quando ela lê. Ela, que estava deprê e irritada, se acalma e não briga com o roommate dela, ao contrário, faz alguma coisa que o agrade. Ele, que estava num dia meia boca, fica feliz e não briga com o baterista da banda. O baterista que achava que ia tomar uma bifa porque saiu do tempo no ensaio, dá uma gorjeta decente para o garçom no bar depois do ensaio....e assim vamos...pequenos gestos que "fazem o dia" da pessoa ao lado, podem mudar o dia de uma pequena multidão. Isso não é nada se comparado a mandar toneladas de alimentos para o Sudão. Mas talvez alguém no Sudão precise muito mais de um abraço do que de um quilo de arroz caindo de um avião. Ou os dois? Ou alguém que leve um prato até ele quando ele está fraco para correr atrás da rasante do avião da ONU? Who knows?

Anyway...vim aqui para falar da Mari Heller. Ela não está no Sudão. Ela não precisa ser adotada. Ela não tem fome. Ela não tem um drama terrível. Ela só existe e está mais perto de mim do que as pessoas na África, e por isso eu digo pra ela que acho ela demais, todas as vezes que posso. Se isso enxugar uma lagriminha dela, pode sair enxugando milhares. Então, pra ela não chegar em casa meio deprê na próxima semana, eu vou colar aqui o testimonial que eu escrevi pra ela no Orkut. Depois, eu vou cuidar do meu dia, bem bem feliz, porque o scrap que ela me mandou me deixou assim, e em progressão geométrica, vai salvar o dia de uma pequena multidão.


She mixes the good and the bad.
She's the calm inside craziness, the lasy river inside a thunderstorm.

Halfway to hell and halfway to heaven.
Or should I say Hell "is" heaven?

Ms. H and in Heart.
Yes, sir...I do love her!


Bom dia, flores do meu dia.

P.S. Hoje é Domingo, dia de www.postsecret.com


sábado, outubro 13, 2007

Saudade

self portrait


Saudade do tempo em que a vida era tão imediata que a saudade quase não existia.
Saudade de não saber planejar, nem pensar no futuro, quando um ano eram imensos 365 dias. Impensável eternidade! Estrada quase sem fim! Saudade da irresponsabilidade e das dores passageiras; das vontades pequenas, por isso imediatas.
Saudade de quando a morte era uma entidade. Uma coisa distante que só acontecia com os outros, só longe de casa, e lágrimas eram associadas a broncas e abstinência de pequenas bobagens. Saudade de nunca ter ido a um velório, nunca ter pago um caixão, nunca precisar enxugar lágrimas que não fossem minhas, nunca morrer de pena de uma mulher que chora a falta do marido, simplesmente por nunca ter visto uma. Saudade de não precisar abraçar uma menina de 18 anos como se eu fosse adulta. Saudade de não ver amigos queridos sofrendo. Saudade de quando a perda mais grave era de um passarinho, ou um peixinho dourado. Saudade de não entender a tristeza, de não ter medo, de não conhecer a dor...

Existe uma tranquilidade em amadurecer. Maturidade vem junto com uma calma assustadora. Um ano é pouco tempo. Uma semana quase não existe. Olhar um rosto adolescente angustiado traz um sorriso tranquilo que diz : " tadinha, já passa...essa dor praticamente nem existe." Amadurecer traz a mãe de todas as paciências. A gente aprende a esperar as mudanças, esperar pelo tempo, esperar que os filhos cresçam, esperar que alguém entenda, esperar, esperar, esperar. E nenhuma destas esperas é dolorida. O tempo se torna amigo e as mudanças de estação existem para distrair os olhos, não para contar os meses.
Vem a primavera com as flores, vem o inverno com céu azul, vem o outono todo amarelo, vem o verão com suas meninas coloridas...e você só sorri. Às vezes dizem que ainda há tempo, às vezes que o dia está chegando, mas quem se importa? Elas distraem os olhos e o coração de quem está vivo para ver.

Crescer traz coisas lindas e coisas chatas. A parte da tristeza alheia me destrói mais do que se fosse minha. Eu enxergo dentro da alma de quem é triste e tenho vontade às vezes de roubar a tristeza para mim. "Deixa que eu sinto pra você!" Eu queria ter a alma do mundo numa caixinha para não deixar ninguém sofrer, ou voltar a ser criança para simplesmente não perceber que existe dor.



sexta-feira, outubro 12, 2007

Feijões


E se naquela manhã ela tivesse um ruim e contasse para todo mundo que a vida dela estava virada de cabeça para baixo?
Será que as pessoas reagiriam como ela queria? Sim, porque na ilusão equivocada dela, todos diriam: “okay…certo então…vai em frente.”
Vai! Enfrente! Enfrentar nada. No mundo cor-de-rosa que ela criou não existia espaço para a vida real. E se alguém gritasse? E se alguém se matasse? E se tudo desse muito errado? Ela se preparou realmente para isso?

Sabe como funciona cabeça de criança?
Assim: O menino se acha o próprio Superman, tem certeza que criptonita não existe, então ele planeja três golpes certeiros e uma fuga para o alto…pronto! Eles está preparado para enfrentar os meninos da escola. Chega a hora e ele avança logo para cima do maior. Desfere um soco na barriga dura do garoto e machuca sua mão, fica sem força para os outros dois golpes e a fuga para o alto não rola. Ele cai no chão, apanha e é suspenso da escola, ainda leva uma baita bronca dos pais em casa, e tem que voltar para a escola sozinho, no dia seguinte, e encarar todo mundo. Ha! Ele esqueceu do plano B, e nem pensaria em um. Ele só pensou em sua saga vitoriosa de herói super-poderoso.

Assim era ela também. Como menina que planeja a fuga para a festa, escondida da mãe, mas esquece de pensar em como vai voltar ou entrar em casa de madrugada.
Pois…E se ela contasse para todo mundo que sua vida estava de pernas para o ar? Ha! Apesar dos pesares, já existia um quê de maturidade naquele cerebrozinho prejudicado. Não exatamente maturidade, mas visão de futuro. Era óbvio que nada seria cor-de-rosa. Era óbvio que nada seria recebido como uma notícia banal. Alguém seria chato e adulto e mandaria ela dar um jeito de arrumar a vida, sob pena de perder tudo o que conquistou! Lógico.

Então talvez fosse mais fácil manter o sonho. Claro. Super mais simples. Pega-se o cérebro e divide-se em dois. Parte vai cuidar da chatíssima vida prática e real, a outra cuida de sonhar, delirar, imaginar coisas incríveis e histórias de amor.

O que? Você acha ridículo? Pois eu vou te dizer que depois de todos os meus milênios de vida e quilômetros de estrada, eu não conheço alguém que não tenha um sonho secreto. Não conheço quem não leve uma vida dupla. Não estou dizendo que as pessoas vivem uma vida REAL que é dupla. Mas que elas vivem a vida real "E" uma imaginária, todos os dias. Sim! Pasme! O mundo é esquizofrênico. Até os psiquiatras são! (talvez eles até sejam mais)

Os “normais” sonham acordados enquanto lavam louça, dirigem para o trabalho, sentam no ônibus no banco de trás, ou se seguram no cano do metrô. Assim que chegam onde tinham que chegar, o despertador da mente toca, eles acordam e começam a vida. Talvez repitam isso várias vezes ao dia.
Os outros fazem tudo isso, mas nunca acordam. Passam a acreditar em suas próprias histórias e acabam metendo os pés pelas mãos. Porque como disse Lincoln, não é possível enganar a todos o tempo todo – o que ele esqueceu de dizer é que é um pouco mais fácil enganar a si mesmo, mas a hora da verdade sempre chega, e aí vem o mais grave de todos os tombos.

Conheci gente que jura que é legal. Jura que é tudo o que todo mundo precisa para sobreviver. Jura que é competente, profissional, adorável, amigo, feliz, generoso, indispensável, e se faz assim mesmo, por algum tempo. Por onde passa, a história se repete: de uma hora para outra o mundo começa a desmoronar e ele não consegue entender porque. Essa é a hora em que a máscara cai, e as pessoas que “precisavam” dele começam a perceber que há pouco de verdade no auto-retrato que ele pintou. Então ele começa a perder as rédeas da coisa, joga um contra o outro para tentar se defender e acaba perdendo o controle, mostrando exatamente quem é: fraco, limitado, complexado, incompetente com a própria vida, invejoso, agressivo, violento, neurótico, psicopata.

A tênue linha que separa os que deliram dos que acreditam em seus delírios.

Mas ela era uma louca do bem. Quando não aguentava mais, fugiu para um parque, sentou embaixo de uma árvore, resolveu chorar e colocar para fora todos os seus monstros, seus bofes, seus tormentos. Quando conseguiu ver todos eles ali na sua frente, agiu como quem cata feijão: os bons para cá, os ruins para lá. Se eu cozinhar tudo junto, vai ficar uma nhaca! Se eu guardar só os ruins não vou poder me alimentar. Se eu limpar tudo e ficar com os bons, estarei nutrida e posso sobreviver.

Foi assim que ela quase fechou o cérebro para balanço. Foi assim que ela enterrou a parte podre do coração. Foi assim que aprendeu a sonhar tranqüila e colocou as pernas da vida de volta no lugar. Feijões. Os que prestam e os que estão vazios. Os que alimentam e os que enganam o estômago. Os que são plantados e vingam, e os que servirão de adubo.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Meus Poetas

José Buffo, poeta meu.


tem gente que é poeta porque
só de existir
já é pura poesia.

Solda, também.



***Fotos roubadas do site do Solda

segunda-feira, outubro 08, 2007

A Yellow Walk in the Morning

Meu mundo é amarelo!

Fotos tiradas hoje, com o meu super-celular, depois de correr 4 km percebendo que a primavera tem uma cor.


Me acorda quando algo novo acontecer!


Incrível como o tédio tem um rosto!

quinta-feira, outubro 04, 2007

O melhor do meu mal humor

Preciso fazer um power point chamado "A Vingança".
Quero encher todas as caixas postais das pessoas que me mandam arquivos .pps, com o meu próprio slide bomba! Seria algo assim:

Slide 1: Se você abriu este arquivo, com certeza já passou dos 40 anos.

Slide 2: Não?

Slide 3: Então você precisa fazer um exame para detectar a sua idade mental.

Slide 4: Pesquisas comprovam que uma nova doença vem atingindo mulheres ao redor do mundo, com incidência mais grave no Brasil. CUIDADO!

Slide 5: É a Síndrome do PPS: virus gravíssimo e ainda sem cura , que altera a capacidade de discernimento entre "divertido e ridículo", "bonito e piegas", "cool e brega", etc etc.

Slide 6: Os casos mais graves atingem os neurônios de modo a alterar o gosto musical das vítimas, fazendo com que elas realmente achem lindas as músicas da Maria Betânia e da Celine Dion.

Slide 7: Se você tem algum deste sintomas, limpe a sua caixa postal.
Manter determinados slideshows em arquivo, pode causar danos irreparáveis e irreversíveis ao seu cérebro. Principalmente quando eles chegam com o título: "lindo! aumente o som!"
Os mais contagiosos:
. os que tem letrinhas dançantes
. fotos de homens parrudos de tórax à mostra
. qualquer gracinha usando fotos de "ídolos da tia", tipo Richard Gere ou George Clooney
. textos de auto-ajuda sobre a força da mulher, a força do amor, ou a superioridade feminina

Slide 8: DEFENDA-SE! PROTEJA-SE! MOSTRE O SEU PODER!

Slide 9: Mande este e-mail para o maior número de pessoas da sua lista. Uma amiga demorou 24 horas para fazer isso e estas foram as coisas terríveis que aconteceram com ela:

Slide 10:
. O personal da academia nunca mais deu oi com beijinho quando ela chega.
. O jogo de cartas de quinta-feira foi cancelado sem data para voltar
. Todos os reality shows de decoração, alimentação, dieta, e make overs saíram do ar na TV a cabo dela
. A microsoft não deu um monte de dolares por ela ter encaminhado todos aqueles e-mails
. Ela parou de receber textos dos outros assinados pelo Jabor
. Os shopping centers proibiram sua entrada indefinidamente
. E o mais grave: A empregada dela pediu demissão!

NÃO PERMITA QUE ISSO ACONTEÇA COM VOCÊ! ENCAMINHE!

terça-feira, outubro 02, 2007

Efeito Brokeback Leibovitz


Eu já disse que eu choro?
Claro que já. Mas fazia tempo que eu não dizia. Só não fazia tempo que eu não chorava. Se eu fosse tentar mentir, vocês saberiam, porque ha dois post eu estava chorando. Pois é...porque eu choro!

Demorei para acordar hoje. Não assim, de acordar tarde. Acordei cedo mas já meio anestesiada. O dia de hoje já tinha uma cara de quem queria chorar. Tomei café, paguei conta (blegh! odeio o primeiro dia do mês), não li o jornal, entrei online...conversei um pouco e fui para a cama.
A porta do quarto estava aberta para o jardim, com um dia lindo e gelado lá fora. Um vento delicioso entrando e gelando as minhas pernas, então eu me cobri, fiquei sentada na cama e abri o meu presente de aniversário. Abri porque um livro se abre. E este é grande. é quase preciso usar as duas mãos para abrí-lo. Pois abri e comecei a virar as páginas esperando encontrar apenas o trabalho brilhante de um fotógrafo, mas encontrei bem mais. Encontrei o relado de uma vida. O retrato de um amor, da sua descoberta ao seu fim, se é que acabou. Não...se tivesse acabado não estaria num livro.
É o livro da Annie Leibovitz chamado "A photographer's Life", onde ela conta através de fotos, sua história de amor. Ou seriam várias histórias de amor e uma de grande coragem e generosidade?

As fotos mostram momentos de cumplicidade extrema entre ela e a escritora Susan Sontag. As viagens, o apartamento, a vista do estúdio, escritos de uma e fotos da outra...e vai de 1990, quando tudo começou, a 2004, quando Susan Sontag morreu de câncer no útero e leucemia. Ao mesmo tempo, vemos os pais de Annie envelhecendo até o aniversário de 90 anos da mãe e a morte do pai, também em 2005. É uma história de amor em família.

Quando a filha mais nova de Annie - Sarah - nasceu, Susan já estava doente. E as fotos registram passo a passo sua doença, mostrando uma coragem imensa das duas.
Conheço pessoas que acharíam absurdo fotografar a morte lenta da pessoa que amam. Mas folheando o livro, o que se vê é lindo. Mesmo quando Suzan não tem mais um dos seios, ela se mostra nua nas fotos. Quando faz quimioterapia, Annie está lá com a câmera. Quando precisa cortar o cabelo, quando está no hospital se preparando para uma cirurgia, quando a cama de hospital está vazia na sala de estar dos pais de Annie, quando Susan está morta, quando está vestida para o funeral. E Annie. E a câmera. E a atenção. E esse amor todo.

Dá para pensar que o livro é tétrico e fúnebre, mas não é. É editado de uma forma que se vê a vida passando e mudando durante 15 anos. Nas últimas 20 páginas, você já é parte da família e já sofre por ver Susan terminando aos poucos e Annie ao seu lado, ou melhor, na sua frente com a câmera. É incrível. Tudo isso sem texto...apenas com fotos de uma força imensa.

O dia passou calminho, ainda sob o impacto das lágrimas matutinas, e a noite chegou. Lá fui eu assitir Brokeback Mountain. Ai meu deus! Que tristeza! Quanto desencontro e quanta dor...Quanta delicadeza...Não preciso dizer o quanto eu me debulhei. O abraço dos dois, ao se reencontrarem quatro anos depois, foi uma das coisas mais eloqüentes que eu vi no cinema, em anos. E credo como eu chorei! E tem milhares de sentimentos engasgados e observações e coisas passando pela minha cabeça que não são traduzíveis. Não ainda. Não hoje.
E eu, que choro, chorei.

Então...este foi o meu dia gay. Será que os gays amam mais bonito que os héteros? Me pareceu.
Nem quero escrever mais. Meus olhos estão embassados e ardendo. Acho que preciso dormir, ou chorar mais um pouco e digerir o baque.

Bom dia.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Atire a primeira pedra!


Somos todas loucas.
Você não? Hm...não ainda! Ou é ex-louca. O fato é que toda mulher já surtou um dia, ou está a ponto de, ou vai surtar mais tarde. SURTAR é verbo feminino. Prerrogativa de mulher.
Homem não surta. Quer dizer...surta, mas diferente. Tem ataque de pelanca! Surto de homem inclui gritos, coisas quebradas, soco na cara do opositor, chute em objetos no caminho, cantada de pneu, essas coisas mais patéticas.
Surto de mulher é silencioso. Ta, ok, nem sempre. Antes do silêncio talvez a gente quebre um telefone na parede, atire o celular pela janela, quebre um copo. Mas sozinha, amiga...sem escândalo. Mulher que é mulher surta quando é traída ou acha que foi, ou tá num momento rejeição imaginária, mas não mostra pra ninguém. Você quebra seus copinhos, sua mantegueira do aparelho, aquele pato country que você não sabe porque ainda está enfeitando a estante...mas ninguém vê nem os cacos. E depois da tempestade vem o silêncio. Ah, momento perigoso este!

Surto silencioso inclui flores mandadas para si mesma. Vai querer me convencer que você nunca fez isso? Ha! Me engana que eu gosto...Nunca mandou um buquê de flores imenso com um cartão anônimo escrito pelo moço da floricultura? Du-vi-d-o-dó! Se você quiser mentir eu respeito, mas nós duas sabemos, querida...Assim como sabemos que funcionou. Ele ficou furioso, queria saber quem é o mané, desconfiou de uns dois amigos seus e uns três clientes, queria quebrar o mundo, e você foi pra casa com um sorriso delicioso nos lábios. Sweet revenge...

Surto silencioso inclui festas imaginárias. “O que você vai fazer hoje?” “Tenho uma festa.” Hm...ele fica ali quietinho esperando você convidar e nada...Você ouviu um telefonema estranho marcando um futebol suspeito, e resolveu colocar atrás da orelha dele uma pulga maior do que a que está te mordendo agora. Ele vai pro futebol, você vai para a casa da sua irmã ver a novela. Aff...que horror. Mas não atende o celular. E ainda faz hora! Bom é chegar bem tarde, depois dele! E quando você finalmente atender o celular, já está chegando em casa! “ah...esqueci o celular no carro.”
Você também nunca fez isso. A-hã. Acreditei. E nunca apagou nenhum nome da agenda do celular dele. E nunca vasculhou as mensagens de texto. Não sabe a senha da caixa postal dele, nem a do e-mail. E nunca respondeu o e-mail daquela “amiga fofa” que ele tem, dizendo:
“Oi,
O fulaninho nunca lê os e-mails dele, por isso eu resolvi responder.
Tudo bem com você?
Saudade...”

Claro! Você é uma mulher equilibrada, esqueci. Você jamais mandaria a secretária dele passar para você a ligação quando aquela mocréia que vive dando mole pra ele ligar. “Ele não está. Quer falar com a esposa dele?” Imagina. Quem faria uma coisa dessas?

Surto silencioso pode ser o mais perigoso dos momentos de surto. É nesta hora que você liga compulsivamente para “a mulher dele” e desliga na cara. É nesta hora que você liga para o seu ex para matar a saudade. É nesta hora que você planeja um dramalhão, tipo um sequestro relâmpago... e você tentou ligar para ele milhões de vezes... e está tão chocada que precisa que ele fique ao seu lado. É nessa hora que você compra uma lata de cerveja, joga o líquido fora, e coloca a lata no bolso da porta do carro, do lado do passageiro. “O que? Pensa que só você tem amiguinhas para dar carona? Nada! E os meus caronas bebem!”
Ele sai de casa sem celular, você não faz idéia de onde ele esteve, mas jura de pé junto que uma tal CARLINHA ligou no celular dele! Ele fica nervoso, furioso, não conhece nenhuma Carlinha, mas vira um anjo nas próximas duas semanas para não te irritar.
Confessa que você já se deu presente de aniversário, já se mandou cesta de café da manhã no aniversário de casamento dizendo que era da turma do escritório, já inventou festa, amigo imaginário, um cliente que te irrita porque fica se insinuando, um momento de fragilidade extrema, um cabelo novo inimaginável que faz ele pensar que é influência do cara alternativo que trabalha com você. Vai...pode falar. Todas nós somos loucas. Já nascemos assim.
Eu conheço uma que compra sapatos quando se sente rejeitada. Muitos sapatos. Deixa todos escondidos no porta-malas do carro. Quando usa um e o marido diz: “Wow! Sapato novo?” Ela tem um chilique histérico dizendo que o sapato é velho e isso prova que ele nunca repara nela! Conheço outra que cada vez que o marido faz uma viagem suspeita, sai e compra um jóia. Assim, tipo uma vingança inexplicável. I don’t get it! Mas ela ainda tem a manha de escrever o valor mais baixo no canhoto do cheque, só pra irritar.
Não são só as casadas e mais velhas que surtam, não. Vai dizer que você aí, mais novinha, nunca teve um pití e bloqueou a criatura no MSN e ficou vendo se ele estava online ou não, só para dar uma gelada básica e fazer ele te ligar? Nunca abriu um Orkut fake para testar a fidelidade dele? Ou pior, um Orkut fake masculino para fazer ciúme? Duvido! Duvido! Somos todas loucas! Desde pequenas. Desde que batemos na priminha porque ela tava brincando com o nosso brinquedo. Desde que odiamos aquela menina loira da sexta série porque o Flavinho, o Cauê, o Fernando, sei lá quem, estava conversando com ela. Ha!

Se você nunca teve um surto silencioso com trejeitos de vilã de novela, atire a primeira pedra. E mesmo que você atire, eu não vou acreditar. Eu atiraria também...só pra negar!

segunda-feira, setembro 24, 2007

4.6



O dia chegou com chuva, diferente do que foi há 46 anos, e sem festa, diferente do que foi também quase sempre. Não festa festa. Só festa assim, de barulho e gente festejando.
Pela primeira vez em muito tempo, acordei sozinha. Ninguém na minha cama, ninguém na minha casa. Não não! Isso não quer dizer que eu esteja ou seja sozinha....só uma contingência de momento. Só porque não se faz aniversário numa segunda-feira, catzo! Que dia besta!
Claudio há milhares de kilômetros, Diogo na casa quase dele, Natasha na escola. Pois é...assim são os aniversários das mães. hahahah! Dramalhão! Mentira! Só quando é segunda-feira, este dia besta, catzo!
Então adivinha qual foi a primeira voz que eu ouvi hoje? A do meu pai. Ufa! Já falei longamente uma vez, o quanto é maravilhoso ouvir a voz dele me dando parabéns todos os anos, principalmente quando ninguém acreditava que isso pudesse continuar acontecendo. Se isso não é felicidade, não sei o que é. Mais uma vez, aquela voz forte e sorridente nos meus ouvidos logo cedo. Isto é um presente!
E agora, enquanto eu escrevia, minhas duas empregadas perguntaram se podiam subir para falar comigo e me deram mais um presente e tanto: elas me interromperam para me felicitar e dizer, nestas palavras: "uma patroa como a senhora, ninguém nunca mais vai ter. A senhora tem sido muito mais do que uma mãe para a gente, e a gente veio agradecer, porque não existe ninguém no mundo capaz de fazer tudo o que você faz. A gente não tem nada para dar, mas tem muito para agradecer."
E eu chorei! E ainda estou chorando. Elas não fazem a menor idéia do quanto "me dão" todos os dias com o carinho com que cuidam de mim, da minha família e da minha casa. (Fora a paciência que têm comigo).
Eu, que comecei a escrever querendo brincar sobre fazer 46 anos, agora estou afogada em lágrimas. Ia pedir um botox e um super-lift-alguma-coisa, talvez uma conversa com o Dr. 90210, agora só quero uma caixa de klinex.

Uma vez eu contei para vocês que talvez apareçam amigos estranhos no meu velório: a caixa da padaria, o moço do estacionamento...pois é mesmo...assim que eu sou. Existem essas pessoas na minha vida, que muita gente não dá valor, mas que costumam encher o meu coração de um sentimento muito bom, e me mostram todos os dias que o que existe dentro de mim faz pequenos milagres por aí. E são essas pessoas que fazem pequenos milagres em mim. Pessoas que os outros não conseguem olhar nos olhos, como a sogra, a empregada, o moço da floricultura, a secretária, são as pessoas com quem eu não me importo de perder algum tempo e dar a elas o que elas precisam, que é um pouco de atenção e um olhar dentro dos olhos. Em troca, elas me dão uma força incrível para ser quem eu sou e me dizem, com um sorriso apenas, que aquele não foi um tempo perdido.

Ao fazer 46 anos - o que não é mais 40 e poucos, mas já quase 50 - eu posso dizer que até este momento da minha vida eu sou completa. Tive a sorte de realizar muitos dos meus sonhos. Tive perseverança para terminar trabalhos que eu nem sabia que era capaz de começar. Nunca fui santa, mas nunca fui cruel. Tenho dois filhos incríveis e um marido que me fez ficar e amar e perceber que a vida pode ser tranquila e não precisa ser, para sempre, um turbilhão de acontecimentos para se ser feliz. Tenho uma casa linda, que pode sim ser chamada "home", e muitos outros lugares onde também me sinto em casa. Tenho uma família que vive em paz e soube resolver todas as velha picuínhas para poder se amar para sempre. Consegui ser um tipo de "fator de união da família" e manter todos debaixo do mesmo teto nos Natais e aniversários. Usei todos os meus talentos e todos eles me deram prazer: tenho fotos feitas por mim nas paredes da minha casa, vasos pintados por mim no meu jardim, textos escritos por mim publicados aqui e em outros lugares, pensamentos meus circulando por várias outras cabeças, pessoas que me chamam de "irmã" em vários países e cidades. E quando todos esses corações estão em recesso, eu sou a melhor das companhias para mim mesma. Acho que isso deve ser "ter uma vida plena".
Por isso, e por tantas outras sortes, felicidades, alegrias, pessoas, momentos, amores, etc, etc, etc...eu agradeço!
Um dia disseram que eu sou como a luz da varanda atraindo pessoas, como insetos que gostam de voar ao redor da luz nas noites de verão. Mas eu acho que tive a sorte de viver cercada da luz imensa de todos estes "insetos" que fazem de mim uma pessoa melhor.

Bom dia, flores do meu dia. E obrigada por me fazerem existir.

sexta-feira, setembro 21, 2007

...

A internet está lenta. Chata. E chata estou eu com essa falta de paciência latejante. Existem sinais de revolta bastante claros que piscam em neon verde limão quando eu me olho no espelho. Unhas com esmalte descascado (quem me conhece sabe o que isso quer dizer), cabelo meia boca, depilação pra lá de pavorosa, fios de sobrancelha ajoelhados pedindo pelo amor de deus para serem retirados com urgência… e por aí vai. A visão do inferno.
Para não ver o inferno de frente, eu não me olho no espelho. Mas quando sento de frente para essa página em branco, tudo aparece com mais força. Meu tédio fala muito sobre minha dificuldade com rejeição. Eu deveria estar reescrevendo as partes que precisam mudar no meu roteiro, mas lá no fundo do alma, não conte pra ninguém, eu sei que não consigo escrever porque detesto o fato de quererem mudar o que eu escrevi.
Só de raiva não escrevo nem isso nem nada mais. E não posso nem dizer que estou me esforçando. É mentira de novo. Estou muito além da fase de esperar o disk-vontade. Estou em plena não-querência. No quiero! No quiero! Socorro!
E também não quero conversar com as pessoas. Parece que se eu fizer isso, vou dizer o que penso, e o que penso não é muito bacana neste exato momento. É uma daquelas fases em que as mulheres com mais de 50 começam a tomar remédio para dormir. Eu entendo a razão: elas querem desligar do mundo. Claro. Se eu dormir eu não tenho que fazer nada, se não fizer nada não fracasso. Olha só que simples!
Eu sempre disse que a insanidade é o caminho mais fácil. E não é? Insana eu posso me dopar e dormir. Insana eu posso não lembrar de nada, porque faz parte do pacote. Insana eu não me arrumo, não participo de compromissos familiares ou profissionais, e só aguento o que e quem eu quiser. Olha que fácil!
Pena que eu sou teimosa demais para entrar nessa….
Mas que a vontade hoje é essa é! Juro!
Hm…inferno astral. Pode ser. Meu aniversário é segunda-feira, dia em que isso tudo tem que acabar. Dizem que são 52 dias de inferno. Gente!! Acho que foi mais ou menos isso. 50 e poucos dias de “não fale comigo”, “não me faça perguntas”, “não me peça nada”, “não me force a existir”. E eles passaram com a violência de um furacão. Sim sim, eu consegui viver 50 e poucos dias inexistindo, enquanto o mundoe o tempo voavam á minha volta. Grande vantagem!….

Well …estou aqui para, em público, me comprometer a sair deste limbo onde me enfiei. Quem tiver uma corda, ajude a puxar.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Delírio - O Mago das Palavras

25 Setembro 2003


Terminei de escrever o que seria a introdução de um livro que nunca escrevi. Li e reli, imprimi, li de novo e fui fumar um cigarro na varanda antes de dormir.
Lá fora, sentada na cadeira de balanço, me imaginei sentada no sofá de um talk show falando sobre o meu livro – O Mago das Palavras - recém-lançado, sucesso absoluto de vendas.

Entrevistador: - Me conta uma coisa, aqui só pra nós dois: Quem é o mago das palavras?
Eu respondo: - Bem... Minha terapeuta.

Ent. - Como assim? A Maga das Palavras? É uma mulher? Tua terapeuta é um travesti, ou eu não estou entendendo nada?

Eu: - Não, calma. Quando eu era normal e fazia terapia, minha terapeuta dizia que eu vivia com o Mago das Palavras. Porque eu falava, justificava, teorizava...Mas não executava nada. Embora soubesse convencer a qualquer um, e até a mim mesma de uma verdade nem sempre verdadeira. Por exemplo: eu sempre disse que ia escrever um livro. Ela sempre me cobrou isso, dizendo que me servia muito bem ficar só dizendo que faria...Pois olha só! Ta aqui o livro. Pronto, nas lojas. Já que eu finalmente consegui, nada mais justo que dedicar o livro a ela.

Ent.: - Ta certo...Mas porque será que eu acho que tem mais alguma coisa ai?

Eu: Não sei. Talvez porque você esteja entrando na minha história como eu entrei na história da rainha da Branca de Neve, e como ela própria entrou na história da Branca de Neve! Você pode! Você senta aí e muda a minha historia. Pode ser divertido.

Ent.: (Olhando pra mim desconfiado): - Mercedes...

Eu: Okay. Vou contar. O Mestre das Palavras é um mendigo que eu conheci em Zuma Beach quando eu morava em Los Angeles. Eu ia andar na beira da praia todas as manhãs, depois de levar as crianças para o colégio, em Chatsworth. Meu marido ficava dormindo e eu ia pra praia caminhar. Longe...Dirigia um tempão pelos lugares que eu mais amo em Los Angeles. Malibu Canyon, PCH... Um dia, vi este homem, um homeless, e ele me deu bom dia “Good Morning, beautiful lady.” Eu respondi com um sorriso, porque o tom dele foi lindo. Segui andando. Isso aconteceu vários e vários dias seguidos. Um dia, eu estava alongando no muro da praia – aquele muro que parece feito de areia, cheio de golfinhos em relevo, e o homeless se aproximou. Começou a falar da neblina que cobre Zuma até o final da manhã e disse que isso lembra a idéia que ele tem de paraíso. Que os bombeiros que vêm treinar na praia de manhã deviam ser os anjos, os cães que ficam esperando seus donos nas carrocerias das camionetes dos surfistas (que são sempre brancos ou dourados) são os guardiões das portas do céu.
Assim acontecia toda manhã: “Good morning, beautiful lady”... E conversávamos um pouco. Eu ia embora pra casa e ele se despedia dizendo que estaria ali, mantendo meu paraíso seguro pra outra manhã. E assim foi. Ele contava historias lindas. Mantinha meu paraíso só meu, e quando eu ia embora, me despedia dele dizendo: Até amanhã, Mago das Palavras.
É isso. Este era o meu Mago das Palavras.

Ent.: - Nossa...Que bonito isso. É verdade?
Eu: - Não.
(A Platéia vem abaixo!)
Ent.: Como você pode ser assim?
Eu: - Ai, como é que eu vou te explicar?
Ent.: - Que tal tentar com a verdade?

Eu: - Ok. Três fatos, três pessoas me influenciaram e me deram coragem pra escrever e pra assumir pra mim mesma esta mania de inventar historias que eu tenho.
Uma foi a minha terapeuta, que realmente dizia que o mago das palavras regia o meu mundo. E que disse (a irresponsável) que não interessa a explicação que você tem pra dar...a justificativa, porque isso sai da boca pra fora. E da boca pra fora não interessa. Interessa o que você sabe da situação que você está passando. Isso tem que ser verdade. O que você vai dizer para as pessoas tanto faz.
Outra foi uma conversa do Egberto Gismonti num programa de TV. Ele disse que adora inventar historias sobre ele mesmo. Ele viaja muito e as pessoas em viagens longas têm mania de perguntar de onde você é, o que você faz, e ele nunca conta a verdade. Toda viagem ele inventa um novo personagem e reinventa a própria vida pra contar pra quem pergunta. Eu achei isso o máximo! Me diverti muito ouvindo a historia dele. É loucura? Será? Kind of. Mas uma loucura saudável que não machuca ninguém.

Ent.: - Você falou que eram três. Falta um.

Eu: - Ah claro...O principal. O homem que cochichou no meu ouvido: “Hey! Você pode escrever...Não precisa ter medo!”

Ent.: Quem?
Eu: - Kurt Vonnegut
Ent.: Nossa! Ele é maravilhoso!

Eu: - É. Eu sou apaixonada por ele! Amo a forma como ele escreve. Quando há muitos anos eu li o Matadouro Cinco, fiquei encantada. Ele é completamente louco, escreve sem ordem cronológica, divagando, perdendo o raciocínio, interrompendo e voltando pra historia...Uma delicia. E o pior é que ele te CONTA a historia. Ele é livre!

Ent.: - Esse sim é um mago das palavras.
Eu: - Com certeza!
Ent.: Ta...Mas e aí? Ele cochichou mesmo no teu ouvido?
Eu: Quem?
Ent.: O Kurt Vonnegut

Eu: Ah...Uma longa história! Eu estava em Nova York, logo depois da segunda guerra. Descendo a Madison, acho que indo numa livraria, não me lembro bem. Estava bem tranqüila quando ouvi um barulhão! Um táxi tinha atropelado um homem...

Ent.: Mercedes! Você nem era nascida logo depois da segunda guerra!

Eu: Não? Nossa...É mesmo...

Ent.: Eu não vou encerrar antes de saber uma coisa!
Eu: xii...Lá vem...
Ent.: Mercedes! E o mago das palavras? Quem é essa criatura?
Eu: - Um pai de santo que eu conheci em Berlim.
Ent.: Não!
Eu: Um escultor leproso?
Ent.: Não!
Eu: O amor secreto da minha vida...
Ent.: é?

Eu: Não. O Mago das Palavras é esse dom que você tem, que eu tenho, esse poder de usar as palavras pra encantar, pra fazer rir, pra sonhar, pra dar vida ao mendigo de Zuma, pra apaixonar, pra chorar na frente do espelho...

O entrevistador fica me olhando calado e a platéia aplaude.

Ent.: A Gente volta já!

(Aplausos... muitos aplausos!...).

Ha!

Fragmentos


Blues ao fundo

Ele Pink Floyd, ela Billy Holliday.
Ele Elvis Costelo, ela Nina Simone.
Ele Talking Heads, ela Chet Baker.

Ele frases de efeito,
ela dito e feito.

ºººººººººº
. Tenho uma amiga que recortava estrelas para colar na parede. Ela mesma era uma delas.

. Detesto pobreza de espírito e a definição disso é minha particular. Pode ser que eu ache você um milionário. Pode ser que não. Só eu vou saber.

. Não guardo mágoas. Ao invés disso, prefiro enterrar pessoas. E quando enterro não volto nem para trocar as flores do túmulo.

. Passo a vida distribuindo pérolas a quem precisa. Lá vou eu entregando minhas pérolas a cada um que passa. Começo então a colecionar fotos de pessoas de costas.

. Não gosto de quem não aperta a mão com força. Não gosto de quem dá abraço mole. Não gosto de quem não é capaz de um carinho. Tenho medo de quem não se entrega.

. Mudo de idéia. Dou-me esse direito como libriana que sou. E agora, depois dos 40, vejo que quem tem raiz é árvore. Se eu tenho pés e me movimento, porque não meus pensamentos?

. Amar profundamente é a melhor das verdades passageiras.

. Restos mortais
Por natureza são chamados restos. Ninguém quer ficar com restos. Nem a terra merece. Então, minhas cinzas não devem ser guardadas. Quero que sejam jogadas no Malibu Canyon, sentido sul, na primeira curva onde o Pacífico aparece -- o lugar onde minha cabeça aprendeu a voar mais longe, meus olhos aprenderam a ver o invisível.

. Fadas madrinhas existem e agem de forma maquiavélica. Sim, elas não são boazinhas. Ficam se divertindo em sua invisibilidade enquanto nós, pobres mortais, ficamos nos debatendo a procura de uma vida menos ordinária.

. Os únicos homens capazes de me prender a um livro foram Wooddy Allen, Manoel Puig e Kurt Vonnegut. O primeiro pela inteligência deliciosa, por me fazer rir e parecer meu amigo. O segundo por encarnar um escritor diferente a cada livro. O terceiro por tudo!

. Tive uma amiga que me roubou um livro. O livro tinha entrevistas com sete grandes diretores de cinema. Ela me pediu emprestado e desfilava pelas agências de propaganda com o livrão debaixo do braço pra impressionar os meninos da criação. Mas nunca leu uma linha sequer e nunca me devolveu. De alguma forma, o livro foi útil pra ela. Quando a gente não tem talento, usa roupa de artista. Certo?

. Os hereges de hoje são queimados na fogueira das revistas científicas. Na fogueira dos teóricos e dos cegos. A ciência – na figura dos cientistas teóricos com viseiras – tornou-se a igreja de antigamente. Eles estão aí para dizer para qualquer louco que ele devia trabalhar no circo e não se meter onde todo mundo sabe tudo. Deuses...Deuses que pregam o monoteísmo... a monociência, a monovisão. Que riem e torturam com falta de verbas os hereges que ousam discordar do grande deus.

. Mercedes não pode ser frágil. Ninguém com um nome desses poderia. Seria mais ou menos como usar biquíni na neve. Não é apropriado. Não combina. Não seria aceito.
Ou ser franzina...Ridículo! É vedado às Mercedes o direito de ser pequena, magrinha, mignon, frágil, fresca, whatever. Nem pensar em roupas rendadinhas, tons pastel, saltos baixos, visual light. Mercedes nascem fadadas a cooperar com o equilíbrio e a coerência na face da Terra: Combine seu nome com seus atos! Não desalinhe a natureza! Como as Anas são tristes, Reginas são barulhentas, Marias são bonitas, Giovanas são magras, Veras são gordinhas, Mercedes são fortes!


Carta aberta a Edson Perin

Encontrei este texto hoje, vasculhando velhos arquivos. Ele foi publicado no TPM em 2003, e serve ainda hoje como uma luva. Um presente de amiga velha para amigo nem tanto.
Enjoy:



Mano,

Como se escreve uma carta aberta? Se é aberta, precisa de muita explicação, porque a historia de duas pessoas, só duas pessoas sabem.
Li seu comentário e reli meu texto. Depois voltei a ler seu comentário. E me emocionei.
Você contou no seu e-mail que faz 40 anos em Fevereiro – essa amiga relapsa - nunca sei se é fevereiro ou novembro, mas tudo bem porque você também liga sempre em algum dia de setembro pra saber se eu já fiz ou vou fazer aniversário. A amizade e o amor que nos unem não seriam tão frágeis pra deixar isso atrapalhar.
Anyway, a gente se conheceu quando você tinha 23 e eu 26. Isso? Oh my god! O Diogo tinha três anos. (Um dia ele entrou no Sir e encontrou a Meri. Ela perguntou: “quem é a sua mãe?” Ele respondeu: “A Micerrdis.” Hahaha!)
Lembra que a nossa sala na Exclam tinha parede bem brega de cortiça? Lembra dos papos intermináveis com o Ernani? Lembra do Barco dos Chatos? E La Nave Va...Com você sabe quem no comando? Hahaha!
Nossa... Que saudade! Mesmo nos matando de trabalhar a gente tinha muito tempo. Pelo menos você tinha muito tempo pra escutar as minhas historias apaixonadas e bem bobinhas.
Lembro que eu terminava de contar uma super-hiper aventura emocionante de alguma paixonite aguda e você suspirava dizendo: como a minha vida é aborrecida! (bobo)
Lembra da Festa de Babette? A gente já tava até mais velho. Dos cinco pobretões você era o milionário: tinha um apartamento 3x4 e um carro 1x1. Pão duro... Dizia que não queria ir ao cinema.
Lembra quando eu contei que não sabia por que porta entrava no ônibus e a Silvinha me fez ir pro cinema de ônibus a força pra aprender? Foi nesse dia que a gente viu “A Festa de Babette” e batizou nosso jantar pobrinho com o nome do filme.
Minha geladeira era um deserto. Tinha as coisinhas do Diogo, esmalte de unha na porta e meia de nylon do congelador. Diziam que meia de nylon durava mais se guardasse no congelador. Que coisa mais Ana Maria Braga! Hahaha! Aquela meia do Paraguai que às vezes desfiava na horizontal e simplesmente caía. Eu e a Pat Castilho tínhamos truque maravilhosos de reaproveitamento de meia calça desfiada. (Era muita pobreza. MESMO!).
A gente sentava pra jantar o empadão congelado da Dona Marilia, ou a lasagna de tudo do Franc, tomava coca-cola e ria a noite inteira como se tivesse fumado e bebido todas. Lembra da lasagna de tudo? Um queria a bolognesa, outro de presunto e queijo, outro de molho branco. O Franc resolveu fazer todas em uma! (baita banquete praqueles tempos bicudos) Depois ninguém conseguia servir a lasagna porque tinha acesso de riso quando pegava a colher! E os cabelos no prato? Hahaha! Eu tinha aquele aparelho de jantar que tinha uns fiozinhos bem finos desenhados...Um por um foi tentando tirar os fiozinhos do prato discretamente, achando que era cabelo!
E a Mery Penas, deitada na almofada no chão vendo “Meu Tio da América”, se partindo de rir e reclamando entre as gargalhadas: “- Que filme chaaaaato! Quá Quá Quá Quá!!!”.
Como a gente se divertia barato... Pena que acabou...
E o teste de admissão para a Festa de Babette que a gente fez praquela moça que me roubou o livro! Sabe aquela do outro texto? Então.
O que e a Marselhesa?
a) Um prato?
b) Uma puta francesa?
c) O hino da França
d) N.D.A.
Não vou me lembrar das respostas. Uma tremenda bobagem, mas a gente deu risada meses do teste. “Dona Fulana foi à feira, comprou 10 tomates, cinco cenouras, três berinjelas, duas cabeças de alface, não sei o que, não sei o que mais (durava 3 horas o probleminha). Baseado nas informações acima, responda: - Quem matou Odete Roitman?
Meu Deus...Como a gente tinha tempo!
Eu sei te dizer que foi uma época feliz. Os anos de Exclam foram felizes. Nossa! Quanto filme ruim! Hahahahaha! Lembra daquele filme do Leminski que a gente fez um pacto de nunca contar que fui eu que fiz? Shhhhhh...O pacto foi tão sério que eu fiz a produtora apagar o filme da matriz. Falar mal de poeta cult que já morreu é feio né? Então não vou falar. Só vou dizer que ele devia ter sido só poeta!
Lembra do Ernani preenchendo 850 fichas de inscrição no Colunistas e inventando todos os nomes da ficha técnica? E a salinha da mídia? Vocês fizeram um cartaz com a capa do Analista de Bagé, colocaram o nome do meu namorado dizendo: vamos buchar o..... E cada um que passava fazia um bigode, um chifrinho, escrevia alguma coisa. A campanha foi tão grande que vocês venceram. Que feio...
Lembra que eu tinha complexo de perna grossa e nunca tinha usado um vestido curto até os 26 anos? E cheguei num workshop num dia de verão, de bermuda e você me mandou um bilhete dizendo: Estou muito orgulhoso de você!
Que amor...
A vida foi colando a gente. Foi grudando um no outro. Você se tornou o guardião dos meus segredos, meu padrinho de casamento, padrinho da minha filha, meu irmão que mora longe, mas que nunca nunca nunca vai deixar de ser meu irmão.
Lembrei do casamento...Ai ai ai!
Eu casei com meu namorado novo. Acho que namoramos uns três meses e resolvemos fazer uma festa de casamento. Ta. Acho que não dá pra contar a parte do “Segura na mão de Deus...” Eu queria matar a Pat Castilho! Nunca mais consegui olhar pra cara da velhinha! Ai! Desculpa, pessoas...Não dá pra contar essa parte do casamento.
Então...Vamos ao outro caso do casamento:
Eu nunca tinha visto tantas velhinhas na minha vida! Muitas velhinhas muito velhas! Todas tiazinhas curiosas pra saber quem era a moça que estava tirando o caçulinha de casa. Todas medindo cada centímetro e analisando cada movimento meu. Na fila dos cumprimentos, lá vem meu melhor amigo Edson Perin. Logo atrás dele, uma velhinha bem velhinha e bem curiosa. O Edson me abraça, assim...Oito minutos...E fala no meu ouvido: Você sabe que eu te amo, né? Eu daqui, toda noiva emocionada respondo, de olhinhos fechados: Eu também te amo.
Quando eu abro os olhos, dou de cara com os olhos esbugalhados da velhinha. Em choque! Hahaha! A velhinha ficou estarrecida! Até hoje ela deve pensar que eu convidei o meu amante pra padrinho de casamento!
E pra variar, nós passamos anos rindo dos olhos esbugalhados da velhinha!
Ah...E o casamento? Não deu certo. Nem a festa deu! Lá pelas tantas, o Diogo resolveu brincar com os interruptores do salão. A luz começou a apagar e acender, apagar e acender...As pessoas acharam que era o toque de recolher e a festa acabou em minutos. (to morrendo de rir às 3 horas da manha na frente do computador! Hahaha) Vocês tinham que ter visto isso! Que trágico!
Meu Deus! Quanta coisa boa a gente viveu junto. Quanta brincadeira de mímica...E a Drica cantando...Hahaha! E as secretárias da diretoria! Quanto filme a gente viu juntos. Quantas vezes reclamamos que o Luc Besson fez Subway com 25 anos e a gente ainda estava longe de fazer alguma coisa louvável na vida.
E os meus amores! E a minha vida dando oitocentas viradas radicais e você lá. Espectador numero 1. Fã de carteirinha. Já meu viu chorar, já me viu ir embora, já me viu feliz, já segurou meus filhos no colo. Já teve que ouvir a Natasha olhar pro presente que você deu e dizer: Há. Que REDICULO!

Acho o tempo e a vida muito ingratos por afastarem a gente assim aos pouquinhos. Mas ao mesmo tempo acho a vida maravilhosa por ter me dado um presente tão valioso. Um cúmplice tão leal. Um amigo assim, pra sempre. Tive sempre tanta dificuldade com a palavra SEMPRE. Você me fez perder o medo dela.
Queria lembrar as histórias...Queria dizer que te amo...Queria me sentir mais perto. Acho que funcionou. Até hoje você não dirigiu um filme e eu não escrevi o meu (mais ou menos. A gente sempre fez essas duas coisas indiretamente).
O garotinho de jeans e tênis, meio barrigudinho, com a barba por fazer, pão duro (hahahah!) hoje é um homem bonito, sarado, viajado, analisado, brilhante, que sabe o que quer e dirigiu a vida muito bem, obrigada.
E quanto ao seu comentário, nós tivemos o privilégio de conviver com pessoas brilhantes, fáceis de se admirar. Tivemos o privilégio de ver alguns mitos como simples seres como nós. Tivemos o privilégio de fazer parte e ter uma vida muito mais interessante do que a maioria jamais sonhou ter acesso. Mas ter passado anos da minha vida tendo você por perto foi o maior dos maiores privilégios.
Foi um prazer enorme lembrar tudo isso. Vou dormir sorrindo.

Um beijo enorme e (esbugalhem seus olhos, tiazinhas) não esquece que eu te amo.


quinta-feira, setembro 13, 2007

...


Querido diário,

Ando meio estranha. Um tédio meio chato, uma falta de vontade.
Misteriosamente meus vícios estão indo embora, e quando o vício é o seu grande companheiro, fica difícil encarar a vida sem ele. Não, eu não estou parando de fumar. Eu estou entrando menos na internet. Quem diria?
São 5:47 da tarde e eu estou sentando na minha cadeira pela primeira vez hoje. E quer saber o pior? Eu não abri o msn. Eu não corri para ver meus e-mails. Eu só sentei e olhei em volta. Sabe aqueles dois CD's que eu larguei em cima de uma lista telefônica há 3 dias? Estão ali, no mesmo lugar. O Movie Plot Generator que eu tirei da estante pra brincar com o Cláudio de criar o plot do filme que vai dar um Oscar para ele? Continua aqui ao meu lado direito, onde eu larguei naquele dia. E o zippo preto continua sem fluído, alguns envelopes não foram abertos, o aspiradorzinho vermelho está jogado aqui do lado desde o dia que eu resolvi limpar o meu teclado.
Assim...bem desse jeito, como se o tempo tivesse parado pra mim. Mais um café e olho em volta. Preguiça de escrever, preguiça de entrar online, preguiça de colocar a vida em dia.
Em compensação eu assisti, só hoje, dois DVD's da primeira temporada de Heroes. Do jeito que eu gosto: sozinha lá embaixo, sem ser interrompida por nada. Quando resolvi parar de ver, fiquei mais um tempo na sala pra não ter que levar minha empregada até a portaria. Preguiça de ser simpática com ela também.
Hoje acordei no susto. Meu celular tocou e me avisaram que o Rafael já tinha chegado. Dizem que me acordaram as 9:15. Ele também me mandou um torpedo as 9 dizendo pra eu acordar. Não vi nada. Estava apagada. Levantei no piloto automático, me vesti, subi, alonguei e disse para ele que eu queria comer amora. Amora! Amora? Já estamos em setembro e eu não senti ainda meu chão ser tirado dos meus pés? Já tem amora lá fora e me sinto como se fosse abril ou maio? Isso é ainda mais chato e estranho do que não querer entrar online ou escrever.
Fomos correr. Demos uma volta nos 3 lagos do parque e depois paramos de amoreira em amoreira, para comer. Duas crianças com os dedos sujos de roxo e os lábios manchados de batom natural num dia lindo de sol.
Ok. Voltamos pra casa, abdominal, alongamento. Quando o Rafa saiu, o normal seria eu sentar na minha cadeira e ligar o computador. Nem. Não tive vontade. Assim como não tive vontade de conversar. Passei o almoço meio calada, sem nem uma palavra querendo escapar da boca, nenhuma idéia querendo percorrer a cabeça. Depois desci e já contei... vi Heroes. O dia está acabando.
Onde eu compro vontade para fazer as coisas que eu preciso? Existe algum disk-vontade que entregue em casa?
Eu não gosto de ficar assim. Esse estado me remete ao texto ali embaixo. Medo! Medo! Medo do vazio, mesmo que momentâneo.
Ontem eu não quis ver o jornal. Eu sabia desde sempre que o Renan Calheiros seria absolvido e quis me poupar desse constrangimento. Hoje, olhei a primeira página da Folha e hã...quanta novidade, não? Acho que a esta altura seria mais honesto dar as notícias da seguinte forma:
"Renan Calheiros paga suas contas e as de sua amante com dinheiro de lobistas e empreiteiras, ele vai mentir sobre vacas e notas frias quando questionado mas no final será absolvido, por isso mudaremos de assunto." E com letras miúdas: "queremos evitar que a amante dele fotografe nua". Fim de história, vira a página.
Acho chato demais ficar sendo forçada a acompanhar o corre-corre da mídia e da polícia para depois ver que tudo acaba como a gente sabia que acabaria. Palhaçada sem fim. A Nazaré cair da escada na novela das 8 era menos óbvio do que qualquer final de novela em Brasilia.
Fora isso, tem o remédio carézimo do meu pai. Diz a lei que o governo do estado e a prefeitura têm obrigação de fornecer medicamentos a doentes com câncer. Sim. Tem sim. O plano de saúde também. Então é preciso tentar. Sim, é preciso acreditar... tá. Quem não sabia desde o primeiro dia que isso só acontece em propaganda de campanha? Tudo acabou como eu previa, de novo, outra vez, ai que saquinho.
Eu devia tentar usar este dom para salvar o mundo. Mas hoje não estou com vontade.
Mais um café.
Acabei de guardar um dos CDs que estavam aqui jogados ha dias. Era "The Other Side of Round Midnight" do Dexter Gordon - assunto para mais um "Coisas da Vida" que eu conto outro dia, quando o disk-vontade chegar.

Besitos.

terça-feira, setembro 11, 2007

Sobre envelhecer

When I'm 64

Eu não tenho medo de envelhecer.
Na verdade não se pode ter medo do que é inevitável. Nunca entendi por que as pessoas temem a morte, ou o parto, assim como a velhice. Não seria mais óbvio ter medo de atropelamento, assalto, casamento, emprego ruim, ou outras coisas que a gente nasce sem ter idéia de que podem acontecer?
Eu tenho medo de amigo falso. Tenho medo de gente que sente raiva. Tenho medo da inveja alheia. Tenho medo de sentir dor, seja ela física ou não. Tenho medo da natureza humana, da guerra, da perda, da solidão irreversível. Mas não de envelhecer.
Na velhice o que me assusta sou eu mesma. Eu olho os velhos que conheço e acho que quero ser só um pouco como eles. Tenho medo de uma velhice melancólica. Medo de ficar chata demais, de reclamar mais do que devo, de sentir a vida esvaziar sem encontrar um sentido novo para ela.

Até aqui foi fácil. Foi fácil recomeçar mil vezes com energia e uma vida boa. Até aqui as perdas foram pequenas. Eu perdi meus avós - que não eram muito próximos de mim - alguns tios que não vejo faz tempo, um primo, alguns conhecidos. Ainda não chegou o dia de perder meus pais, meus irmãos, meus amigos mais próximos. Esta é a única morte que eu temo: a dos outros. Porque, como eu já disse, tenho medo de dor. E eu não citei a maior de todas as perdas, e nem vou citar porque a simples menção do assunto já me mata de dor. Então eu nego a possibilidade. End of story!

Quando eu era pequena, não conseguia entender porque todo velho tinha que parecer sempre curvado e com olhar triste, distante. Mas hoje, quando olho para eles, entendo. Tudo bem que um pouco de alongamento faria a curvatura dos ombros menos "eloquente", mas com alongamento e tudo, acho que o que esta curva diz é que existe um peso em estar no fim de uma caminhada. Estes ombros que carregaram uma cabeça cheia de pensamentos, desejos, planos e projetos por tanto tempo, hoje sabem que o que não se realizou vai evaporar e virar anjo no céu dos sonhos pendentes. Estes braços que carregaram filhos, flores, pacotes, presentes, mulheres, troféus, hoje sabem que muito do que se amou não pode mais ser alcançado. E talvez o olhar tão triste seja na verdade rico em lembranças, mas lembranças já um pouco distantes, que vêm junto com uma saudade enorme de pessoas que já morreram e épocas que já não existem.
Envelhecer deve ser difícil. Deve ser difícil manter a alegria. Deve ser difícil não ter por quem se apaixonar, ou manter um nível de paixão que seja razoável - que a gente não interrompa ao pensar : "Bobagem...isso não é mais possível!"

Mas olhando à minha volta, não tenho como não ter medo da velhice. Não dela, assim, no aspecto estético. Eu tenho plena consciência de que vou ser uma velha gorducha com aquela cara de "nossa, ela deve ter sido bonita", mas com todas as características de uma pessoa velha: sem colágeno, sem hormônios, sem brilho na pele. Tudo bem. O que eu não quero é a melancolia e a tristeza nos olhos. Não quero achar que sou sozinha. Não quero cobrar a presença das pessoas, fingir que estou doente para ter atenção, lamentar para mim mesma a miséria que é estar no fim. Não achar que tudo acabou quando o número de pratos na minha mesa diminuiu. Quero saber olhar a vida na tela grande e não achar que o fim é horrível, mas ter certeza de que é o final de uma estrada florida.
É assim que eu quero viver os meus últimos anos: sorrindo, contando minhas histórias, sentindo o vento no rosto, lembrando as coisas que fiz e as que quis, enxergando o caminho percorrido como uma bolha cheia de vida e, mais do que tudo, sabendo dividir a minha bolha com o resto do mundo.
E que haja dentro dela algo para deixar para a geração que virá.
Tomara!


Bom dia.

*Foto photoshopada por mim

quinta-feira, setembro 06, 2007

Blank

Eu quero muito escrever mas está difícil. Assim, como mágica, toda a inspiração parece que se esvaiu. Sumiu. Se foi.
Uma página vazia é uma tortura enorme. Ela fica parada por horas e horas na minha frente, me olhando com aquele ar impaciente de quem diz: "e aí? vai rolar?" Ai! Vai. Uma hora vai! Mas parece que todas as letrinha fugiram.
Eu não tenho dormido muito. Enquanto tento convencer meu cérebro a simplesmente desligar, ele grita num moto-contínuo tentando buscar uma idéia, uma coisa pra dizer, uma história, alguma coisa. Eu viro para o lado e aperto os olhos, mas não adianta, meu cérebro é a página em branco que me persegue mesmo quando saio da frente do computador.
Então eu vejo um filme. Durante o filme eu não presto a atenção que devia. Fico caçando frases e pensando por que não fui eu quem escreveu aquilo e o que eu poderia escrever que tivesse o mesmo efeito. Mas nada vem. Nada. Blank! Total!
Então quem sabe se eu entrar no Caixa Preta, sing in, olhar para o espaço do post - mais uma página em branco - e começar a dizer qualquer coisa...quem sabe?
Nada!
Uma história de amor? Coisas da Vida #4? Uma poesia melosa? Um texto antigo?
Nada!

Então amiguinhos...nada a declarar. Fora uma dor nas costas que eu estou rezando para que não seja o meu velho rim esquerdo gritando outra vez depois de exatos 20 anos, tudo está assim...Tudo quieto no reino de Mercedes.

Quem acredita em alguma coisa, reze, acenda uma vela, faça uma simpatia, qualquer coisa para essa página em branco me deixar.

Um beijo amigo no seu umbigo.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Depoimentos Orkutianos

“É que narciso acha feio o que não é espelho”
Então, acordei hoje toda gonza, parecendo uma velha torta e renga, mas com o ego um tanto grande. Então pensei: “Quero falar bem de mim…como faço?” E descobri! Ha! Resolvi fazer uma retrospectiva de depoimentos (testimonials) escritos por mim mesma e pela minha pessoa (sim, somos várias) pra puxar a sardinha para a minha brasinha e fazer todo mundo pensar: Nossa! Como ela é bacana! Hahah! Ai ai…dor nas costas dá um bom humor incrível!

Bom dia. E lá vai:

TOP 17 depoimentos que eu adoro para pessoas ídem!

1. Guto Lima
Boa viagem primo! Boa mundança! Mundança sim...porque tudo isso acontece quando o mundo é o quintal da casa da gente.
É meio de família essa coisa cigana de querer ganhar mais chão, inventar motivos, jogar fora os motivos e ganhar mundo de novo.
Você é uma surpresa deliciosa. Uma daquelas crianças que engrossavam a barulheira do almoço de domingo e virou um homem maravilhoso. Supreendente, brilhante, surpreendente, agradável, surpreendente...eu já disse surpreendente? :)
Vou te contar um segredo: Pessoas como você podem estar em Rimini, Camboriú, Edimburgo, Paris...vão sempre estar felizes e em casa.
Força.
2. Cris Thainy
Quem é esta mulher?
A mais bela visão. O mais surpreendente sorriso. Feita pelas mãos de algum artista caprichoso com suas nuances de branco nesse black&white intrigante.
Além de tanta beleza, é beleza também o que vem de dentro. Amiga fiel, ombro a postos, companhia das melhores. Eu tenho muita saudade dos tempos que ela estava around!

3. Ricardo Gameiro
Este é o meu irmão lindo. Não tem outro que é feio não, só este. Mas é lindo!
Meu grande companheiro de infância, o melhor amigo sempre. Meu cúmplice, parceiro no crime, ombro nas encrencas, chorão como eu, gargalhadas de quase tudo! (Ainda ama rir da minha cara.) Ele diz que eu sou responsável por quem ele é hoje.
Não tenho certeza. Acho que a gente se completou sempre tanto, que um é parte do outro. Eu não sei quem eu seria sem ele, assim como ele não sabe quem seria sem mim. E é esse amor assim.
As vezes muito de longe, e sempre profundamente perto, a vida da gente vai passando, as rugas começando a gritar...e essas duas crianças continuam rindo da vida, fazendo arte e sendo o barulho da casa.
Te amo muito!
4. Natasha Borrelli
Ela tem os olhos mais lindos. A boca mais perfeita. O sorriso mais aberto. O humor mais alegre. A gargalhada mais gostosa.
O som da minha casa, a bailarina do meu quarto, a música na minha vida. Eternamente falando e cantando e contando histórias e fazendo barulho por todos os cantos.
Como seria possível imaginar a minha vida sem uma Natashinha? Essa coisa doce e gritalhona! Minha filha linda, menina dos meus olhos!
Te amo muito, muito, muito, mas muito mais do que você poderia sonhar.

5. Mariana Zanicotti
Minha sobrinha mais amada! Doidinha, é verdade...mas um baita mulherão. Tenho certeza que logo logo vai dar motivos pra muita gente se orgulhar.
A melhor companheira, amo quando está na minha casa. Desde pequena, quando era cheia de cachinhos já era linda e dona de um sorriso enorme.
É a irmã dos meus filhos, a menina dos meus olhos, que às vezes quero matar e geralmente quero por no colo e dizer que amo.
Então...essa é a amada da Titia Querida. A fan de carteirinha, a espectadora da primeira fila!
E eu nem preciso dizer o quanto adoro tudo isso.
Te amo muito.
Titia Querida.

6. Felipe Belão
Belo, belíssimo Felipe Belão... Que nome poderia ser mais perfeito?
Só se fosse "Felipe Belo Poeta".
Belas palavras, belos pensamentos, belas perspectivas, belo sorriso que vem da alma. Tem a ânsia dos poetas boêmios e a fúria dos poetas malditos. Tudo num olhar de menino que já cresceu.
Muito ouvi falar do poeta esse. Agora que o conheço acho que meu mundo mudou. Abriu espaço para mais essa pessoa que não sei o que estava fazendo fora dele.
Um beijo, poeta ciumento...

7.Rodrigo Gameiro
Essa criatura acha que pode fazer isso com a gente! Ele chega na minha casa e vai ficando...vai ficando...daí a gente se acostuma e esbarrar com ele de manhã na cozinha...a escutar a voz dele pela casa, a dar risada com ele e ir no japones com ele. Depois, a gente começa a achar que ele sempre esteve lá e não consegue imaginar a vida sem ele.
Quando tudo está bem desse jeito bom, ele vai embora!
Me deixou morrendo de saudade.
VOOOOOLTAAAAAAAAAA!

8. Rosângela Moura
Forte. Corajosa. Impetuosa. Destemida. Guerreira. Se a Ro tivesse vivido na idade média, seria com certeza a melhor conselheira de um rei, uma guerreira brava e vencedora, a justiça transformada em gente. A história há de reservar um lugar para ela.
Esta mulher é a melhor amiga que alguém pode ter. Leal, fiel e companheira na alegria e na tristeza. Incansável, amável, maravilhosa.
Tive o imenso prazer de conviver com ela por mais de 10 anos. Na maior parte deles ela foi o meu braço direito, meus ombros e às vezes até a minha voz.
Eu teria que escrever por mais ou menos dois dias para dizer tudo o que devo a ela, o quanto sou grata a ela pela amizade e lealdade de sempre, o quanto ela foi e será sempre importante na minha vida.
Ro...a mulher mais corajosa que eu conheço. Merecedora de toda a alegria, felicidade e amor do universo.
Mãe zelosa, esposa persistente, filha exemplar, amiga indescritível.
Essa é a minha Ro.

9. Ricardo Gameiro
Vou contar pra todo mundo que você ficou bonitão porque comia pedrinhas brancas de jardim quando era pequeno! E que você era lindo andando de velocípede (impressão minha ou isso é triciclo de velho?)
E que você sempre foi engraçado, desde pequeno...e que escrevia meu nome na parede pra eu levar bronca. E que era mais novo que eu, mas era um herói porque conseguia fazer um monte de coisas que eu não conseguia: andava no muro, pulava mais longe, era um áz nas manobras com a sua bicicleta tigrão! Herói da vizinhança que caçava ladrão e empregada desaparecida...Grande saltador de valetas e adestrador de cães. Empalhador de passarinhos. Melhor sócio do mundo em criação de girino na bacia...Hahahha!
Ai que infância bem boa que a gente teve!
TE AMO!!

10. PL
O PL é uma fonte inesgotável de cultura!
. Sabe tudo de carrapatos e capivaras!
. Sabe até o nome científico de parasita inútil.
. É uma das pouquíssimas pessoas que não usam cocar a conhecer Fordlandia.
. O único que fica doidão quando come esfirra do Habibs.
. The best "achator" de músicas bacanas na internet.
E ele não conta pra ninguém mas me ama! HA!(Mas isso é porque ele jura que eu sou a Athina Onassis e todo esse amor é puro interesse!)
Mas a mais grave revelação é que o PL é um Pleidiano. Um ET. Ele não é terráqueo!
Ele veio da mesma estrela que eu, por isso não segue as leis da terra.
A gente segue as leis das Pleiades (o que torna a vida muito mais fácil).
É por isso que a gente pode passar o dia falando bobagem no msn que os layouts dele ficam prontos sem ele ter que usar as mãos.
PL rocks! PL rules!
PL é da minha laia!

11. Marilia Lopes
Ela chegou por meios estranhos. Era distante...a amiga do amigo do amigo...blog, orkut, msn e pronto. Quando eu vi estava já tão aconchegada na alegria dela que nem me dei conta de que já tinha uma grande amiga. Saiu do virtual e veio pra vida real como aquelas amigas que só as mães têm. Aquela que te acompanha no hospital e te consola quando você está com TPM irreversível. Também é ela quem ri de tudo e me diverte nas madrugadas, nas frias e nas quentes.
Entrou para a família quando a gente menos esperava, e veio, com a sua alegria maior que o mundo, iluminar tudo por aqui. Sua gargalhada é mais estrondosa que o bigbang, e contagiosa na mesma intensidade. Ela não existe. E eu amo!
Obrigada por existir.

12. Paola Zadra
Uma menininha de grandes olhos, cílios imensos e cabelinho despenteado.
Foi assim que essa figura entrou na minha vida aos cinco aninhos, fazendo manha, fazendo bagunça, trazendo alegria.
O tempo levou a gente pra longe uma da outra, mas ela sempre esteve nas minhas lembranças. Eu sempre me perguntei onde e como ela estaria.
E que surpresa deliciosa foi reencontrar um mulher linda, forte, cheia de vontades (nenhuma novidade nisso), decidida a ter uma bela vida! Eu me orgulho dessa menina como se ela fosse minha.
Fiz um pacto com o tempo para que ele não nos leve mais...Que ele leve a minha menina pra onde ela quiser ir, mas nunca mais a leve de mim.

13. Mariana Heller
She mixes the good and the bad.
She's the calm inside craziness, the lasy river inside a thunderstorm.
Halfway to hell and halfway to heaven.
Or should I say Hell "is" heaven?
Ms. H and in Heart.
Yes, sir...I do love her!

14. Mariana Zanicotti 2
Que difícil achar alguém mais especial que essa porcariazinha!
Ela não é mais aquela gordinha cheia de cachos. Ela agora é um mulherão gigante, com um sorriso que começa nos olhos e nunca mais acaba.
E a presença dela é essa coisa quietinha - eu sei que só para a família - que por dentro tem um turbilhão infinito, no sentido exato da palavra: "que-não-tem-fim".
E desse turbilhão nasce uma bondade enorme, um coração que sofre com o sofrimento alheio, olhos que gostaríam de enteder de mudar a injustiça da natureza; e a boa vontade incrível de quem quer estar ali só para você saber que ela está, mesmo que não possa fazer nada, mesmo que não saiba o que fazer.
Mal sabe ela que o fato de ela "estar ali" já é a maior ajuda que pode existir.
Eu nem preciso dizer o quanto amo essa mulher!

Titia Querida.

15. Patricia Zanicotti
Minha irmã querida!
A mais certinha, a mais alta, a mais magra, a que ri mais!
Esse sorriso aí da foto é quase constante. Sempre simpática, fala mais que o homem da cobra (acho que é de família) mas é muito brava quando a gente pisa no pé dela! Melhor não provocar.
Há algum tempo me mostrou que é um baita mulherão. Forte, decidida, capaz de tocar a vida com garra e coragem, foi buscar na unha o que era dela e deixou todo mundo de boca aberta!
A Pat é a Pat. Sempre a mesma. Sempre assim...Te amo!

15. Diogo Gameiro
Este é o meu filho. Ele diz que é hobbit, mas seria uma aberração um Hobbit desse tamanho. Eu respeito as esquizofrenias alheias e aceito que ele seja o rei dos Hobbits - Fastolf Brambel.
Só para agradá-lo eu sou Elenor Brambel, a rainha mãe.
Faz 23 anos que ele entrou na minha vida. Era gordinho e cheio de dobras, e já me olhava com esses olhos que sempre disseram: "eu sei quem você é. Vem comigo!" E eu fui. Quem não iria?
Sempre minha inspiração e minha força para andar para frente. Minha alegria, minha felicidade, meu orgulho, e tudo o que alguém pode sentir de intenso e maravilhoso. Se sempre foi isso tudo, imagina agora que é um homem...
Não, eu não estou falando de um homem qualquer. Eu estou falando do Diogo! Pessoa maravilhosa, amigo incrível, companheiro de todas as horas, irmão mais velho e neném mimado, o braço forte e o ombro confortável, equilíbrio e força, sorriso e amparo. Sem falar de uma cabeça incrivelmente brilhante.
Eu que fiz. E amo!

16. Natasha Borrelli
Hey! Você é aquele pacotinho todo amassadinho de cabelo bem preto que me entregaram na sala de parto?
Você é aquela menina que cantava "auá! auá! auá!" pela casa inteira, no andador?
Era para você que eu cantava "Twinkle Twinkle Little Star"?
Você que acordava toda noite precisamente a uma da manhã fazendo uma gritaria? E que cabia entre o pescoço e o umbigo da gente?
E que nos assustou com tombos, e nos alegrou com sorrisos, e que "não conhece essa palavrinha", que era amiga da Mimi e da Cocó?

Mas assim, desse tamanhão, toda loira e poderosa, saltitante, animada, mal humorada, deslumbrante?
É...acho que é você mesmo. Porque mesmo com um metro de perna, eu ainda reconheço o seu olhar quando pede socorro.
E eu sei que é você quando te vejo dormindo com os braços pra cima. E eu sei que é você quando meu coração
me diz: olha o seu nenem...já é uma mulher.
Faz 14 anos que a minha vida mudou de rumo e o seu caminho se tornou parte do meu.
Eu tenho um grande orgulho de ser sua mãe.

Te amo!