segunda-feira, abril 07, 2008

Sobre Bichos-Grilos e Bruxas Malvadas

Gente boa da melhor qualidade: Elder, Izabel, Sirley


Socorro!
Fui literalmente invadida...quer dizer...minha caixa postal foi invadida por um grupo enorme de pessoas que me conheceram quando eu era bicho grilo. -- Cabelos o vento, calça jeans, bata indiana, alpargata. Quando não, pelo menos uma bandana no pescoço era de lei. Camiseta do Solidarnosk, bota de camurça amarrada, quadro do Che na sala de casa, muito show ruim...muito evento chato...muito amigo artista...total poncho e conga. Ai! Agora eles vão contar o meu segredo por aí.
Não! Não acreditem na bichogrilice (isso é uma palavra?), mas podem confiar nas pessoas, porque eu só tenho lembranças boas daquele tempo.
Pera aí...só? Será?
E aquela bruxa malvada que chegava de cara amassada e se maquilava com o espelhinho encostado na máquina de escrever, limpando as pontas dos dedos na barra da calça a cada troca: do pó pro blush, do blush pra sombra, da sombra pro batom, da-lhe colorir a barra da calça por dentro! Deixa eu lembrar se eu tenho boas coisas pra contar sobre ela... é.... err.... hum....Não!
Mas há frases célebres:
"Dê graças a deus de ganhar pouco, Mercedes. Você nem imagina a quantidade de descontos na fonte que eu tenho...a soma dá muito mais que o dobro do seu salário."
Obrigada! Essa informação me fez realmente feliz! Quero ganhar pouco pra sempre...
"Agora você é magrinha, bonitinha, quando você tiver os meus trinta anos, vai ver o que é bom."
Hello? Isso é uma praga? Fiquei tão apavorada, que aos trinta eu estava muito melhor do que aos dezoito.
Ela era tão bacana tão bacana, que um dia foi dizer pro nosso chefe que não era eu quem fazia os meus textos. Coitada...Disse que eu passava a manhã empacada, ia almoçar com o meu namorado (que era um criador premiado da época) e voltava com o texto resolvido. Gente!!! Vai ser boa no inferno pra escravizar um redator e fazer ele trabalhar "de grátis" só pra você. Wow! Poderosa...
Passado isso, a bruxa malvada resolveu dizer que pra cada três jobs que ela entregava eu não fazia nenhum. Sim sim...certo, se você desconsiderar o fato de que ela era a pessoa que me passava os jobs, e eu passava dias e dias implorando por unzinho e recebendo sempre um "já vai" como resposta.

Deixemos a bruxa, mudemos de assunto.
No momento em que a minha caixa postal foi invadida eu fiz uma viagem no tempo e fiquei tentando descobrir quando exatamente eu deixei de ser aquela menininha boba porém gostosinha, para me tornar essa mulher esperta porém gorducha! E lembrei de muita gente boa da melhor qualidade, que fazia a bruxa malvada ser quase um pum em meio a um universo de gases nobres. Foi ruim isso? Uma nota destoante em meio a uma orquestra sinfônica. Melhor? Uma pequena deformação na natureza perfeita da... da... diversão no trabalho. Foram dias divertidos, sem dúvida. Eu não sabia nada! Caí ali como o último patinho a chegar na lagoa e aprendi demais.
. O que me fez conseguir tão cobiçado emprego?
- Ser protegida dos dois únicos colunistas de propaganda da época - Ney Alvez e Silvia Dias - e indicada por eles.
. Como me tornei protegida deles?
- Não faz pergunta difícil...eu não faço a menor idéia! Deve ser o meu jeitinho...
. O que me fez ter problemas com a Bruxa Malvada?
- Provavelmente o namorado pintoso que eu arranjei super sem querer numa outra agência, ou um quadril de tamanho aceitável (relaxa, isso mudou!).
. Qual era o meu talento mal aproveitado?
- Escrever...
E foi ali que eu tive que aprender na marra que não posso escrever só o que eu quero. Foi ali que eu tive que transformar toda a poesia do mundo em folheto de produto bancário: você sabe escrever? Então escreva sobre seguro de vida! Escreva sobre CDB! Escreva sobre inauguração de agência bancária em Coxipó da Ponte! Muito bem! Muito bem! Ah, que vida engraçada! Tudo isso sob o olhar fulminante da Bruxa Malvada do Leste e a proteção da linda e carinhosa Rosicler, que sentava logo atrás de mim e era doce como um anjo. E eu, Dorothy, crente que o mundo era cor-de-rosinha, tadinha, me divertia horrores com o resto da agência.
Ali eu usava um papel de rascunho amarelinho inesquecível. Era um papel de seda, quase transparente, onde eu escrevia à máquina textos de trabalho, mas também escrevia poemas, cartas e letras de música. Hoje, quando abro a pasta onde eles estão guardados, morro de rir, porque faltam muitas partes das folhas de papel. Milhares de pedaços foram recortados por amigos que fumaram tudo o que havia em volta dos meus poemas e deixaram só as letrinhas. E eu, que nem fumava, guardo até hoje o resultado de milhares de baseados enrolados em partes de poemas de qualidade questionável! Neurônios queimados? Eu duvido. Neurônios adubados. Ah! A vida é sim engraçada!

Época fecunda aquela, por falar em adubo. Época em que ainda havia romantismo e alguma arte na propaganda. Época em que havia espaço nas agências para meninas de dezoito anos curiosas e com a cabeça na lua. Época da máquina de escrever, de nankin, ecoline, letraset, arte final, revisão no overlay. Época da invenção do Marketing, pode-se dizer, quando ainda eram poucas as gravatas e quase não se ouvia falar em MBA. Ainda se usava o instinto. Ainda valia ser artista. Aquelas pessoas com sotaques diversos inventaram uma agência que inventou a imagem de um banco incrível, que começou com um fazendeiro visionário e terminou com outro fazendeiro visonário. Tudo aquilo era, na verdade, uma comunhão de loucos visionários.
Eu não passei muito tempo ali, talvez um ano ou um pouco mais, o suficiente pra eu poder me gabar.
Agora, minha caixa postal vem trazendo todos os dias um pedaço daquele tempo. Com isso eu descubro que alguns algozes hoje me parecem doces*. A menina bicho-grilo me parece engraçada e muito mais bem intensionada do que eu achava que era. A vida me parece rica de histórias boas. E vendo as fotos, os anos 80 me parecem cheios de bigodes.
Olhar para aqueles dias me traz lembranças incríveis. Até a barra da calça maquiada da malvadona me faz sorrir.
Bom demais.

Um beijo amigo no seu umbigo.

*(menos a bruxa malvada que eu ainda acho malvada)



quinta-feira, março 20, 2008

O que trazes pra mim?


Coelhinho da Páscoa? Você está aí?
É que as Páscoas não parecem mais as mesmas. O que aconteceu?
O que aconteceu que o gosto do chocolate não é mais tão doce? Quando foi que passou a ser enjoativo comer um ovo inteiro e correr para roubar o chocolate alheio?
Eu lembro ainda de acordar ansiosa. Lembro de levantar a minha xícara emborcada no café da manhã, e ficar feliz ao encontrar um ovinho escondido ali. Todos os anos...sempre igual...e a mesma alegria. Depois eu cresci e a Páscoa tinha mais gosto de família grande do que propriamente o doce dos ovos.
Eu cresci mais e os papéis se inverteram e o gosto ficou ainda mais doce. Era eu escondendo ovinhos, doces, balas por toda a casa, fazendo pegadas de farinha, enfeitando ninhos. Depois, na beira do fogão fazendo os ovos, embrulhando com laços enormes e papéis coloridos, ensinando às crianças a mágica do Coelhinho. E domingo era dia de criança feliz, pezinhos correndo desde cedo, gritos de euforia ao encontrar pegadas, descobrir caminhos, chegar ao tesouro. Alegria! E foram muitos anos assim.

Agora parece que o coelho se foi. Os passos são mais fortes, os doces em menos quantidade, sem ninhos, sem pegadas. Só o ovo embaixo da xícara continua lá. Eu ainda presenteio minhas crianças, mas a casa é menos enfeitada.
Talvez esta seja a primeira vez que a "nostalgia de crianças" tenha batido no meu coração. Onde estão as crianças? Elas meio que se foram e no lugar delas há homens e mulheres. No lugar dos olhos brilhantes de ansiedade, há olhos brilhantes de futuro - um futuro presente. No lugar de seus gritos de euforia, há vozes firmes com opiniões idem, vontades certas de personalidades já totalmente esculpidas. Não há mais seres em construção, embora estejamos todos sempre. Agora os habitantes da minha vida são quase todos adultos com seus olhares de criança. Ou são os meus olhos? Nenhum deles - filhos e sobrinhos - tem que olhar para cima quando fala comigo, ao contrário, sou eu quem tem que ficar nas pontas dos pés para beijá-los.

Pela primeira vez, a Páscoa parece mesmo ser "travessia". Lá vou eu atravessar esta ponte, este mar, este mundo inteiro, para passar de formadora a espectadora. Agora eu preciso saber sentar e assistir. É estranho, porque a travessia deles é a minha travessia. Lembra quando eles subiram pela primeira vez a escada do escorregador? Lembra como eu fiquei sentada, prendi a respiração e os segurei com os olhos para que não caíssem? Lembra o uniforme novo, primeiro dia, lancheira a tiracolo, chupeta no bolso? E eu parada no portão segurando com o coracão um delicado fio invisível, com uma vontade imensa de puxá-lo de volta. Lembra da primeira viagem sem mim? Eu arrumando a mala, fazendo trinta recomendações e segurando com a alma todas as orações que conhecia, para que eles voltassem?
Travessias. Pequenas, diárias, eternas travessias. Pequenos "mares vermelhos" que precisam ser transpostos todos os dias de todos os anos, nem sempre encontrando um ovo embaixo da xícara. Isso é Páscoa. É transformar a vida - a minha e a dos outros. É transpor mais um obstáculo, é arriscar mais uma vez, é enfrentar o mar para pisar em terra firme. É libertar.
Depois de libertar tantas vêzes, talvez eu veja o mar de outra forma. Da cabeceira da mesa, eu entendo que todos estes adultos já não precisam de mim porque já foram libertados, mas estão comigo. Foram pequenas dores seguidas de pequenos orgulhos, umas mais tênues, outras mais agudas, uma atrás da outra, até que todos entendêssemos que é assim que a vida vale a pena: transpondo para crescer; e que as finíssimas linhas que eu cortei a cada vez que os vi cruzar a porta de casa ou atravessar mais um portão, tornaram-se os laços fortes e eternos que nos unem.
E eu atravesso feliz a ponte que me leva a esta nova fase da vida, mais doce, bem mais doce do que chocolate.

Feliz Páscoa.

segunda-feira, março 10, 2008

O oco

foto bem velha

Oh my...oh my...estou me tornando repetitiva! Já até publiquei post antigo que todo mundo já leu. Crise criativa. Writer's block. Branco total radiante. Chame como quiser.
Eu chamo de "o grande oco das palavras". É quando elas crescem e tornam-se assustadoramente monstruosas e eu fico minúscula diante delas. Se eu ouso encará-las descubro que elas se organizam de forma a criar um vácuo de proporções imensuráveis: o grande oco. Um mistério.
Elas nunca me faltaram mas hoje eu confesso, não sei como encontrá-las. Paro em frente ao espelho, dou aquele sorrisinho de começo de conversa...olho de novo...espero ouvir o som da minha voz, mas...nada. Silêncio. Não há palavra a ser dita.
Já não posso dizer o mesmo sobre o meu carro. Ah, não! No carro elas vêm fácil! Acho que vou começar a gravar o que elas dizem na marginal, porque parece ser seu lugar preferido. Hoje elas disseram coisas incríveis e me ensinaram o que eu meio que sabia, mas não era capaz de verbalizar:
"A crise criativa não é causada pela falta de uma paixão. Se apaixonar é inventar um ser perfeito onde havia apenas uma pessoa. Logo, a falta da paixão é que é causada pela ausência da criatividade."

E eu entendi tudo...

Foi dirigindo na marginal também que eu a vi terminando de fechar o ziper lateral do vestido preto decotado nas costas que tornava sua pele ainda mais branca e perfeita; tirou o excesso de batom, soltou alguns fios do cabelo, pegou a pequena bolsa e foi para o corredor. Parou no alto da escada, desceu lentamente os dois primeiros degraus, olhou para ele ali parado, olhos brilhando...perguntou:
- How do I look?
Sem desviar o olhar ele esticou o braço para recebê-la e respondeu:
- Mine.

Foi no carro também que ele riu do CD que estava tocando e disse que ela era muito mais retardada do que ele imaginava; e ela provou por A mais B que ele era preconceituoso.
" Quando sua mãe cantava para você dormir, ela não pensava em cantarolar músicas elaboradas. Ela cantava uma melodia óbvia e simples que você foi capaz de repetir com um ano de idade e nunca mais esqueceu. Melodias óbvias e simples com letras fáceis acalmaram seu coração em momentos de medo ou de perda, e você aprendeu a gostar de música graças a elas. Existem milhares de formas de se dizer a mesma coisa. Eu posso elaborar e complicar a maneira de dizer "eu te amo", mas ainda vou estar dizendo "eu te amo". E se eu quiser que todo o universo entenda que eu te amo, é melhor dizer assim, da maneira mais popular. E popular é o que esta música é. Popular porque é capaz de ficar na cabeça de um grande número de pessoas. E só consegue essa mágica por ser óbvia, simples, e dizer o que quer com pequenos rodeios óbvios e simples. Olha só...vou te mostrar. Você ouviu esta música alguma vez? Não? Ótimo...feche os olhos e tente cantá-la junto com o CD..."
Surpreendentemente ele obedeceu e descobriu que era capaz de adivinhar a próxima nota, e a outra e a outra.
" Viu? É simples...o que não quer dizer que seja ruim. É como a música que a sua mãe cantava... você ouve a primeira nota e adivinha o final de cada frase...ISSO é MÚSICA capaz de mover a mim e a um intelectual, a você e ao homem mais simples. Ela existe pra mover pessoas. É puro instinto. O homem fez música antes de saber se comunicar. A capacidade de fazer música é inerente ao ser humano e vem de algum lugar que não passa pelo raciocínio lógico. Se você ouvir com a alma e não com o preconceito, toda música é pura...como os seus instintos."
E ele entendeu Akon e Justin Timberlake.
(posso rir? hahahahha)

Não sei quantos diálogos eu já travei nos sei la quantos kilômetros que separam minha casa dos Jardins, do Butantã ou de Moema. Quantos amores eu inventei, quantas cartas de despedida, quantos encontros improváveis, quantas mulheres diferentes...quanta coisa eu disse e pensei, mas deixei que o vento levasse embora junto com a fumaça do cigarro.
Talvez eu precise dirigir mais...talvez eu precise gravar esses momentos.

Tá complicado.

Bom dia.

domingo, março 09, 2008

Cartas #1

(este é um post antigo, que eu escrevi após ver um filme na TV em que um homem recebia uma carta xôxa de despedida e eu resolvi que tinha que reescrevê-la. É...eu sei que eu sou louca!)


Adeus.
Acho que já dissemos isso antes.
Quantas vezes será que nos olhamos pela última vez? Quantas vezes meus olhos saíram molhados da sua frente e o gosto de “nunca mais” permaneceu na minha boca? Quantas vezes voltei atrás mesmo sabendo que diria adeus novamente?
Os anos se passaram, e mesmo tendo dito tanto antes de nos afastarmos para sempre, ainda tenho muito a dizer. Não é mais hora para melodramas, ou para culpar um de nós pelo que vivemos. Mas o tempo passou rápido demais e já é hora de partir de verdade. Desta vez sem volta.

Você não deve saber a importância que tem na história da minha vida, por isso decidi escrever:

Depois que nos despedimos na última vez, minha vida tornou-se tranqüila e equilibrada. Eu nunca mais chorei demais. Nunca mais sofri demais. Nunca mais senti ódio. Nunca mais quis matar ninguém. Não me senti traída, não me senti rejeitada, não me senti a última das mulheres, não fui mais pisada. Mas pisei na sua memória. Execrei o seu nome. Destruí cada pedaço de papel que você tenha tocado, cada roupa que me lembrava você, cada foto, cada peça da minha casa que trouxesse você à lembrança. Isso me fez bem. E era esperado.

O que você talvez não saiba, é que pensei em você todos os dias em que estive consciente. Pensei em você todas as vezes que fiquei muito feliz, imaginando como você reagiria ao saber que eu estava esfuziante. Pensei em você todas as vezes que estive triste demais...e então rezei pela sua mão enxugando minhas lágrimas. Rezei pela sua presença na minha doença. Rezei pela sua imagem no meu desespero. Rezei pelo seu cheiro na minha solidão. E estive tão sozinha...Mesmo na vida plena e cheia de amigos e familiares que tive até o último dia, você era o fantasma que rondava meu quarto, a mesa do natal, os ninhos de páscoa, o quarto das crianças, as flores do jardim. Você cantou pra eu dormir, viu minhas lágrimas na chuva, foi cúmplice dos meus sorrisos, me protegeu do perigo.

Sabendo que você era tudo o que eu não queria, eu passei a vida ao seu lado, sem tê-lo. Sorri pra você em frente ao espelho. Falei com você andando na rua. Pedi que o telefone tocasse, que a campainha soasse, que o carteiro me entregasse um sinal da sua existência.

Lembrei de você a cada prato preparado, cada roupa nova, cada feito, todos os dias e todas as noites, e todas as horas em que minha mente se encontrou vazia.
Agora estou indo embora. Sozinha. Não sei como voltar ou como evitar que, no vazio da morte, eu sinta a sua falta. Tenho muito medo que a vida eterna exista, e que nela só haja a lembrança do seu sorriso, do seu cheiro, das suas mãos. Que o purgatório seja poder lembrar o gosto do seu beijo.
A morte me apavora. E eu pensei que estivesse preparada. É lógico que todos pensam que sim. Estou tentando deixar que imaginem que estou indo em paz, mas só para você eu posso dizer que tenho medo, meu amor...tenho medo de ir sem você. Queria que você me desse a mão como fez outras vezes. (Nenhuma outra mão se encaixou na minha como a sua). Queria deitar minha cabeça no seu peito mais vez e ouvir a sua respiração que me acalma. Queria ouvir a sua voz dizendo que eu posso ir, que você vai cuidar de mim.
Preciso ir.
Queria que você soubesse o que sinto. Mesmo tendo acabado tão mal, mesmo tendo sido tão ruim, eu não pude tirar você de mim. Na sua ausência, estive ao seu lado, que é o meu lugar.
Deixo para você a certeza de ter sido amado como ninguém mais.

E é com o seu sussurro em meus ouvidos e a sua mão na minha que eu fecho os meus olhos...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Rebimboca da parafuseta

Coisas imprescindíveis que ainda não foram inventadas.
(meu filho disse que eu imitei o McDonalds, mas eu to de regime há 3 meses!!)


. Hormônio da terceira dentição:
Agora que o ser humano está vivendo mais, vai precisar de dentes por mais tempo e não vai querer perder tempo com coisas pre-históricas como dentistas.

. Sleeping-Shapekeeper:
Aparelho que “malha enquanto você dorme”. Você conecta alguns eletrodos e, quando acordar pela manhã, terá corrido 10 km e feito uma hora de pilates ou atividade a escolher. Tudo sem acordar nem para fazer xixi.

. Weird Mood Translator:
Aparelho que traduz aquela cara estranha que seu marido fez quando você contou seus planos para o fim de semana, ou para a nova decoração da casa.
É acionado à menção da frase: “Não…nada…”

. Ouvidor Plus:
Aguça a audição de maridos em geral, forçando-os a escutar o que as esposas falam, mesmo enquanto eles lêm o jornal. Vem com gerador de choque elétrico para o caso de respostas do tipo: "an hãa"

. Calories Evaporator:
Apresentação: Provavelmente um comprimido.
Indicação: ataque de gula.
Posologia: 1 comprimido após a ingestão de um Big Mac, uma coca grande, uma batata grande e um Sunday de chocolate.
Ação do medicamento: Evapora o alimento consumido, permitindo assim que o paciente coma à vontade sem que calorias sejam absorvidas pelo organismo.

. Desintegrador de chatos:
Não preciso explicar isso

. Demaquilante automático:
(encomendado por Carol Garofani).
Parece uma toca de banho, só que maior. Antes de dormir, enquanto você faz o último xixi do dia, coloque a toca cobrindo o rosto e os fones no ouvido. O demaquilante vem com MP3 para você não achar tedioso. Em menos de 2 minutos, a toca demaquilante remove sua maquilagem, tonifica e hidrata sua pele.
A toca demaquilante vem em dois modelos: Before30 e After30. A versão After30 vem com creme anti-age.

. Escovador de dentes Dentist Free:
Ainda não sei como vai ser, mas alguém precisa fazer isso rápido. Não tem nada mais chato do que escovar os dentes. Ah tem! Dentista!

. Mãe Simulator:
Um boneca inflável que fica sentada em alguma parte da casa o dia todo. Preparada para ouvir e reagir em caso de queixas, fome, ataques de pelanca e crises existenciais.
Preparada para ouvir a palavra MÃE mais de 500 vezes num mesmo dia sem perder a paciência.

Doméstica HD Plus:
Extra brain cells for your maid.

Mãe Calaboqueitor:
Dispositivo invisível, inodoro e incolor que impede sua mãe de dar palpites na sua vida, seus amigos, seu figurino, na cor do seu cabelo ou na escolha do seu namorado. Toda vez que ela começa a ter um ataque de preocupação com o seu futuro ou suas atitudes, o Mãe Calaboquitor põe a véia pra dormir.

MSN Block Forever:
Você bloqueia a criatura, e mesmo que ele baixe 300 programas para tentar descobrir, você nunca vai receber um e-mail dele dizendo que acha que você o bloqueou por engano.
Este programa também impede seu computador de adicionar ao MSN, Orkut, MySpace, Facebook, AIM ou seja o que for, pessoas com nomes começados por mais de 1 símbolo, ou contendo as palavras Jesus, te, ama, fofinha, gostoso, pegador, ou diminutivos em geral.

NoContas:
Pagador de contas automático. O aparelho recebe, abre, programa e paga sem você precisar sequer olhar o vencimento. Também não é preciso se preocupar com o dinheiro, porque em caso de conta negativa, o aparelho produz o próprio dinheiro, cobre a conta e ainda deixa um extrazinho. (no mac tem esse...droga!)

Cardápio Penseitor:
Aparelho acoplado ao interruptor de luz da cozinha, que pensa o que fazer para o almoço e para o jantar. Nunca mais sua empregada vai perguntar o que fazer quando você já estiver na porta do elevador. No caso de não-empregada, não se estresse, assim que você acende a luz da cozinha, o Penseitor analisa o conteúdo da geladeira e dos armários e elabora o cardápio para você. Vem com as opções Dia-a-dia, Data-Especial e Brincando de Nigela.

DogPileFree:
Não importa a raça ou o tamanho do cachorro, o DogPileFree resolve todos os seus problemas. Chega de sair às 7 da manhã na chuva para passear com o seu cachorro. DogPileFree é uma esteira com várias opções de postes e cenários, com saquinhos plásticos acoplados. É simples e prático. Basta colocar a super cinta higiênica no seu cãozinho, acoplar o saquinho e ligar a esteira. Pronto...
E isso não é tudo: na compra do DogPileFree, você ganha o exclusivo spray desintegrador de cocô NoMoreShit! Basta um esguicho e ninguém vai saber o que o seu cachorro comeu.
E não é só isso: se você ligar agora, vai receber na sua casa a esteira DogPileFree, o spray NoMoreShit e a fucinheira musical BluesDog, que transforma os latidos do seu chiuaua chato em música para os vizinhos.


É claro que não é só isso.
Do jeito que o mundo e o Polishop andam, ainda vem muito por aí.

Até o msn minguar

Shhh....é madrugada.
Alguns dormem, outros não estão em casa. Só eu pareço existir nesse mar de silêncio onde o som mais forte vem das minhas unhas batendo nas letras do teclado.
Por incrível que pareça, o P é mais agudo que o U, mas o M é o campeão; não há nenhum pedaço de carne tocando o M, o C, a vígula e o V. Só minhas unhas vermelhas. Talvez por isso essas sejam sempre as primeiras letras a desaparecer. Daqui há dez mil anos, arqueólogos vão reconhecer os meus teclados por marcas de unha nas letras debaixo, e pela falta de quase todas as letras, fora os números, o Y e o W, que só estão gastas, mais ainda podem ser vistas.
Conforme a manhã se aproxima, eu vejo a lista do msn minguar, até que me vejo sozinha. Sim, eu me tenho no msn. (Você não? Louco!) No fim da madrugada estou acompanhada de no máximo duas pessoas da AOL, e mais nada.
De agora (meia noite e trinta e seis) até o msn minguar, os sons que não existem começam a se intesificar. Começa com o caminhão que varre a rua depois do lago - parece longe, mas quando ele passa, eu acho que vai lavar o meu quintal. Tem o vôo das três em ponto. Alguns pernilongos debaixo da mesa mordendo a minha perna e eu não sinto, só escuto. O motor da geladeira que me assusta às vezes. As capivaras no parque com aquele latido estranho. É, parece um latido, mas é gutural e forte. Às vezes um latido antecede o mergulho de uma delas no lago, e o tibum me faz rir. Tem os gambás (saruês) que fazem um escândalo quando descobrem casais cruzando; tem sempre platéia e uma gritaria. A impressão que dá é que pássaros gigantes, pterodátilos talvez, estão dando razante ali no muro dos fundos. Às vezes tem mesmo um pássaro retardatário, os cães da vizinhança, um gato se engraçando pra outro... Sim, os gatos...eu escuto as coleiras dos meus gatos quando eles andam no jardim, como se fosse a Sininho chegando.

O silêncio chega às vezes ao ponto que eu chamo de Discovery Channel. Uma madrugada dessas, só eu e o som das unhas no teclado, e vejo um vulto subindo a parede. Era uma lagartixa. Olhando melhor, eram duas - uma adulta e uma pequena. As duas tinham o mesmo objetivo: um mosquito distraído. Eu parei para ver qual delas ganharia o jantar... a grande estava bem perto do mosquito quando a pequena se aventurou numa corridinha meio gay. Violentamente, a adulta virou para ela, abriu a boca e, pra minha total surpresa, gritou! Santo lagarto, Batman! Lagartixa grita!! Claro que não é um super grito, mas é como se um jacaré tivesse encolhido e ficado meio sem voz. Eu morri de rir com a fuga a jato da lagartixa pequena, e com a minha cara de idiota ao constatar que animais silenciosos também sabem armar um barraco. É ou não é Discovery Channel?

Fora esses sons "Reino Animal", tem o rádio do segurança que passa com seu carrinho branco, jurando que não é ouvido. Ele passa muitas vezes até o msn minguar, e nunca desliga aquela coisa. Se alguém namora no carro antes de se despedir, duas ruas pra lá, eu escuto o baixo da música que toca no rádio. E tem o mané que faz cavalo de pau no fim da ladeira, -- lá depois do rio -- noite sim, noite não, ele brinca de me fazer desejar que o carro capote de uma vez pra ele parar com essa chatice.

As noites são parecidas. Fora a festa dos gambás, nada muda muito.
Chega sempre a hora que eu escuto o freio a disco do carro do entregador de jornal, o barulho do pacote batendo no chão da garagem, e sei que é o sinal para ir dormir. Apago cada uma das luzes que ficaram acesas, fecho a porta de vidro que faz um ganido dos infernos, entro no meu quarto com o maior cuidado para não acordar o meu marido... e quando coloco meu celular no dock pra carregar, ele faz um apito escandaloso astronômico que poderia acordar todo mundo num raio de vinte kilômetros. Mas não...sou só eu que me incomodo com ele. Todos dormem jurando que o mundo está em silêncio.


Buenas.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A janela que me reflete

Esta não foi a primeira vez que eu recebi mensagens no msn, e-mail, telefone, sms, perguntando se um texto meu é auto-biográfico. "Quem é o cara do monólogo?", "De quem são aqueles olhos no post?", "Quando foi aquele Coisas da Vida?"
Mesmo quem me conhece há muito tempo tem dúvidas... Mas eu preciso lembrar a todos que faz 16 anos que o único lugar existente para grandes aventuras é dentro de alguma curvinha das muitas que o cérebro faz. Talvez só alguns milhares de neurônios sejam responsáveis pelos amores mais incríveis e a histórias mais deliciosas.

Anyway, fato: até seria divertido ser a heroína de todos os que passam a vida atrás da mesa ou no sofá permitindo-se pequenos prazeres ao ler ou ver uma história de amor. Mas a verdade é que eu sou uma delas. Eu fico de pijama e cara amassada, atrás da minha mesa branca, me permitindo pequenos prazeres ao criar histórias baseadas em coisa nenhuma.
Auto-biográfico? Eu já defini isso uma vez. É lógico que tudo o que se escreve é um pouco auto-biográfico. É a auto-biografia da alma. Se eu escrevo "Um Tango para George". aquele George sou eu, e cada linha de diálogo que ele diz veio de dentro de mim. Em algum lugar aqui dentro existe um George - homem dos sonhos de 8 entre 10 mulheres acima de 30 anos no mundo ocidental. Em algum lugar dentro de mim existe uma Lívia, uma Mélia, uma mulher como aquela que foi arrebatada pelos olhos azuis ali em baixo, que deu mil e vinte seis beijos e um chocolate para alguém mais lá embaixo, que esteve com Daren e Mr. (quem? Não lembro mais) em aventuras incríveis. Até mesmo os personagens masculinos mais estranhos, como Pedro, o cara inseguro que perdeu o celular na noite do ataque do PCC e não sabe mais voltar pra casa; e a mulher dele que é chata e não sai com ele porque está com dor de cabeça.
Eu já disse de outra vez: "eu sou única e sou muitas. E sempre haverá mais de mim."

Ainda seguindo a linha "auto-biografia da alma", muitos dos meus homens são homens que eu conheci. Alguns de seus gestos, bons ou ruins, algumas de suas frases ou seu jeito de vestir. Todos eles, um por um, sou eu e mais alguém. Alguns homens incrivelmente admiráveis outros desprezíveis, mas todos são parte de minha vida um dia ou em outro, e marcam por alguma coisa que, mais cedo ou mais tarde, vai estar num texto meu. Por serem parte de mim, estão na minha alma. Por estarem na minha alma, vão tornar-se palavras.

Isso é só pra dizer que é uma pena...uma pena que eu não seja a super-heroína que vive por aí tendo paixões e amores incríveis em quartos de hotel e lugares distantes. Apenas, como a criança que eu fui, invento histórias na frente do espelho. E esta tela branca grande que eu uso para escrever me reflete tão bem, quando o dia está claro, que eu simplesmente não posso resistir.

Um beijo amigo no seu umbigo.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Monólogo

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Passei com o meu carro por lá e estava uma confusão. Olhei curiosa e você me viu. Eu continuei devagar, você saiu do meio da multidão com o braço para cima gritando meu nome. Não parecia verdade, mas você gritou meu nome outra vez, me pediu para parar. Eu parei em fila dupla, outros carros me xingando e buzinando, mas não tinha o que fazer. Se eu desse a volta na quadra talvez perdesse você… Não! Nem pensei em andar mais dez metros. Quando vi seu braço esticado, seu pescoço tentando crescer para me ver, sua voz gritando meu nome…eu parei. Só parei.
Não olhei para trás. -- nem para os carros, nem para você. Tive medo de me mexer. Olhei pelo retrovisor externo e vi você afastando a multidão com os braços, se esgueirando para passar entre as pessoas. Meu coração bateu forte. Um frio na barriga. Medo. Muito medo. Por que você estava aqui? E você veio chegando, as pessoas tentando entender onde você ia, aqueles homens querendo evitar que elas seguissem você, queriam levar você de volta para dentro…e você chegando. Quando você parou na porta do carro, eu não olhei para fora. Fiquei como estava, olhar fixo no espelho que já não mostrava nada, meu coração pulando, meu estômago virando, fechei os olhos como se esperasse a pedra que vinha bater na testa. Você bateu no vidro. Eu apertei o botão e virei o rosto na sua direção com medo que meu coração pulasse e sujasse a sua roupa. A sua roupa. Uma manga longa por baixo da outra curta. E por dentro você vestia um sorriso que ofuscava toda a rua. O ritmo dos meus batimentos cardíacos mudou quando encontrei seus olhos. Parou. Três segundos de morte e eu precisei sorrir. Você perguntou onde eu estava indo. Eu disse que não sabia. “Não sei mais, não lembro, e você? Onde você estava indo que veio parar aqui?” Você abriu a porta do carro, levantou a mão e fez sinal para alguém que eu não vi, mas que entrou no meu carro assim que eu saí. Você mandou guardar o carro e disse no meu ouvido que eu não ia a lugar nenhum e nem você. Eu estava atordoada com toda aquela gente, e não conseguia entender a sua presença, tão perto, sem eu saber, sem me avisar. Era como um sonho ou uma alucinação, mas sonho não segura o braço da gente, e você me puxava pelo braço me levando sei lá pra onde. Passamos no meio de toda aquela gente e elas perguntavam umas às outras quem eu era sem ninguém responder, nem eu, porque eu não sabia mais. Só sabia que você estava ali, jeans, camiseta e a outra, e um sorriso que ofuscava todo o bairro, e aqueles olhos felizes me olhando. Você me puxou correndo e me levou para o elevador, apertou o botão que fecha a porta três vezes, quatro, cinco e a porta fechou quando a multidão chegava. Você suspirou aliviado fechando os olhos e, sem abrí-los, me abraçou sem dizer nada de um jeito de quem queria muito um abrigo, mas fui eu quem se abrigou no seu peito, as costas escondidas entre os seus braços, e sua boca beijando o meu cabelo. Eu não disse nada. Não podia. Minha voz não sairia e nem saberia o que dizer. Você ficou assim até o elevador parar no décimo andar e só me largou quando a porta abriu. Você me puxou de novo, segurando meu braço e minhas costas, me guiando pelo corredor que eu não sabia onde ia dar. Eu olhei para você, tão alto, que me sorriu outra vez e parou me olhando. Era o meio do corredor do décimo andar e eu não sabia porque estava ali, ou você, sem eu saber, sem me avisar…Você disse que eu sou melhor ao vivo e eu disse que você também não é mal, você sorriu dentro de mim de um jeito que eu não sei explicar e ofuscou toda a cidade. Você me abraçou de novo mas antes que eu pudesse me encaixar no seu peito, me levantou no colo e continuou andando pelo corredor do décimo andar me beijando enquanto andava, enquanto meu coração parava. Eu não disse nada, porque não sabia como tudo isso estava acontecendo se eu estava acordada e não estava sozinha, porque não tive tempo desde que parei o carro para sonhar por um minuto. Você abriu a porta e eu vi as malas fechadas. Deduzi que você acabara de chegar e comecei a entender porque eu não sabia. Eu também não avisaria; chegaria e pegaria o telefone pra dizer “hey! O que você vai fazer daqui há meia hora?” Aí contaria que estou aqui, que vim te ver, que não podia deixar você sonhar comigo acordado para sempre assim, no vácuo dos pensamentos. E quando você me devolveu ao chão, eu vi tudo rodar e você me segurou, perguntou se eu estava bem e me beijou de novo. Me sentou na poltrona, parou na minha frente, sorriu com os olhos bem dentro dos meus, e disse tudo o que eu tinha pensado. Que você ia me ligar, que só veio para me ver, que não podia mais ficar assim, no vácuo dos pensamentos. Disse que não quis me avisar com medo que eu fugisse. “Fugir? De você?” Você estava mesmo no vácuo de alguma coisa,  ou saberia que é impossível fugir. Você segurou as minhas mãos e eu lembrei que queria as suas. Segurei as duas para mim e olhei os seus três anéis. Agora fui eu quem sorriu dentro de você e ofuscou todo o planeta. Eu beijei as suas mãos por existirem... e você entendeu o que eu quis dizer.
Deixa eu mentir para mim? Deixa eu achar que estou acordada e que não estou sozinha e que o seu sorriso está aqui ofuscando todo o universo.


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Eraser


I can see you from where I am.
I can see the green light.
Strange…

I don’t feel like walking in your direction.
I don’t feel like talking, for you look like fiction.
I don’t feel I’m part of your dysfunction.

I guess your words have erased you.
I guess my sadness has killed you.

I can see you from where I am
So I look for what I once felt
But you’re not there…
You’re not even real.

I think my spirit has erased you.
Yes, sure...my heart has already killed you.


segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Ficando exigente?


Então eu sento e escrevo um milhão de histórias.
Então escolho uma ou duas e começo a desenvolver.
Então fico enchendo o saquinho das minhas colaboradoras pra pedir mais e mais histórias.
Então nunca acho nada do que faço bom o bastante.
Mostro para o Cláudio, que tem sempre os "por que não's" guardados na manga, como se ele fosse o mantenedor do senso de realidade de todas as histórias do mundo.
A gente se frustra e acha que nunca, nunca, nunca vai ter uma grande história para filmar.
Que chato!
Aí eu vou ao cinema. Não assim: Oba...vou ao cinema me divertir um pouco. Não! Sento lá por duas horas para ver o que faz um filme chegar aos pés daquela grande e inatingível estátua dourada. Então coloco os óculos (to ceguinha ceguinha!), deixo minha garrafa d'água à mão, me acomodo na poltrona com lugar marcado - sim...filme de Oscar merece certos luxos! - e penso: Pelo amor de deus, surpreenda-me!
Ai gente...que tédio!

1. No Country for Old Men (onde os fracos não têm vez): Tradução mais imbecil que eu vi nos últimos tempos. hahah! Esse cara que cria nome de filme em português merecia encontrar um caminhão na contramão!
Mas vamos a ele. História boa. Boa...fora o fato de uma criatura que encontra uma quadrilha inteira de traficantes mortos no deserto, deixa o único que estava vivo pra morrer lá pedindo água, e rouba uma mala com um milhão e meio de dolares; resolver ter um ataque de culpa de madrugada e levar água pro cara que tava morrendo. Hello??? Ele já mostrou que é uma pedra de frio. Ele nem ficou ofegante quando achou a chacina. Ele nem pensou em chamar a polícia! Culpa de madrugada??? Give me a brake! Pior que se tirar isso não tem filme!
Okay então...vamos engolir essa. O que mais eu tenho a dizer? Que nem a cara feia do Javier Barden me emocionou. Que no meu tempo quem fazia filme lento era sueco, russo ou alemão. Que a gente já viu "A morte pede carona" e depois dele mais 800 road movies com um maníaco perseguindo alguém com ou sem motivo. E que fora o filme acabar praticamente do nada - e com um belo texto - nada mais me surpreendeu. Tédio...

Ok...next!
Juno.
Ano passado eu já fiquei meio assim, achando que eu devo ser muito chata ou estar meio "fora da real" quando vi Little Miss Sunshine. Uma delícia de filme que eu veria na sessão da tarde e daria muita risada, mas que não sei muito bem o que está fazendo ali perto daquela estátua dourada. Pois é. Lá vem eles de novo premiar um filme assim.
Juno é delicioso. A Ellen Page justifica a indicação por um único motivo: se o filme fosse protagonizado pela Lindsay Lohan ou pela Hillary Duff, ou qualquer outra atriz de filminho adolescente, a gente não ia nem acreditar que a Juno tava grávida, nem achar que ela transaria com aquele garoto feio sem pelos nas pernas.
Pois bem. E o resto? O resto é bonitinho. As pessoas trabalham bem. A história é bem conduzida. Você quase acredita que vai dar uma caca muito grande que não rola. Filme bom. Bem bom. Mas podia passar domingo à tarde no Disney Channel. Oscar? Hm...tem alguma coisa errada com a Academia.

O Caçador de Pipas: chorei as entranhas! Mas era previsto. Todo mundo sabia que num determinado momento a gente odiaria o Amir, depois ele iria se redimir da maneira mais complicada possível. Ok ok...Quem não leu o livro, leu a orelha do livro. Quem não fez isso leu algum resumo numa revista semanal, ou escutou de uma senhora da família que passou o almoço contando o livro, num dia qualquer.
Mas o que você imagina quando eu digo "TORNEIO DE PIPAS NO AFGANISTÃO"? O que você vê quando pensa num céu com milhares de pipas voando, duas vezes o número de pipas em crianças nas lages de milhares de casas? Pois eu vejo uma cena linda! Cinematográfica ao extremo, quase mágica e surpreendente. E se eu digo que o filme abre em San Francisco, num parque em frente à San Francisco Bay com a Golden Gate no fundo? Eu vejo uma cena linda...
É... isso eu. Parece que o diretor de fotografia do filme não viu bem assim. Essa criatura perdeu no mínimo 20 oportunidades de fazer um cinema bonito, trocando tudo pela fotografia mais crua e feia que eu vi desde algum documentário sobre favela. Fora o elenco feidimás...mas isso não tem muita saída, já que o Afganistão não é muito dotado de pessoas com a beleza que para nós é bela. Pelo menos só está indicado a melhor música...se estivesse indicado para melhor fotografia, eu ia cortar os pulsos.
Fora isso, tem um Taliban que aparece no fim do filme que eu jurava que era o Jim Morrison. A única pessoa no elenco que não podia, de jeito nenhum, parecer nascido na Califórina, parece até que surfa! Pois bem, era o Jim Morrison disfarçado de Taliban. Péssimo.

Ainda falta Michael Clayton e Sangue Negro. Fora os que chegaram perto do Oscar: A Mighty Heart, Elizabeth - the golden age, American Gangster, La Vie en Rose, Into the Wild, Sweeney Todd.
Tendo visto mais de 50% dos indicados a melhor filme - Desejo e Reparação, Onde os Fracos não têm Vez e Juno - eu posso dizer que TIENGO PAURA!!!
Foram os caras que perderam a mão, ou eu que fiquei muito chata? Até agora só Desejo e Reparação tem cara de filme para Oscar. Estou rezando pra Michael Clayton e Sangue Negro me surpreenderem (ponho mais fé em Sangue Negro, na verdade). O resto não sei...acho que me perdi.
Alguém acha uma máquina do tempo porque eu quero voltar pros anos 90! Eu preciso de Fargo, O Piano, Forrest Gump, Braveheart, American Beauty, Schindler's List, O Silêncio dos Inocentes....Socorro!!


Buenos dias.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Chuva


Já é tanta água que cai do céu, que a mim parece que ela brota do chão.
A grama está molhada e eu posso escutá-la crescendo.
O chão está mais frio, mais húmido, já não é mais tão bom andar descalça.
Os muros estão mais escuros e mostram seus largos desenhos escorridos que parecem lágrimas pedindo que a chuva pare.
Os lagos estão cheios e as tartarugas já não encontram um galho para fora d'água, onde possam subir para secar ao sol.
Os pássaros menores não cantam, escondidos, recolhidos, esperando um pouco de calor.
Os patos não passam fazendo arruaça sobre a minha casa ao pôr do sol, simplesmente porque ele não parece se pôr, como não parece nascer.
As cigarras calaram.
Eu ando na rua com o meu limpador ligado, e o "nhec-nhec" inevitável traz lembranças que são tristes. Sinto o cheiro daqueles dias de dor, quando a vida parecia suspensa por um fio e eu tinha a sensação de que, em qualquer um dos lados que eu caísse, o chão seria frio e duro.
De repente lembro de não ter esperança, e me dei conta de que eu já tinha esquecido que isso era possível.
Eu lembro de gostar de chuva. Lembro que muitas vezes as núvens carregadas acompanharam meu estado de espírito como se a minha tristeza mandasse nos ventos, e não o contrário. Quando a chuva vinha forte, eu gostava de parar o carro, desligar o limpador e ver as lágrimas escorrerem pelo vidro até lavarem a minha dor. Depois eu saía como se aquilo fosse o remédio para a cegueira que acometia o meu coração - que não via o caminho à sua frente.
Lembro de, pela única vez, achar que a morte fosse mais fácil e desejar a minha... ou outra. Esses breves segundos viajando com a chuva no tempo doem como a eternidade no inferno.

Já não é bom ver a chuva.
Não é bom pisar descalça no chão.
Não é bom ouvir o silêncio da ausência dos pássaros.
Não é bom sentir o vento.
Só é bom saber que eu tenho esperança de ver o sol, e que não há tartaruga nos lagos que vá desistir de esperar por ele.


Amém.


domingo, janeiro 27, 2008

Queimando a cara em praça pública


Aff...Eu não acredito que eu fiz isso, mas eu fiz!
Resolvi fazer uma experiência: gravar a publicar "Um Tango para George" no youtube, como um "booktube" ou um "youbook" ou sei lá como vão chamar isso.
Fato: coloquei minha cara pra bater, mais do que nunca antes. Voz e rosto + um pedaço da minha casa e da minha vida. Sim, porque enquanto eu conto a história de Lívia e George, você escuta meu msn...as pessoas entrando e saindo, avião passando, minha filha fazendo barulho com as amigas na cozinha, meus gatos miando, etc etc.
Ou seja...exposição extrema. Mas who cares?
Isso é um teste para ver o que acontece quando as pessoas escutam uma história ao invés de lê-la ou ver um filme. Pra fazer isso eu tive que jogar fora algumas coisas, como vergonha, medo do ridículo e o photoshop! Não foi exatamente fácil.

So...tá lá. O capítulo 1 foi dividido em 4 partes, porque é muito grande. E o capítulo dois é minúsuculo. Ambos já estão postados.
Então meus amados e fieis leitores, vocês são as pessoas em quem eu posso confiar. Se por acaso vocês assistirem e sentirem o que eu chamo de "VERGONHA ALHEIA", por favor me digam. Não esqueçam que "amigo é aquele que avisa que você está com um feijão no dente." Só não adianta me dizer pra olhar pra câmera, porque não vai acontecer! Eu sou péssima olhando pra câmera.

Conto com vocês e com os seus comentários. Please!

Todos os 5 vídeos aqui!

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Why are you sad?

. Porque o Heath Ledger morreu e ele sempre foi aquele que aparece na tela e eu penso: " esse garoto parece tão do bem..."
. Porque eu não o conhecia, mas quem de nós não o conhecia mesmo?
. Porque ele me fez chorar muito em Brokeback mountain e eu quis, com todas as minhas forças, nunca ter que sofrer uma dor igual à do personagem dele.
. Porque ele me fez rir muito em Irmãos Grimm e torcer pra ele o tempo todo.
. Porque uma menina que eu amo chorou, me contando que quando era pequena fazia montagens de fotos dele abraçando ela...porque ele era o sonho de menina que ela tinha. E eu chorei.
. Porque ele até namorou a garota estranha do Dawson's Creek.
. Porque ele me fez chorar de novo em The Four Feathers.
. Porque não é justo deixar uma menina de dois anos sem pai.
. Porque eu não acho certo alguém morrer aos 28 anos, com talento, sucesso e uma vida pela frente.
. Porque algumas pessoas, quando se vão, me estraçalham o coração.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Breakfast


Would you like some cafeine with your mood?

Bom dia.
(Vai encarar?)

domingo, janeiro 20, 2008

Longe demais

Quatro cabeças e Nani, num momento de integração

Oh my! Oh my!
Sabe quando você se conhece tanto que até dói?
Está acontecendo de novo...eu estou derretendo.
Desde que a história ali embaixo caiu na minha cabeça, eu estou desconcentrada e chorona. A impressão que dá é que eu estou fora do chão. Passo o dia totalmente longe daqui, esquecendo tudo o que precisava ser feito na vida real - inclusive comida - e chorando à toa.

Ontem fui dormir e dormi, claro, porque chega uma hora que o corpo pede; mas o cérebro nem pensou em obedecer. Dormi dentro da minha história, vendo possíveis acontecimentos e corrigindo alguns deles, tipo..."não! isso não pode acontecer tão rápido!" e começando de novo.
Hoje acordei e fui tomar café em frente à TV. Estava passando Saia Justa e o tema era verão. As "velhinhas" lembrando histórias incríveis de infância, recordando cheiros e medos, fora a velha história de morrer na praia, que acontece com todos nós em todos os verões: o verão vai chegando e você, aos 15 anos, já imagina as festas, os amigos novos, o garoto por quem vai se apaixonar, faz planos incríveis, concretiza a maioria, e quando o frio chega... nada daquilo será verdade, até o verão que vem!
Até aí tudo bem...pra um domingo chuvoso. Mas o problema é que eu estou tão dentro da minha história que chorei o tempo todo! E tinha algum motivo? Não! Não, fora o fato da minha história acontecer num verão e numa praia. Não, fora o fato de falar do amor errado, que pode ser que morra na praia. Então lá fui eu...lágrimas em profusão.
E mais: antes de dormir, vi o trailer de Becoming Jane - filme que especula os motivos pelos quais Jane Austen (autora de Razão e Sensibilidade, Persuazão, EMMA e Orgulho e Preconceito) não se casou. Inventaram um amor para ela que ninguém sabe se existiu ou não. Na verdade ele - Tom Lefroy - existiu e, sim, os dois tiveram um namoro que não chegou em casamento por questões financeiras e acabou. De qualquer forma, o tamanho do amor dos dois é pura especulação.
O trailer me fez ir mais fundo e ver trechos do filme no YouTube. Ai ai ai...filme de menina, é claro! O amor de Jane é interpretado pelo "next big thing" escocês sujinho James McAvoy...e o final desilude tanto, que eu fui me deitar para dormir num mar de lágrimas.

Se eu contar tudo o que me fez chorar nos últimos dias, vocês vão me chamar de louca (novidade...). Chorei imaginando cenas, chorei escrevendo diálogos, chorei fritando ovo, chorei vendo Fantástico, chorei ouvindo música, chorei até em filme infantil! Qualquer palavra me emociona...e eu sei que isso vai acabar comigo, porque já aconteceu antes. Eu começo a entrar na história e entrar na história, e daqui a pouco estou tão dentro dela que o personagem principal já fala como eu, pensa como eu, e tudo vira uma semi-biografia. (Assim: biografia conta a vida de uma pessoa, como ela viveu e o que realizou; tipo um currículum vitae. Já a semi-biografia é como um resumé: tudo mais inventadinho pra dourar a pílula, mas com muita verdade. )
Então, embora a história não seja sobre mim, tenha personagens e fatos absolutamente inventados, Nani Gaya - a protagonista - tem voz e cheiro de Mercedes. Não consigo dar a ela outra que não a minha voz. Ela faz coisas que eu não fiz, outras que eu não faria, mas ela pensa pelo meu cérebro e, a não ser por ser magra e morena, até seu andar parece com o meu. Fico dividida entre o que eu penso e o que ela deveria pensar. Dou a ela três ou quatro cabeças para usar, mas até agora ela parece não querer nenhuma. E nós brigamos até ela concordar comigo.
Tudo bem... não vejo problema nisso porque acredito que exista muito do autor em todo personagem... tanto no herói quanto no vilão; o problema começa no momento em que eu vou até aquela praia e não consigo voltar. Exagerando muito a situação, parece que eu desligo o computador e desço a escada, e quando encontro meu marido lá embaixo, quase pergunto: Quem é você??

Há muitos anos, uns trezentos mais ou menos, eu morava sozinha com meu filho em um apartamento pequeno, trabalhava na Exclam, tinha 27, 28 anos, e uma máquina de escrever. Às nove da noite o meu filho já estava no décimo sono, e eu sentava na frente da máquina. Ali, a cabecinha doente de Mercedes Gameiro (não, eu nunca fui normal) voava tão longe que custava a voltar. Posso dizer que vivi para dentro durante uns bons dois anos. Tudo o que vinha de fora daquelas teclas era irreal. Só o que estava no papel era de verdade. Fuga? Será? Se for, eu não existo, porque passei grande parte da vida fugindo, seja para o teclado, seja para o espelho ou para o travesseiro. Vivi mais vidas do que Buda em uma vida só.

Melhor parar por aqui, porque não estou com a menor vontade de ser analisada. Qualquer coisa que seja dita a respeito dessas minhas escapadas eu já sei by heart. Não esqueça que eu comecei o texto dizendo: "Sabe quando você se conhece tanto que até dói?". Então...eu sei onde você vai chegar. Já estive lá! De qualquer forma, obrigada por tentar.

Era isso. Um desabafo. Estou chorona. Estou sofrendo pela pobre e sortuda Nani Gaya. Eu sofro a indignação dela, as dúvidas dela, os impulsos dela, e não vou conseguir exorcizá-la até terminar de escrever... ou desistir.


sexta-feira, janeiro 18, 2008

Mudou-se



Alguém anota aí?
Na terceira semana de Janeiro de 2008, a louca pegou o carro e saiu dirigindo.
Acendeu um cigarro, abriu as janelas, desligou o som, dirigiu como se fosse a última coisa a fazer na vida que escolheu. A penúltima tinha sido passar a noite tentando dormir, lutando com imagens que não iam embora. Não dormiu, mal acordou, tudo o que fez foi sem fazer, sem estar ali.
A louca pegou o carro e saiu dirigindo como se fosse a última coisa. Dirigia falando. -- A dança, as vozes, os olhares, a dor. -- Falava sozinha, repetindo o diálogo que o vento na cara ajudava a criar. Chorava, ria, via os rostos no salão, a mão que tocava as costas, repetia palavras sem parar.

Na terceira semana de janeiro de 2008, a louca viu em detalhes toda a história que quer escrever. Voltou para casa, sentou em sua cadeira branca, encarou a tela gigante, a página limpa e, pela primeira vez, escolheu um novo template do Final Draft: File > New> Text documents... dez segundos de hesitação...NOVEL. E mudou-se.

Agora, alguém aí acende uma vela para que seus dedos sejam eloquentes, para que seu cérebro não falhe, para que ela não fique longe por muito tempo. Se ela se transportar completamente, talvez sua família morra de fome, seus gatos fiquem sem água, seus leitores fiquem sem blog, seus amigos fiquem sem ela.

Anota aí e acende uma vela?
Obrigada

Bom dia, flores do meu dia...



* a próxima vez que eu escrever "hesitação" errado, alguém me mata!

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Mil e Vinte e Seis Beijos

você era lindo. quase um poema.
os olhos azuis, a pele clara, os lábios perfeitos.
era um mistério.
indecifrável desejo meu.

lembra quando você encostava na parede da sua sala ?
lembra seu jeito, seus movimentos, seu olhar?
(não era você deitado, em lençóis brancos, se espreguiçando e querendo beijar?)
lembra como eu olhava para a sua boca?
será que você via? será que percebia o meu constrangimento, o meu medo,
a minha vontade?
seus lábios perfeitos olhavam pra mim e diziam coisas que você nunca disse.
seu olhar era imã e atraía o meu medo.
eu tinha medo de querer.

o tempo passou e não havia mais paredes. só eu e a sua janela.
lembra aquele chocolate?
era um beijo.
lembra aquele restaurante, toda aquela gente, a sua mão na minha perna embaixo da mesa?
era um beijo.
lembra das visitas? do meu sorriso?
eram beijos.
lembra dos abraços?
eram beijos.

e dos beijos no carro?
o vidro embaçado, o gosto, o hálito, as horas?
não foi quase nada, ainda tanto,
há tanto tempo...
com o tempo a distância e com ela esse jeito de lembrar de você:
sempre perto do meu peito, sempre acima do tempo e de tudo.
mais que um desejo ou um amigo, mais que uma lembrança qualquer.

você era lindo...quase um poema.
ainda é.





*lembra: toda palavra escrita é um beijo.




segunda-feira, janeiro 14, 2008

Coisas da vida #5


Sobre Porcos e Generais


Então eram dias tranquilos.
As coisas corriam normais: do trabalho pra casa, de casa pro trabalho, eventualmente um jantar com amigos.
Mas ela nunca mudou aquele jeito de falar mais do que a boca, palpitar em tudo o que ouvia, impor sua presença mesmo sem querer pelos corredores da empresa. O simples fato de subir as escadas já dizia a todos quem ela era e a que veio. Mas como toda garota boba, achava que era só mais uma.
Mal sabia que deixava um rastro de perfume que inebriava os probres passantes. Mal sabia que deixava um gosto de inveja na boca das mulheres que tentavam imitá-la sem sucesso, querendo só um pouco de tudo o que ela era.
Aquele dia não foi diferente. Com sua blusa curta e sua calça larga, ela subiu as escadas balançando os quadris daquele jeito que só ela, entrou na sala, sentou-se à mesa, tomou seu café, pegou o telefone e começou o dia. O sol invadia a sala com força naquele verão, e quem passava pela porta não sabia ao certo de quem era a luz.
Foi num dia assim, de sol, que ele sentou à sua frente com seu sorriso e perguntou se ela estava bem. Oras, quem a conhece sabe que esta pergunta pode mudar o mundo. Ela era incapaz de responder com poucas palavras porque sempre foi incapaz de dar pouca atenção a quem quer que fosse.
Largou a caneta, pegou um cigarro e o isqueiro, e foi interrompida pela mão dele fazendo o tipo de gentileza a que ela não estava acostumada. Seu olhar, atencioso por natureza, ganhou um brilho de curiosidade. “O que ele quer?”
Ele era brilhante, engraçado, sarcástico, falante, atraente.

Parênteses: Vamos definir atraente. Atraente não é necessariamente bonito. Atraente é charmoso, instigante, cheiroso, de olhar bom. Olhar bom a gente define outro dia, mas já vou avisando que é tudo!

Não…ele não era bonito. Era alto, magro, cabelo despenteado, figurino casual… não! mais do que casual -- não era nada usual para a época. Ele era moderno demais para viver naqueles dias. Era muito mais velho do que ela, e feio. Sim. Feio: um de seus traços mais impressionantes. Mas em meio aos assuntos interessantíssimos, às gargalhadas constantes, aos olhares incríveis, a feiura desaparecia. Ela ainda o define como o homem mais interessante que conheceu.
Pos...naquele dia, ele roubou grande parte do seu tempo, mas mesmo que ela tivesse notado, não seria possível se livrar dele. Sua companhia era a mais agradável e o tempo ao seu lado passou sem existir.
Ok…de volta à rotina: do trabalho para casa e, hoje, sem jantar com os amigos.

Ela já estava deitada, lendo debaixo das cobertas, quando o telefone tocou.

- Alo?
- Oi, sou eu, Marcos.
- Oi…como você me achou?
- Ha! Tenho informantes…
- Então?
- Então vou te buscar em meia hora, ok?
- Uh? Buscar como?
- Buscar: dirigir meu carro até a sua casa, você entra no carro, eu te levo pra jantar. Assim. Ok? Fica pronta?
- Hey! Não!…espera. Eu não vou sair com você.
- Por que?
- Não. Você tá com a Laura, ela é minha amiga e eu não vou fazer isso com ela nem de brincadeira.
- Quem disse que eu to com a Laura?
- Ela!
- Ela tá completamente louca!
- Bom…isso é entre você e ela.
- Mas eu não tenho nada com ela, juro! A gente conversa bastante e …ai! Será que ela se apaixonou?
- Sei lá Marcos…Mas eu sei que vocês têm saído e que estão meio juntos. Eu não posso fazer isso. Vai dormir, vai? Era o que eu ia fazer.
- Hm…vou não. Eu quero ir jantar com você. Fica aí que eu já te ligo. Beijo

Ela abriu novamente o livro, rindo da situação, mas antes de terminar de ler uma página o telefone voltou a tocar.

- Alo?
- Oi. Eu de novo.
- Oi.
- Pronto. Tudo resolvido.
- O que?
- Com a Laura.
- Do que você ta falando?
- Eu liguei pra ela, deixei bem claro que a gente não tem nada e nem vai ter.
- Você não fez isso por telefone!
- Ué…fiz. Agora você não precisa mais se sentir mal por jantar comigo. Vambora?
- Meu deus, você é louco! Eu não vou. O fato de você ter ligado deve ter deixado a Laura super triste. Ela jamais me perdoaria se eu saísse com você.
- Escuta…eu nunca tive nada com ela. E eu tenho o direito de sair com quem eu quiser. Ela é carente, só isso. Como eu dou atenção pra ela, ela já acha que a gente vai casar em 3 meses.
- Bom…ela me falou que vocês estão planejando comprar uma casa na Lagoa em Floripa.
- O que? Ela pirou MESMO!

Bom, eu não vou contar a história inteira, mas o fato é que ele e sua lábia incrível, fizeram-na rir muito, falar muito tempo ao telefone, e acabaram conseguindo levá-la para jantar, com a condição de ser um jantar de amigos e não um encontro.
O restaurante estava cheio e ela estava linda. Espera de 30 minutos, de pé, sem ter onde colocar as mãos, mas ainda assim ela sentia uma certa superioridade, pelo fato dele ter insistido e praticamente mendigado que ela saísse com ele. Ela estava segura, embora pouco desconcertada pelos olhares dele, e pensava sem parar a mesma coisa: “Se ele acha que vai me ganhar está enganado. Eu vim, mas ele não vai ter nada de mim.”
An hã! Tá bom.
No meio daquela multidão espremida no bar do restaurante mais concorrido da cidade, ele começou a contar uma história.
- Sabia que em Bora Bora, quando um casal resolve ficar junto, existe todo um ritual super bonito para os dois dizerem um ao outro que querem compartilhar a vida, seja casando, seja namorando?
- Ah é? Acho que existe uma certa dança do acasalamento em todo lugar.
- Não…nada assim grotesco. É lindo. Eles dão bouquês de bouganville um pro outro, porque bouganville é o símbolo da fertilidade; e tomam água juntos num pote de cerâmica em forma de porco, porque o porco é o símbolo da fartura. Assim, os dois prometem compartilhar da fertilidade e da fartura que o amor proporciona, e isso garante que eles fiquem juntos pra sempre.
- Nossa! Mas por que você lembrou disso agora?
Ali -- apertado entre todos os integrantes do concurso por uma mesa de canto, fumante, longe do vento frio da porta -- ele tirou do bolso um micro-potinho de cerâmica em forma de porco e disse:
- Eu queria tomar água aqui com você…pode ser? O bouganville murchou no carro...

...


Pelo amor dos três porquinhos, alguém chama o lobo mau! Aquilo puxou o chão com tanta força, que nossa amiga quase despencou. Quer dizer…quase? O desmoronamento instantâneo dos seus ombros naquela hora só mostrava que, lá dentro, o comando central gritava: “Descer ponte elevadiça! Recolher canhões! Desarmar catapulta!”
A Rainha rendeu-se ao exército vizinho!
E agora? E agora? Desarmada, rendida, muda, abobalhada, a Rainha perde a magestade e se joga no fosso dos crocodilos? Ela precisava de uma palavra, de um cigarro, de um copo na mão para dar um gole, alguma coisa para procurar uma reação. Nada! Lá se foi toda a teoria da amiga leal…lá se foi a mulher super resolvida de durona! Ela abaixou a cabeça sorrindo e ele foi buscar seu queixo. Comandante velho de guerra sabia que a batalha estava ganha. Com um só dedo – esforço menor do que nunca – ele levantou o rosto dela com um meio sorriso e disse.
- Acho que ouvi um sim.
Ela, ainda abalada, piscou longamente e sorriu, entregando o rosto para que o novo rei pudesse beijá-la.

End of Story.

É claro que isso só durou o tempo da mágica do potinho. Mas foram alguns meses de dias incríveis e noites interessantes. No fim, o Rei saiu para lutar por outros castelos por odem da própria Rainha, que já não tinha sede da água do porquinho. Talvez um pote maior tivesse resolvido a questão tempo. O fato é que os dois são ainda hoje gratos pelos dias em que passaram momentos deliciosos.
Por muito tempo ainda, ela foi espectadora das batalhas que ele enfrentou dali para frente. “É sempre um prazer observar as táticas de um grande General.”

domingo, janeiro 13, 2008

O Novo Rei da Escócia

Eu tenho um novo ídolo. Um novo queridinho. Um novo amor cinematográfico. Eu já tinha ficado impressionada com ele em O Último Rei da Escócia, depois vi mais alguma coisa que eu não me lembro, onde ele fazia um papel menor, e agora, depois de ver Atonement (Desejo e Reparação), rendo-me!
É James McAvoy, 29 anos, nascido em Glasgow, Escócia. Ele vem sendo indicado e premiado repetidamente desde 2005 na Inglaterra, Cannes e Estados Unidos. É indicado este ano para o Globo de Ouro -- melhor ator em filme dramático por Atonement -- e provavelmente o será para o Oscar.
Depois deste filme, estou convencida de que o mundo ganhou MESMO um grande ator. Ele não tem uma carinha bonita, está longe do padrão de beleza estabelecido, mas assim como Harrison Ford, Patrick Dempsey e mais alguns, tem cara de homem. Não se sabe se ele é bonito ou só irresistível. Parece um bom moço mas é extremamente sexy. Parece um escocês azedo mas transborda charme. Parece um menino branquela, mas uma metamorfose mágica acontece assim que se movimenta.
Na cena da bliblioteca com Keira Knightley, ele provoca um silêncio mortal no cinema lotado, que pode ser traduzido como um grande suspiro coletivo, abafado ninguém notar.
Pois então, senhoras e senhores, não percam um só gesto de James McAvoy. Vale a pena!

Fora isso, Atonement é um filme belíssimo, com uma história surpreendente, sensível, que me levou a lágrimas sem fim e silêncio pós-filme. A trilha é genial, os atores irrepreensíveis (sem falar num casting farto em figuras ultra fotografáveis), figurino e reconstituição de época perfeitos, cenário excelente, e um filmaking impecável. Cinemão com cara de filme francês só que com tudo na dose exata. O filme foi indicado a 7 Globos de Ouro e tem mais 5 prêmios e 22 indicações around the world.
Direção de Joe Wright, com Vanessa Redgrave, Keira Knightley, James McAvoy e uma garota incrível - Saoirse Ronan.

**Os últimos dois filmes que me deixaram com inveja de roteirista:
Read my Lips (sur mès levres), com o genial feio-sujinho-cool: Vincent Cassel
A Guide to Recognizing Your Saints (Santos e Demônios), com mais um ator genial: Shia LaBeouf - de Transformers, Indiana Jones IV e Disturbia.

Atenção: Toda esta intelectualidade cinematográfica se auto-destruirá em cinco segundos.
5
4
3
2
BOOM!

sexta-feira, janeiro 11, 2008

On the Phone


Ela: Alô?
Ele: Quem fala?
Ela: Eu. Quem fala?
Ele: Você sabe...
Ela: Nem.
Ele: Vai ter que adivinhar...
Ela: Ah. você é o Brad Pitt me dizendo que tá exausto da Angelina e daquelas crianças todas, e quer que eu fuja com você pra Fidji.
Ele: Hmmm...não.
Ela: Não? Droga!
Ele: Tenta de novo...
Ela: Assim: se você não disser logo, eu desligo.
Ele: Você me pediu...
Ela: Pedi o que?
Ele: "Canta pra mim....?"
Ela: hmm...
Ele: Depois me encontrou num sonho...dançou comigo...uma praia...o seu cabelo...
Ela: Não foi na praia.
Ele: Claro que foi!
Ela: Não...era um restaurante, um clube, alguma coisa assim.
Ele: Eu tava com você na praia.
Ela: Bem feito! Então você não sabe nada do sonho.
Ele: Me conta.
Ela: Nah!...não aconteceu nada.
Ele: Conta.
Ela: Pra que?
Ele: Eu quero saber o que você sonhou.
Ela: Aliás...como você sabia o meu telefone?
Ele: Você me deu.
Ela: No sonho? Ta doido?
Ele: Não...no e-mail. Você mandou pelo telefone.
Ela. O que? Ele manda o número? Eu não sabia! Gente! Preciso mudar isso...
Ele: Obrigado...
Ela: Não! Ainda bem que eu não mudei ainda...senão...ah...você entendeu!
Ele: Quer que eu desligue?
Ela: Nunca!
Ele: Você sabia que eu ia ligar. No sonho eu liguei.
Ela: Você é do tipo que liga depois?
Ele: Depois do sonho? Claro!
Ela: hahaha!
Ele: Sabe que foi na mesma noite?
Ela: O que?
Ele: O sonho. Eu também sonhei!
Ela: Você nem dorme quando eu estou dormindo...
Ele: Então você não sabe onde eu estou?
Ela: Como assim?
Ele: Em Buenos Aires.
Ela: hm...so close, yet so far!
Ele: Vou anotar.
Ela: O que?
Ele: So Close, Yet So Far. Nome de música.
Ela: Hahahahha! Vai fazer uma pra mim?
Ele: Vou. Contando aquele beijo.
Ela: Que beijo?
Ele: O beijo. Eu te beijei...
Ela: Mentira.
Ele: Na praia. Lembra?
Ela: Não foi na praia! Foi na mesa, no canto do restaurante!
Ele: Viu como teve beijo?
Ela: Hahahahhaha! Você é péssimo.
Ele: Eu sou ótimo! Com você, sou perfeito!
Ela: Ai que fraco...cantada de tiozão...
Ele: Já somos tiozões.
Ela: Mesmo assim...Foi fraquinho...
Ele: Lembra do elevador? Aquilo não foi fraquinho.
Ela: Elevador? Não tinha elevador!
Ele: Como não? A hora que eu abri a sua blusa? Foi no elevador.
Ela: Claro que não! Foi na porta do quarto!
Ele: Ha! Bingo!
Ela: Ai! O que?
Ele: Eu abri a blusa. Viu? Eu sei!
Ela: Eu não disse isso.
Ele: Mas eu abri, eu lembro!
Ela: Pára...você não sonhou nada!
Ele: Tá...não precisa contar a parte do champagne...
Ela: ...
Ele: Nossa...se você contar, acho que eu morro aqui.
Ela: ...
Ele: A idéia foi sua...aí, desculpa...não tinha como parar.
Ela: ...
Ele: A gente precisava de água, teve que ir pro chuveiro...ainda dá pra sentir o cheiro da champagne, misturado com com a água quente do chuveiro...
Ela: Pára!
Ele: Desculpa. É mentira?
Ela: Não! Não....mas não tinha como você saber isso. Eu só contei que sonhei com você!
Ele: Eu disse: eu também sonhei.
Ela: Como?
Ele: Não sei, mas foi lindo! E foi uma delícia abrir meu e-mail depois desses dias todos pensando no sonho, e saber que você sonhou a mesma coisa. E descobrir o número do seu telefone jogado lá, foi o máximo!
Ela: ai...
Ele: o que?
Ela: Fiquei vermelha.
Ele: Por que? Porque eu sei?
Ela: É...
Ele: Então eu vou deixar você mais vermelha.
Ela: Impossível.
Ele: Eu chego amanhã.
Ela: Onde?
Ele: At you door, babe.
Ela: Ahn?
Ele: Meu vôo faz escala aí. Posso pedir pra você ir me ver?
Ela: Não sei...será? Tem certeza?!
Ele: Muita.
Ela: Vou ficar mais vermelha.
Ele: Hahaha! Que linda! E eu quero champagne...
Ela: Pára...
Ele: E chuveiro.
Ela: Pára! Não é porque a gente teve um sonho coletivo que vai acontecer alguma coisa entre a gente...
Ele: Ah, claro! Não é porque a gente sonhou a mesma coisa no mesmo dia...Afinal, acontece com todo mundo!
Ela: Sei lá se acontece com os outros, mas mesmo assim. A gente não vai ter nada por causa disso.
Ele: Isso foi especial. Quer dizer alguma coisa.
Ela: Não. Foi só um sonho.
Ele: A gente é especial.
Ela: Não.
Ele: Há quanto tempo a gente se conhece?
Ela: Eu nunca vi você.
Ele: Há quanto tempo a gente se conhece?
Ela: A gente não se conhece...
Ele: Faz muito tempo que a gente se conhece.
Ela: Mas é diferente...
Ele: Muitos anos. E eu não quero perder mais nenhum.
Ela: Mas a gente nem se conhece...
Ele: Até amanhã.
Ela: Não!
Ele: At your door.
Ela: Não faz isso...
Ele: Eu ligo.
Ela: Não!
Ele: Não existe essa hipótese. Dorme bem...sonha comigo.
Ela: Eu to sonhando.
Ele: Eu sei. É coletivo...


Click.
Click.
Help!

terça-feira, janeiro 08, 2008

Solução


Assim não dá!
Eu já terminei a 6a. temporada de 24 horas. Estou vendo Six Feet Under e Weeds, morrendo de medo de ver todas as temporadas rápido demais. Parei a segunda temporada de Heroes no 11º episódio e não tem como baixar o 12º porque ele nunca foi ao ar. E agora?
Aqui em casa, já estávamos preparando as toneladas de pipoca para a Red Carpet Season que ia começar...domingo é dia de Golden Globe, oba!!! Era!
A greve do WGA (Writers Guild of America) está começando a interferir na minha vida. Como assim cancelaram o Golden Globe? Que graça tem saber dos vencedores pelo jornal, ou pela internet, sem ver homenagens fervorosas, penteados pavorosos e nossos ídolos subindo no palco? E o Oscar, o Emmy? Vão cancelar também? Assim não dá!
Uma por uma, as séries de TV foram sendo canceladas por falta de roteiristas. Depois os Talk Shows (parece que o Jay Leno voltou pro ar porque violou todas as normas do sindicato e todas as exigências da greve. Nenhum roteirista sindicalizado trabalha pra ele?) E agora as festas de prêmio? Como? Como? Como? Como eu vou sobreviver? Já é difícil esperar uma semana para baixar um episódio de Heroes, como vai ser esperar para sempre? Já foi terrível esperar alguns meses pelo lançamento da 6a. temporada de 24 horas. Como vai ser esperar mais de um ano pela sétima? E o que os americanos vão ver na TV se essa greve não acabar? Barrinhas coloridas ao som de "píiiiiiiiii"?

Então, conversando com o Cláudio, surgiu uma idéia para salvar a televisão e o cinema mundiais. Ha! Não contavam com a nossa astúcia!!
O plano é o seguinte: vamos escrever para as principais emissoras de canal aberto sugerindo uma programação de emergência: Segundas-feiras, no prime time, Os Maias. Terça, a Casa das Sete Mulheres. Quarta, Minha Nada Mole Vida. Quinta, Os Normais. Sexta, A Muralha, e sábado - a grande surpresa: Zorra Total! Eeeeee!
Senhoras e senhores, os americanos vão assistir a séries brasileiras - legendadas para não perder a incrível interpretação dos atores (principalmente da Camila Morgado).
Para o cinema o plano é mais simples: Festival Xuxa nas principais redes de Cinema: Fuscão Preto, O Trapalhão na Arca de Noé, Super Xuxa contra Baixo Astral, Lua de Cristal, Xuxa Popstar, Xuxa Requebra...e por aí vai.
Nos cinemas alternativos, só cults: Amor estranho Amor, Dama do Lotação, Rio Babilônia, Festival David Cardoso, e O Magnata (obra prima do Chorão). Sessão extra, segundas as 10 da noite, só para atores: OLGA!

Pronto! tudo resolvido! Tenho certeza que, em tempo record, os grandes estúdio vão entender por que é urgente acatar às exigências do sindicato e dar tudo o que os roteiristas precisam - e em dobro - para que voltem ao trabalho ontem antes do almoço.
O único mistério que eles, com certeza, não serão capazes de decifrar, é por que quando um personagem de mini-série brasileira envelhece, a maquiagem dele é tão fake. Mas ok...talvez eles também finjam que não repararam, como a gente faz aqui há séculos.

Agora, relendo o que escrevi, eu acho que uma carta não vai resolver. Devemos invadir as emissoras e os cinemas e simplesmente colocar as bombas no ar!
E relendo mais uma vez, decidi me esconder por uns dias porque estou prevendo a quantidade de comentários que serão postados me chamando de preconceituosa, vendida, americanizada, etc etc etc...ai meu saquinho! Afinal...as mini-séries e filmes acima citados são verdadeiras obras primas. Outra vez: ai meu saquinho!


Volta WGA!!!!!!

***Quem me xingar está condenado a assistir A Muralha 3 vezes! Se mesmo assim não se comportar, vai receber em casa um DVD da obra do Gerald Thomas!


segunda-feira, janeiro 07, 2008

domingo, janeiro 06, 2008

Sinais de Ano Novo

Top Ten fatos que provam que o ano é novo e já começou:

10. Você viu fogos de artifício, pelo menos na TV
9. Misteriosamente, do nada, alguém canta um samba-enredo
8. Você ou alguém da sua família exibe um bronzeado mesmo que discreto
7. Big Brother? Já?
6. Muita gente nos shoppings, mas todas com sacolas amassadas, trocando os presentes
5. Contas com vencimento em janeiro
4. Você subiu na balança e ela resolveu inventar dois números a mais
3. Você foi trabalhar mas seu chefe está de férias
2. preencher um cheque parece uma tarefa difícil
1. Bundas e samba em vinhetas de TV


Ok...texto sem graça! Mas foi só um favorzinho que eu tinha que fazer pra Rafa Pedro que me mandou esse scrap: Rafa:Escreve um texto novo, coloca um velho que eu não tenha lido, qualquer coisa no caixa pra fazer a internet valer a pena!
Ta aí, Rafa...qualquer coisa pra você. Feliz ano novo!

terça-feira, dezembro 18, 2007

Grande mosaico de mim


And so this is Christmas…
Época em que eu entro em conflito comigo mesma. Fico dividida entre querer ser criança e só esperar – esperar papai noel, esperar a chegada dos primos, esperar a ceia, esperar os presentes – e ser mãe de todos.
Ano passado a mãe de todos estava exausta e nem quis saber de Natal.
Mas no final das contas, ser mãe de todos é lindo.

Eu sempre gostei demais de Natal, mesmo tendo passado, como todo mundo, por aquela fase adolescente besta de dizer que Natal é triste. Triste nada! Natal é uma delícia. Ele só é triste quando você ainda é novo demais e acha que família é um saco, que ficar trocando presentes não faz sentido – cheio de idéias revolucionárias “super novas” anti-capitalismo - , que a ceia podia ser mais cedo porque você está com fome, e que seria muito mais legal ir pra balada com seus amigos do que ficar ali com um monte de gente que não tem nada em comum com você.
Mas aí você cresce…aí você envelhece…aí todo momento que você pode dividir com a família vale ouro e, meu deus!, como essas pessoas têm coisas em comum com você! É bom ver seus pais felizes por ter todos os filhos outra vez em volta da mesa. É bom lembrar histórias da infância e dar risada. É bom trocar presentes lembrando de como era antigamente quando se era feliz com tão pouco…ou quando sua avó ainda era viva e fazia baba-de-moça para a ceia.
A avó dos meus filhos faz fios de ovos. E não há nada como natal com fios de ovos sobrando para que se possa comer puro, assim, enrolado no garfo, feito macarrão! Não quero nem pensar como vai ser quando houver menos amarelo na mesa, provavelmente neste dia também haverá menos sorrisos.

Um Natal com “menos” coisas marcantes seria mais ou menos assim:
Sem minha mãe: menos amarelo de fios de ovos, menos porto-seguro, menos perfume bom.
Sem meu pai: menos conversa, menos tranquilidade, menos cumplicidade, menos alegria.
Sem meu irmão: menos gargalhadas altas, menos abraços apertados e menos lágrimas de emoção.
Sem minha irmã: menos conversas altas, menos passos fortes pela casa, menos lágrimas de emoção também, é claro.
Sem meu cunhado: menos fotos, menos piadas de última hora, menos olhares com risadas.
Sem meu marido: menos risadas sem fim, menos confusão na hora dos presentes, menos comentários hilários, menos inner jokes repetidas.
Sem meus sobrinhos: menos alegria, menos alegria, menos alegria.
Sem meus filhos: menos abraços, menos felicidade, menos brilho nos meus olhos.
A pior parte é que meus Natais são, quase sempre, sem minha irmã mais velha e sua família inteira que é o máximo. Logo, é sempre sem grande parte de mim.

Eu já disse uma vez que depois que a gente cresce a gente muda os óculos.
Se na adolescência a família era um saco e Natal também, depois tornam-se imprescindíveis. Não pode faltar uma única peça. Todas aquelas pessoas que antes habitavam seu mundo e conturbavam seus planos, são agora parte do grande mosaico que faz de você uma pessoa inteira.
Na confusão de uma noite de Natal, com os olhos meio nublados de pequenas luzes e enfeitezinhos vermelhos, eu vejo cada uma dessas peças desfilando em minha frente, e elas ajudam a compor um quadro muito muito claro de quem eu sou. Às vezes paro na porta e fico observando essas almas que andam para lá e para cá, e falam alto, e comem, e bebem, e têm o vício incorrigível de lembrar histórias de natais passados…e eu sorrio ali parada. Não é a árvore ou a comida, os presentes ou a champanhe que fazem o meu Natal ser Natal. São os pedaços de mim.
Sem eles eu sou bem pouco. Sem eles eu não tenho memória, pois minha história não tem testemunhas para existir. Sem eles eu seria vazia, pois neles nasce meu conhecimento, minha consciência e meus valores. Sem eles não há motivos, nem alegrias, nem “porquês”. Sem eles muito pouco valeria a pena.

Assim eu queria que fosse para sempre. Eu rezo para que meus filhos cresçam unidos, e minha nora e genro aprendam a nos amar, e que seus filhos sejam amorosos, e seus amigos sejam meus amigos, para que nunca nunca nunca eu precise ver um Natal com poucas vozes, pouca música e poucas lágrimas de emoção. Ser feliz é compartilhar. É ter os olhos nublados de pequenas luzes e enfeitezinhos coloridos, e o coração cheio de pessoas para amar.

Meu Natal começa amanhã.
Que todos vocês tenham dias cheios de vozes, música e lágrimas de emoção.
Feliz Natal.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Confesso a minha intolerância

As coisas em que acredito ferem menos as pessoas do que aquelas nas quais eu não acredito. E este meu “não acreditar” vem de algum lugar escondido dentro de mim. Eu já tentei acreditar com todas as minhas forças, e quanto mais tento, mais meu raciocínio lógico me faz cética e eu caio no pensamento de sempre: será que eu não mereço acreditar?
Depois disso meu lado científico – ou sei lá como devo chamar – grita ainda mais alto, me mostrando que este é um pensamento reflexo da minha formação judaico-cristã, que beira o ridículo…e eu fico sem resposta para ele.
Mas eu me lembro de ser criança e querer acreditar; lembro também de ver meus pais sofrendo e perguntar por que. De pequenos questionamentos infantis, em pequenos questionamentos infantis, fui procurando as respostas e elas nunca foram suficientes. Nunca! Eu nunca consegui descobrir a relação que pode existir entre o big-bang e Deus, entre a evolução e a religião, entre a história e a fé cega. A história então…céus!…essa me fez descrer ainda mais, e a cada incursão minha nessa coisa fascinante que é a história eu encontro mais um furo nos fatos que o mundo insiste em se basear para ter fé em algo maior.
Trabalhando em propaganda eu passei a desacreditar na Igreja de uma vez. Foi entendendo o mecanismo da persuasão que eu entendi a grande lavagem cerebral que as religiões fizeram e fazem em seus fiéis. Seja católica, protestante, evangélica, judaica, muçulmana…tudo me parece um claríssimo tabuleiro de xadrez, e as pessoas meros peões desesperados por algo que as lidere e as impeça de pecar e, conseqüentemente, perecer.

Depois veio a vida…e durante a vida precisei parar muitas e muitas vezes para perguntar como um Deus onipotente e onipresente permitiria as cruzadas em seu nome. E a Inquisição? Como deixaria nascer um Idi Amim, um Sadam Hussein, um Mao, um Stalin, um Costa e Silva, um Médici, um Pinochet, e tantos outros ditadores desequilibrados? Com que critério Deus escolheu os 288.826 mortos e mais de 120.000 desaparecidos da Tsunami em dezembro de 2004? Eles eram todos maus? Eram todos ímpios? Eram todos infiéis? E para matar os pais de uma criança de seis meses? E baseado em que pecados terríveis permitiu que 6 milhões de Judeus, homossexuais, paraplégicos, míopes, e outra pessoas com “defeitos” fossem mortas em nome de uma raça pura, durante o Nazismo; e pior!, permitiu que Hitler crescesse? E por que permite que a América invada o Iraque, Israel e Palestina permaneçam em guerra por 50 anos, e Católicos e Protestantes na Irlanda até outro dia, etc etc etc….Quem é esse Deus?

E mais do que isso, por que as pessoas precisam tanto acreditar em algo mais forte do que elas, que possa puní-las se agirem errado e dar-lhes um lugar no céu se forem bons? Elas não sabem agir certo simplesmente por ser certo? Não sabem que não se pode prejudicar o próximo? Não entendem que para toda ação existe uma reação? Que você recebe o que dá e colhe o que planta? Não dá para simplesmente agir direito porque a gente deita a cabeça no travesseiro e dorme tranqüilo? Não sabem que só a paz de espírito é o verdadeiro paraíso?
Que tipo de animais nós somos?

Hoje assisti pela TV a um culto – sei lá se é um culto – de um pastor….putz...Alzheimer deve ser o nome dele, porque eu esqueci! Bom... o sermão dele era parte de um DVD chamado “Grávidos de Avivamento”, que ele, obviamente, estava vendendo e oferecendo o dinheiro de volta se você comprasse e um milagre não ocorresse na sua vida. Eu olhei todo aquele povo apinhado e tive pena. Muita pena. Tive pena dele por ser podre. Tive pena do povo por ser tão frágil e fraco a ponto de se render àquele discurso medíocre com fanatismo, com histeria, com sei lá que nome se pode dar para tanta indigência mental. E eu pensei: “o que foi feito do espírito do homem? Que desespero pode ter tomado essa gente para que ela espere que aquele baixinho brega que mal fala português (e ainda finge falar aramaico) venha a salvá-la?” E eles gritam, e desmaiam, e pulam feito descontrolados e choram compulsivamente por que estão sendo salvos.
Ai meu deus! Que tipo de animais nós somos?

Eu fui ficando mais velha e perdendo a paciência. Eu tenho respeito pela fé alheia mas não respeito quem tenta doutrinar alguém. Não consigo nem começar a ouvir todos os blablablas que eles têm a dizer. Tenho arrepios quando alguém me diz que encontrou Jesus. Ai! Deus! Me salva de verdade agora! Eu encontrei um Jesus uma vez... mas ele era muito melhor e mais inteligente do que essa coisa que fizeram dele. Ele quis que seu povo entendesse coisas que até hoje ninguém se dignou a ouvir, coisas que foram deturpadas! Então não me venha com essa balela de encontrar Jesus, porque me irrita profundamente, simplesmente porque eu odeio gente burra, e essas pessoas não encontraram Jesus: encontraram um pastor que manipula almas desesperadas a quem elas pagam dizimo. Acredite: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ele ficaria muito furioso se visse a quantidade de dinheiro que circula nas mãos desses pastores, e do Vaticano, e em tantas outras Igrejas por aí que usam indevidamente o nome de um homem nobre para explorar pessoas. Eu li o que ele fez no templo, revoltado com o comércio. O que ele faria se visse este comércio de almas correndo solto por aí?
E eu me revolto com isso aqui no meu metro quadrado de existência, como me revolto com guerras santas, sejam elas travadas em casa ou em campos de batalha. Guerra Santa é oximoro: são duas palavras com sentidos absurdamente conflitantes!

No decorrer da vida conheci pessoas de boa vontade. Outras nem tanto. As de boa vontade nasceram com a alma limpa e o coração grande. Algumas delas são religiosas, outras nunca entraram numa igreja, e o que há em comum entre elas é a boa fé em nome da boa fé, em nome da vida, em nome de um mundo decente.
Outras vão à missa/culto/célula Domingo/sábado/quinta, rezam, têm um terço na beira da cama, fazem retiro, estudam a Bíblia...e odeiam a própria família. São pessoas incapazes de um gesto que não traga um pagamento de alguma forma. São mal intencionadas, agem como insetos que derrubam sua casa pelos alicerces sem que você perceba. Seus corações são cheios de inveja, soberba, ganância... e sim, lógico, elas precisam de um Deus, de um pastor, de um Pajé, um Xaman, um Rabino, de um alguém a quem confessar, a quem pagar por um lugar no céu no dia do arrebatamento. Precisam demais! Eu as vi com meus próprios olhos, e as reconheço de longe.
(É lógico que existem pessoas de boa vontade em todas as religiões, não resta dúvida, mas não é sobre elas que eu estou falando.)


É verdade. As coisas em que acredito ferem menos do que aquelas em que eu não acredito. Trust me. Se eu fosse pedir alguma coisa a Deus, pediria para ser ignorante.


segunda-feira, dezembro 03, 2007

Mentira!


Hoje eu li no blog do Solda um texto do Karam onde ele dizia o que é mentira. Adorei e resolvi imitar assim, descaradamente mesmo, provavelmente com alterações que levam os dois textos para lados completamente distintos, porque ele é ele e eu sou eu, e eu sou muito mais boba do que ele.
Lá vai:

É mentira que quando eu era pequena eu quebrava tudo. Eu só era estabanada, e quebrava tudo sim! Mas sem a intenção que as pessoas gostavam de narrar ao contar para a minha mãe ou ao fazer um "comentário inocente" na frente de uma criança (eu) que devia ser surda. Isso fez com que eu começasse a esconder as partes das coisas que eu quebrava. Mas é mentira que eu era sonsa: eu só não queria que as pessoas deixassem de gostar de mim.
É mentira que aquelas férias no Rio eu roubei o perfume francês da minha prima. Eu só abri a caixa minúscula do perfume e ele voou, aterrissaando dentro do vaso sanitário e eu nunca mais consegui pegar. Até hoje eu não tinha contado isso para ninguém, mas acho que isso faz parte da história ali de cima.

É mentira que eu namorei a cidade inteira. Só seria verdade se dissessem que eu me apaixonei pela cidade inteira. Aí sim! Porque dos 13 aos 16 eu trocava de paixão uma vez por semana e tive mais amores eternos e doloridos do que toda a história do cinema de hollywood e onde mais alguém tenha feito um filme de amor.
É mentira também que nos áureos tempos eu era incrível e irresistível, porque na história acima mencionada era eu a personagem que vivia com o coração partido.

É mentira que eu aprontei demais. Uma vez ou outra eu fui escondido a uma festa, mas nunca alguém me viu com drogas, me esperou até o amanhecer ou teve que ir me buscar num motel ou na delegacia. Se comparada às mulheres da minha geração, eu era quase uma freira, só que com cara de santa do pau oco.

É mentira que eu sou uma mulher super culta. Eu sou mais Zelig do que culta. Eu sou o Peter Petrelli de Heroes -- que absorve os super-poderes alheios mesmo sem querer. Eu só cresci e amadureci entre pessoas interessantes, inteligentes e de cultura muito superior à média. Assim, com meus super-poderes, eu passei a entender um pouco da especialidade de cada um e sempre tive ouvidos para ouvir e olhos para ver. Depois eu fiz uma média dos "poderes que absorvi" e passei a usar todos em minhas próprias experiências. É mentira também que eu sei o bastante para conviver com reis e plebeus: eu só nasci com a lábia maior do que o universo. Este sim talvez seja o meu super-poder.

É mentira que eu sou capaz de fazer qualquer coisa direito. Eu sou capaz de fazer qualquer coisa superficialmente e minha fome de pesquisa é gigantesca. Em pouquíssimo tempo eu posso saber quase tudo sobre um determinado assunto e, se o caso for sobrevivência, acho só não posso ser engenheira e cirurgiã.

É mentira que eu sou uma fortaleza. A verdade é que sou frágil como todo mundo, só que com essa cara de poderosa. Isso fez com que eu passasse sozinha pelas piores situações da minha vida, já que as pessoas costumam achar que eu prefiro ficar quieta comigo mesma.
Ser forte não me ajudou em momentos tristes e de carência. Parecer forte não me salvou de chorar sozinha no escuro. Parecer poderosa não evitou que eu afundasse com o meu barco sem uma bóia para me agarrar. Ser e parecer forte fez com que algumas pessoas abusassem tremendamente de mim, achando que eu aguentaria melhor do que elas próprias. Em compensação, a máscara de forte me permitiu levantar todas as vezes parecendo ter poucos arranhões.

É mentira que eu sempre assumi meus erros. Eu assumi a consequência deles, o que já é pesado demais, obrigada. Alguns dos meus pecados estão guardados numa caixa com etiqueta escrito: NÃO MEXER. São os meus esqueletos no armário. São os corpos enterrados no meu quintal. E não há cristo que me faça abrir a tal caixinha e olhar para eles de novo. Eu sei que existem, conheço um por um, não me envergonho deles, mas não vejo necessidade de ficar remexendo em coisas que, no mínimo, não cheiram muito bem. São erros, e como erros devem servir para aprender e fim. Eu estudei numa escola que não nos permitia apagar ou rabiscar os erros. Quando uma palavra estava errada, devíamos colocá-la entre parênteses e escrever corretamente em seguida. Assim, os erros não deixariam de existir, mas era possível seguir em frente. Assim eu faço com a vida. Lugar de erro, seja ele lama do passado ou só um acidente de percurso, é entre parênteses. Não vou apagar, mas também não vou viver deles.

É mentira que eu vivi incríveis histórias de amor. Eu só sei conta-las melhor do que a maioria das pessoas, dando a elas a importância que eu gostaria que tivessem tido.
Ok....isso é mentira! Vou colocar entre parênteses.

É mentira que todas as mentiras foram explicadas nesse texto. Existem milhares de mal entedidos a meu respeito, milhões, centenas de milhares! Eu só não estou com vontade agora de abrir o baú dos misunderstandings para esclarecer um por um. Um dia quem sabe...
Mas é mentira!