domingo, setembro 24, 2006

Quarenta e Cinco e quero mais!

Bom dia.
O dia hoje não se parece com o dia em que eu nasci. Lá em 1961 era domingo também, mas um domingo de sol. Hoje o dia está cinza, e eu nem vou olhar pra fora! Como todos os vaidosos-espaçosos do mundo, eu nasci num domingo ensolarado. E parece que contrariando todos os mapas astrais, conjunções planetárias e gráficos complicados, o sol resolveu se esparramar pela minha vida a fora.

Sempre foi dia claro de primavera. Os pessegueiros sempre estiveram floridos. As amoras sempre maduras no pé esperando que eu fosse pintar de roxo as pontas dos meus dedos. Parece poético e escapista, mas vou contar um segredo para vocês: eu sou poética e escapista. Não que eu viva exatamente num mundo cor-de-rosa, afinal já choveu muito, as amoras já foram azedas, os pessegueiros secaram, mas por pouco tempo. E depois, quem disse que eu valorizo muito os maus momentos? Não me servem. Não os quero. Não chego a deletá-los, mas prefiro prestar mais atenção no que vale a pena. Eu só quero saber do que pode dar certo... Mas a minha visão de DAR CERTO, provavelmente não é igual à sua.

Dar certo é me fazer feliz. Ok, é imprevisível. Como se vai saber se algo vai dar certo antes de realmente viver? Não sei. Impossível. Mas dá certo sentir frio na barriga, ter a sensação da possibilidade de ser feliz. Com o tempo, dá pra sentir que não está funcionando muito, mas ainda dá tempo de tentar mudar, ou de desistir, e realmente deu certo se por algum tempo eu fui feliz. Estou falando de tudo: da vida em geral. Às vezes você passa um mês se preparando para uma grande festa. Acha que vai ser a festa da sua vida, perde um tempo enorme procurando a roupa certa, os sapatos, a bolsa, um colar que combine, os brincos, marca cabeleireiro, faz as unhas, depilação, maquiagem, capricha na lingerie. Wow! Vai ser a noite da sua vida...e não é. A festa foi boa, mas não tão divertida e você voltou pra casa sozinha, o cara que você queria encontrar não deu muita bola para você, você poderia ter dançado bem mais se não tivesse ficado desfilando na frente dele para chamar atenção. E aí? Não foi feliz? Como assim? E a preparação não foi maravilhosa? A ansiedade, as borboletas no estômago, o coração disparado quando você viu que ele estava vindo na sua direção? Claro que foi bom...claro que você foi feliz.
E amanhã tem amora madura no pé, porque a vida é toda hora. Ela nem acaba quando a gente fica triste. Três dedos pintados de amora já são o suficiente para esquecer a dor. Só é preciso saber ver a vida pela lente certa.
Sofrer, todo mundo sofre. Chorar todo mundo chora. Tem sempre um tempo de vacas magras e amoras amargas, mas ele passa. E talvez só exista para a gente se dar conta de que era feliz antes e pode ser de novo.

E é assim que eu sou. Não exatamente cor-de-rosinha, não exatamente ácida, não exatamente séria, não exatamente eufórica. Sou melancólica e amo um dramalhão, como também amo uma história de amor histérica daquelas tão fortes que doem fisicamente. Adoro escrever cartas de amor ou de despedida. Às vezes imagino o meu velório e choro emocionada com a presença dos que eu amo. Às vezes imagino o seu velório e choro mais ainda com as coisas que eu não disse a tempo. Já me vi no meu leito de morte dizendo coisas incríveis para seres idem. Já escrevi a mais triste das cartas e chorei horas em cima dela. Eu era assim aos 15 anos. Eu sou assim aos 45. E amo. Amo frenética e alucinadamente todos os dias desde que me entendo por gente, como uma doença congênita, e adoro chorar pensando que aos 85 eu vou morrer de amor, tendo a minha mão encaixada dentro da mão grande do amor da minha vida.

Ai ai...
Ao mesmo tempo eu rio. Rio, canto e falo sozinha. Faço companhia para mim mesma como poucos já conseguiram. E faço o possível para tornar mais fácil a vida de todos à minha volta. Outro dia no avião, uma moça me perguntou como e possível eu ter 45 anos com essa energia que parece juventude pura. *Eu tenho 25 e sou muito mais acabada que você!*
Eu não tive alternativa senão responder a verdade:
1. Não é bem assim...nem sempre eu sou essa pessoa tão leve.
2. Eu sou abençoada. Mesmo os problemas mais sérios que eu tive na vida, não pareciam tão sérios pra mim. Mas nunca tive um emprego que eu odiasse, nunca convivi com pessoas que eu não gostasse, nunca deixei de fazer as coisas que eu gosto, nunca me violentei, me vendi, me permiti perder a dignidade. E sempre encarei a vida como um presente.

Parece auto-ajuda, ne? Sinto muito. Não sei como fazer para tornar mais amargo um dia feliz. É setembro. A primavera chegou ontem e eu hoje. Os pessegueiros estão floridos e os meus dez dedos estão roxos de amora, assim como meus lábios e minha língua. Hoje mais do que aos 15, aos 20 ou aos 30, é doce o gosto da vida que eu tenho.

9 comentários:

Paola Zadra disse...

Mê,

Mais uma vez um texto indescritivelmente lindo!!!

Que todos os seus dias até o fim da sua vida, os seus dedos, os seus lábios, a sua lingua, o seu coração, os seus pensamentos e a sua alma estejam roxos de amora.

Cada vez que termino de ler um texto seu, o meu coração pulsa diferente. As minhas pupilas não são mais as mesmas.
Inevitável!

E esqueça que você morrerá aos 85 anos. Pessoas como você não morrem.
Mas com certeza terá sempre sua mão encaixada dentro da mão grande do amor da sua vida.
Amando de verdade, sendo amada e amando-se.

"Somos as escolhas que fazemos e as que omitimos, a audácia que tivemos e os fantasmas aos quais sacrificamos a possível alegria e até pessoas a quem amamos; a vida que abraçamos e a que desperdiçamos".

Que o amor continue presente em todos os seus dias e que todos sejam contagiados, assim como eu fui!

Amor é risco, viver é risco.
Continue se arriscando, porque sua história é cada vez mais rica, mais colorida, repleta de sorrisos, muito carinho e amor cheio de sensualidade e amizade.

AMO AMO AMO

marcos freitas disse...

me rroir,
parabéns por mais essa primavera

...isso é lindo, lindo, lindo!!!
e você é linda, linda, linda!!!
...desejo muita doçura de amora por toda sua vida (e que essa passe longe dos 85) e que seja, mesmo depois dos 85, alive 'n' kicking yet ahahahahah

beijocas
m.

p.s. já te falei da 'decisiva' importância das amoras em minha vida? (até acho que já mas se não, depois te conto hehehe)

Anne disse...

Tia.... (pq apesar de nunca ter te visto, a sensação é mesmo daquelas de mãe de amigo de muito tempo...)

Sendo um pouco (muito) demagoga nessa hora... lendo seu texto de aniversário eu entendi muito do que significa a idéia de "com o tempo só melhora"... Melhora não pq os problemas são menores, mas pq a sua forma de ver a vida é melhor... o tempo, e eu acho mesmo que é só o tempo, ensina o verdadeiro valor das coisas... e ensina que coisas não têm valor... e pessoas têm... e que o valor delas, mesmo que seja por palavras distantes, é incomensurável...

As vezes, quando escrevemos alguma coisa, não imaginamos o valor que estas palavras podem ter para muitas pessoas, ainda mais hoje em dia, com a facilidade e a velocidade da internet... sei, que pra mim, as suas são sempre lições... pequenas e grandes, divertidas e melancólicas, amorosas... sempre trazendo alguma coisa...

Aquela idéia de que ou vc aprende com palavras ou a vida te ensina me fez ver que as palavras sempre são mais doces...

Mais uma vez... muitos, muitos anos de vida!!!

bjos

Rafa Ela disse...

Mê, a vida não á fácil... Mas que graça teria se fosse!
Amei o texto, grande novidade, não é?
E entendo hj muuito do que vc quer dizer, pq eu decidi é ser feliz!
bj e parabéns

Fastolf.b disse...

Seu blog não sabe contaar, seu blog nao sabe contaar.. lalala

marilia disse...

Lindooo!!!
Nossa como estou desinformada.Ficar sem pc é um saco!!!
Beijooo

thiagota0 disse...

Sei lá...

Tem horas que eu simplesmente naum tenho saco de ler, então vou ouvir musicas, assistir televisão, visitar sites, ver imagens... algo que eu sinta, degrade, instrua, parabolize minha mente e pensamentos, ou foi simplesmente falta de tempo mesmo.

Faz tempo que eu não venho aqui. Pra falar a verdade depois da decepção de ver a reprise SBTélica de Um Tango para George...

Voltando agora ao post, queria dizer que me identifiquei com a parte melodramaturgica... eu sou assim... é engraçado quando tenho os meus ataques de praticidade... também entre ser triste e feliz eu escolho ser feliz "... é melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe é assim como la la la la la la..." ser triste sóh é uma perda de tempo!


:D

Confiamos em DEUS disse...

gostei muito do teu texto especualmente por que tenho essa idade e tudo que falaste me fez lembrar que fomos de uma geraçao privilegiada.

Confiamos em DEUS disse...

gostei muito do teu texto especualmente por que tenho essa idade e tudo que falaste me fez lembrar que fomos de uma geraçao privilegiada.