As coisas em que acredito ferem menos as pessoas do que aquelas nas quais eu não acredito. E este meu “não acreditar” vem de algum lugar escondido dentro de mim. Eu já tentei acreditar com todas as minhas forças, e quanto mais tento, mais meu raciocínio lógico me faz cética e eu caio no pensamento de sempre: será que eu não mereço acreditar?
Depois disso meu lado científico – ou sei lá como devo chamar – grita ainda mais alto, me mostrando que este é um pensamento reflexo da minha formação judaico-cristã, que beira o ridículo…e eu fico sem resposta para ele.
Mas eu me lembro de ser criança e querer acreditar; lembro também de ver meus pais sofrendo e perguntar por que. De pequenos questionamentos infantis, em pequenos questionamentos infantis, fui procurando as respostas e elas nunca foram suficientes. Nunca! Eu nunca consegui descobrir a relação que pode existir entre o big-bang e Deus, entre a evolução e a religião, entre a história e a fé cega. A história então…céus!…essa me fez descrer ainda mais, e a cada incursão minha nessa coisa fascinante que é a história eu encontro mais um furo nos fatos que o mundo insiste em se basear para ter fé em algo maior.
Trabalhando em propaganda eu passei a desacreditar na Igreja de uma vez. Foi entendendo o mecanismo da persuasão que eu entendi a grande lavagem cerebral que as religiões fizeram e fazem em seus fiéis. Seja católica, protestante, evangélica, judaica, muçulmana…tudo me parece um claríssimo tabuleiro de xadrez, e as pessoas meros peões desesperados por algo que as lidere e as impeça de pecar e, conseqüentemente, perecer.
Depois veio a vida…e durante a vida precisei parar muitas e muitas vezes para perguntar como um Deus onipotente e onipresente permitiria as cruzadas em seu nome. E a Inquisição? Como deixaria nascer um Idi Amim, um Sadam Hussein, um Mao, um Stalin, um Costa e Silva, um Médici, um Pinochet, e tantos outros ditadores desequilibrados? Com que critério Deus escolheu os 288.826 mortos e mais de 120.000 desaparecidos da Tsunami em dezembro de 2004? Eles eram todos maus? Eram todos ímpios? Eram todos infiéis? E para matar os pais de uma criança de seis meses? E baseado em que pecados terríveis permitiu que 6 milhões de Judeus, homossexuais, paraplégicos, míopes, e outra pessoas com “defeitos” fossem mortas em nome de uma raça pura, durante o Nazismo; e pior!, permitiu que Hitler crescesse? E por que permite que a América invada o Iraque, Israel e Palestina permaneçam em guerra por 50 anos, e Católicos e Protestantes na Irlanda até outro dia, etc etc etc….Quem é esse Deus?
E mais do que isso, por que as pessoas precisam tanto acreditar em algo mais forte do que elas, que possa puní-las se agirem errado e dar-lhes um lugar no céu se forem bons? Elas não sabem agir certo simplesmente por ser certo? Não sabem que não se pode prejudicar o próximo? Não entendem que para toda ação existe uma reação? Que você recebe o que dá e colhe o que planta? Não dá para simplesmente agir direito porque a gente deita a cabeça no travesseiro e dorme tranqüilo? Não sabem que só a paz de espírito é o verdadeiro paraíso?
Que tipo de animais nós somos?
Hoje assisti pela TV a um culto – sei lá se é um culto – de um pastor….putz...Alzheimer deve ser o nome dele, porque eu esqueci! Bom... o sermão dele era parte de um DVD chamado “Grávidos de Avivamento”, que ele, obviamente, estava vendendo e oferecendo o dinheiro de volta se você comprasse e um milagre não ocorresse na sua vida. Eu olhei todo aquele povo apinhado e tive pena. Muita pena. Tive pena dele por ser podre. Tive pena do povo por ser tão frágil e fraco a ponto de se render àquele discurso medíocre com fanatismo, com histeria, com sei lá que nome se pode dar para tanta indigência mental. E eu pensei: “o que foi feito do espírito do homem? Que desespero pode ter tomado essa gente para que ela espere que aquele baixinho brega que mal fala português (e ainda finge falar aramaico) venha a salvá-la?” E eles gritam, e desmaiam, e pulam feito descontrolados e choram compulsivamente por que estão sendo salvos.
Ai meu deus! Que tipo de animais nós somos?
Eu fui ficando mais velha e perdendo a paciência. Eu tenho respeito pela fé alheia mas não respeito quem tenta doutrinar alguém. Não consigo nem começar a ouvir todos os blablablas que eles têm a dizer. Tenho arrepios quando alguém me diz que encontrou Jesus. Ai! Deus! Me salva de verdade agora! Eu encontrei um Jesus uma vez... mas ele era muito melhor e mais inteligente do que essa coisa que fizeram dele. Ele quis que seu povo entendesse coisas que até hoje ninguém se dignou a ouvir, coisas que foram deturpadas! Então não me venha com essa balela de encontrar Jesus, porque me irrita profundamente, simplesmente porque eu odeio gente burra, e essas pessoas não encontraram Jesus: encontraram um pastor que manipula almas desesperadas a quem elas pagam dizimo. Acredite: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ele ficaria muito furioso se visse a quantidade de dinheiro que circula nas mãos desses pastores, e do Vaticano, e em tantas outras Igrejas por aí que usam indevidamente o nome de um homem nobre para explorar pessoas. Eu li o que ele fez no templo, revoltado com o comércio. O que ele faria se visse este comércio de almas correndo solto por aí?
E eu me revolto com isso aqui no meu metro quadrado de existência, como me revolto com guerras santas, sejam elas travadas em casa ou em campos de batalha. Guerra Santa é oximoro: são duas palavras com sentidos absurdamente conflitantes!
No decorrer da vida conheci pessoas de boa vontade. Outras nem tanto. As de boa vontade nasceram com a alma limpa e o coração grande. Algumas delas são religiosas, outras nunca entraram numa igreja, e o que há em comum entre elas é a boa fé em nome da boa fé, em nome da vida, em nome de um mundo decente.
Outras vão à missa/culto/célula Domingo/sábado/quinta, rezam, têm um terço na beira da cama, fazem retiro, estudam a Bíblia...e odeiam a própria família. São pessoas incapazes de um gesto que não traga um pagamento de alguma forma. São mal intencionadas, agem como insetos que derrubam sua casa pelos alicerces sem que você perceba. Seus corações são cheios de inveja, soberba, ganância... e sim, lógico, elas precisam de um Deus, de um pastor, de um Pajé, um Xaman, um Rabino, de um alguém a quem confessar, a quem pagar por um lugar no céu no dia do arrebatamento. Precisam demais! Eu as vi com meus próprios olhos, e as reconheço de longe.
(É lógico que existem pessoas de boa vontade em todas as religiões, não resta dúvida, mas não é sobre elas que eu estou falando.)
É verdade. As coisas em que acredito ferem menos do que aquelas em que eu não acredito. Trust me. Se eu fosse pedir alguma coisa a Deus, pediria para ser ignorante.
Depois disso meu lado científico – ou sei lá como devo chamar – grita ainda mais alto, me mostrando que este é um pensamento reflexo da minha formação judaico-cristã, que beira o ridículo…e eu fico sem resposta para ele.
Mas eu me lembro de ser criança e querer acreditar; lembro também de ver meus pais sofrendo e perguntar por que. De pequenos questionamentos infantis, em pequenos questionamentos infantis, fui procurando as respostas e elas nunca foram suficientes. Nunca! Eu nunca consegui descobrir a relação que pode existir entre o big-bang e Deus, entre a evolução e a religião, entre a história e a fé cega. A história então…céus!…essa me fez descrer ainda mais, e a cada incursão minha nessa coisa fascinante que é a história eu encontro mais um furo nos fatos que o mundo insiste em se basear para ter fé em algo maior.
Trabalhando em propaganda eu passei a desacreditar na Igreja de uma vez. Foi entendendo o mecanismo da persuasão que eu entendi a grande lavagem cerebral que as religiões fizeram e fazem em seus fiéis. Seja católica, protestante, evangélica, judaica, muçulmana…tudo me parece um claríssimo tabuleiro de xadrez, e as pessoas meros peões desesperados por algo que as lidere e as impeça de pecar e, conseqüentemente, perecer.
Depois veio a vida…e durante a vida precisei parar muitas e muitas vezes para perguntar como um Deus onipotente e onipresente permitiria as cruzadas em seu nome. E a Inquisição? Como deixaria nascer um Idi Amim, um Sadam Hussein, um Mao, um Stalin, um Costa e Silva, um Médici, um Pinochet, e tantos outros ditadores desequilibrados? Com que critério Deus escolheu os 288.826 mortos e mais de 120.000 desaparecidos da Tsunami em dezembro de 2004? Eles eram todos maus? Eram todos ímpios? Eram todos infiéis? E para matar os pais de uma criança de seis meses? E baseado em que pecados terríveis permitiu que 6 milhões de Judeus, homossexuais, paraplégicos, míopes, e outra pessoas com “defeitos” fossem mortas em nome de uma raça pura, durante o Nazismo; e pior!, permitiu que Hitler crescesse? E por que permite que a América invada o Iraque, Israel e Palestina permaneçam em guerra por 50 anos, e Católicos e Protestantes na Irlanda até outro dia, etc etc etc….Quem é esse Deus?
E mais do que isso, por que as pessoas precisam tanto acreditar em algo mais forte do que elas, que possa puní-las se agirem errado e dar-lhes um lugar no céu se forem bons? Elas não sabem agir certo simplesmente por ser certo? Não sabem que não se pode prejudicar o próximo? Não entendem que para toda ação existe uma reação? Que você recebe o que dá e colhe o que planta? Não dá para simplesmente agir direito porque a gente deita a cabeça no travesseiro e dorme tranqüilo? Não sabem que só a paz de espírito é o verdadeiro paraíso?
Que tipo de animais nós somos?
Hoje assisti pela TV a um culto – sei lá se é um culto – de um pastor….putz...Alzheimer deve ser o nome dele, porque eu esqueci! Bom... o sermão dele era parte de um DVD chamado “Grávidos de Avivamento”, que ele, obviamente, estava vendendo e oferecendo o dinheiro de volta se você comprasse e um milagre não ocorresse na sua vida. Eu olhei todo aquele povo apinhado e tive pena. Muita pena. Tive pena dele por ser podre. Tive pena do povo por ser tão frágil e fraco a ponto de se render àquele discurso medíocre com fanatismo, com histeria, com sei lá que nome se pode dar para tanta indigência mental. E eu pensei: “o que foi feito do espírito do homem? Que desespero pode ter tomado essa gente para que ela espere que aquele baixinho brega que mal fala português (e ainda finge falar aramaico) venha a salvá-la?” E eles gritam, e desmaiam, e pulam feito descontrolados e choram compulsivamente por que estão sendo salvos.
Ai meu deus! Que tipo de animais nós somos?
Eu fui ficando mais velha e perdendo a paciência. Eu tenho respeito pela fé alheia mas não respeito quem tenta doutrinar alguém. Não consigo nem começar a ouvir todos os blablablas que eles têm a dizer. Tenho arrepios quando alguém me diz que encontrou Jesus. Ai! Deus! Me salva de verdade agora! Eu encontrei um Jesus uma vez... mas ele era muito melhor e mais inteligente do que essa coisa que fizeram dele. Ele quis que seu povo entendesse coisas que até hoje ninguém se dignou a ouvir, coisas que foram deturpadas! Então não me venha com essa balela de encontrar Jesus, porque me irrita profundamente, simplesmente porque eu odeio gente burra, e essas pessoas não encontraram Jesus: encontraram um pastor que manipula almas desesperadas a quem elas pagam dizimo. Acredite: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ele ficaria muito furioso se visse a quantidade de dinheiro que circula nas mãos desses pastores, e do Vaticano, e em tantas outras Igrejas por aí que usam indevidamente o nome de um homem nobre para explorar pessoas. Eu li o que ele fez no templo, revoltado com o comércio. O que ele faria se visse este comércio de almas correndo solto por aí?
E eu me revolto com isso aqui no meu metro quadrado de existência, como me revolto com guerras santas, sejam elas travadas em casa ou em campos de batalha. Guerra Santa é oximoro: são duas palavras com sentidos absurdamente conflitantes!
No decorrer da vida conheci pessoas de boa vontade. Outras nem tanto. As de boa vontade nasceram com a alma limpa e o coração grande. Algumas delas são religiosas, outras nunca entraram numa igreja, e o que há em comum entre elas é a boa fé em nome da boa fé, em nome da vida, em nome de um mundo decente.
Outras vão à missa/culto/célula Domingo/sábado/quinta, rezam, têm um terço na beira da cama, fazem retiro, estudam a Bíblia...e odeiam a própria família. São pessoas incapazes de um gesto que não traga um pagamento de alguma forma. São mal intencionadas, agem como insetos que derrubam sua casa pelos alicerces sem que você perceba. Seus corações são cheios de inveja, soberba, ganância... e sim, lógico, elas precisam de um Deus, de um pastor, de um Pajé, um Xaman, um Rabino, de um alguém a quem confessar, a quem pagar por um lugar no céu no dia do arrebatamento. Precisam demais! Eu as vi com meus próprios olhos, e as reconheço de longe.
(É lógico que existem pessoas de boa vontade em todas as religiões, não resta dúvida, mas não é sobre elas que eu estou falando.)
É verdade. As coisas em que acredito ferem menos do que aquelas em que eu não acredito. Trust me. Se eu fosse pedir alguma coisa a Deus, pediria para ser ignorante.





























